Em sistemas de cultivo que utilizam mais de uma cultura por ano, o surgimento de problemas relacionados ao manejo das plantas voluntárias provenientes da cultura anterior é um problema comum no cenário agrícola brasileiro atual. A sucessão soja – milho safrinha (ou segunda safra) representa o principal caso de estudo em função dos mais de 16 milhões de hectares cultivado com o milho safrinha.

Neste caso, o milho voluntário ou milho “tiguera”, como será abordado neste informativo, representa uma planta que precisa ser controlada tanto no período de entressafra entre a colheita do milho e a semeadura da soja, quanto dentro do ciclo da soja. Há, portanto, dois caminhos importantes a serem seguidos no sentido de reduzir os efeitos negativos do milho tiguera, o primeiro relacionado ao controle das perdas de colheita e o segundo ao controle das plantas que sobrevivem na área. Ao longo deste informe são discutidos os principais aspectos relacionados aos efeitos da presença do milho tiguera nestes ambientes e das principais estratégias de manejo deste problema.

Quais os Efeitos diretos do milho tiguera? Por Cristiano Piasecki e Mauro Rizzardi

Milho tiguera ocorre como plantas individuais e/ou touceiras (plantas agrupadas originadas de espigas inteiras ou pedaços) sendo muito competitivo com as culturas. O grau de competição varia com a origem (planta individual ou touceira), densidade e época de emergência do milho e cultura. A competição do milho tiguera com a soja, milho segunda
safra e feijão reduz significativamente a produtividade das culturas mesmo em densidades inferiores a 1 planta.m-2 (Piasecki et al., 2018; Piasecki e Rizzardi, 2019; Piasecki e Rizzardi, 2018a).

Os efeitos negativos do milho tiguera na soja aumentam quanto maior for a população de milho presente na área. O aumento na população de milho reduziu o rendimento da soja em 9,3 % quando na presença de 0,5 plantas de milho m-2 enquanto em populações de 16 plantas.m-2 essas perdas foram de 76,2 % (Rizzardi et al., 2012). A partir desse trabalho foi possível estimar que uma planta de milho tiguera oriundo de sementes reduz em 21,7% a produtividade da soja (Figura 10).

A elevada capacidade competitiva do milho tiguera afeta os componentes do rendimento das culturas e resulta em significativas perdas na produtividade. Baseado nesses resultados pode-se afirmar que medidas de controle se justificam mesmo em baixas populações de plantas de milho.

Um ponto de atenção é a época de emergência das plantas voluntárias em relação a cultura. Assim, plantas que emergem antes ou junto com a cultura têm potencial de causar
maiores perdas em relação as emergidas após. Milho tiguera nas populações de 0,5 e 10 plantas.m-2 emergido junto com a soja reduziu a produtividade da oleaginosa em 7,3% e 55,4%, enquanto as emergidas nove dias após reduziram em 4,3% e 24,4%, respectivamente (Piasecki e Rizzardi, 2018b).

As perdas na colheita do milho ocorrem na forma de grãos individuais, espigas inteiras ou pedaços de espigas. Essas duas últimas formas de perda as “touceiras”, as quais por originarem um maior número de plantas de milho em um mesmo local tem potencial de
causar maiores perdas no rendimento e nos componentes do rendimento da soja em relação às plantas oriundas das perdas de grãos individuais (Piasecki e Rizzardi, 2018 b). Os autores observaram reduções médias de 54% no rendimento da soja, onde 0,5 touceiras m-2 reduziu em 46,4% o rendimento.

Devido a importância das duas culturas, quando pensamos em área cultivada, o HRAC lançou um Informe Técnico: O desafio do milho tiguera, que você pode conferir clicando aqui.

O boletim tem autoria de: Rouverson Pereira da Silva ( Prof. Dr. da UNESP/Jaboticabal – SP); Cristiano Piasecki (Dr. Diretor e Pesquisador na ATSI Brasil Pesquisa e Consultoria, Passo Fundo, RS); Mauro Rizzardi (Prof. Dr. da Universidade de Passo Fundo);Germison Vital Tomquelsk (Dr. Pesquisador Desafios Agro – Mato Grosso do Sul); Gizelly Santos ( Dra. Pesquisadora Desafios Agro – Mato Grosso do Sul); Rubem Silverio de Oliveira Junior ( Prof. Dr. Universidade Estadual de Maringá); Alfredo Junior Paiola Albrecht (Prof. Dr. Universidade Federal do Paraná); Edson Junior ( Pesquisador Dr. Instituto Mato-Grossense do Algodão – IMAmt); Anderson Luis Cavenaghi (Prof. Dr. UNIVAG – Centro Universitário de Várzea Grande-MT)

Quer conhecer mais sobre o Trabalho da Associação Brasileira de Ação a Resistência de Plantas Daninhas aos Herbicidas, conhecida também por Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas o HRAC-BR acesse: WWW.HRAC-BR.ORG

 

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