A ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo (Phakopsora pachyrhizi), é uma das mais agressivas e devastadoras doenças que acometem a cultura da soja, causando danos que podem até mesmo inviabilizar a produção. Dentre as medidas de controle,  o uso de fungicidas químicos constitui uma das principais estratégias de manejo da doença, contudo, a menor sensibilidade do fungo P. pachyrhizi aos fungicidas do grupo dos inibidores da desmetilação (IDM – triazóis), inibidores da quinona externa (IQe – estrobilurinas) e inibidores da succinato desidrogenase (ISDH- carboxamidas) já foi relatada no Brasil, sendo esses os três principais grupos sítio-específicos que compõem todos os fungicidas registrados em uso para o controle da doença (Godoy et al., 2022).

Com isso em vista, o posicionamento de fungicidas, especialmente os com eficiência no controle da doença passa a ser uma tarefa cada vez mais desafiadora. Sendo assim, é fundamental conhecer a eficiência dos principais fungicidas disponíveis para emprego no manejo e controle da ferrugem-asiática da soja.

Os resultados sumarizados dos experimentos cooperativos, realizados na safra 2021/2022, para o controle da ferrugem-asiática da soja, são apresentados por Godoy et al. (2022) e sintetizados ao longo desse texto. Experimentos em rede vêm sendo realizados desde a safra 2003/2004 para a comparação da eficiência de fungicidas registrados e em fase de registro para o controle da ferrugem-asiática (Godoy et al., 2022). Para compor o estudo, foram conduzidos experimentos em 23 locais distintos, contemplando os Estados de São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Paraná, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, e Bahia. Um ponto importante, que vale destacar, é que os experimentos em rede não visam estabelecer um ranking de fungicidas, mas trabalhar e fornecer informações para que sejam compostos manejos, associando diferentes grupos químicos, rotacionando ativos e respeitando as premissas básicas do manejo de fungicidas, preconizados pelo FRAC, pela Embrapa dentre outros órgãos técnicos.

A circula técnica CIRCULAR TÉCNICA 187, trás a Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2021/2022: resultados sumarizados (CT 187 – Godoy et al., 2022). Abaixo são apresentados alguns dos resultados. Recomendamos que o leitor acesse o material original, pois nele consta a metodologia e todo detalhamento completo.

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Apresentação dos resultados obtidos com os Fungicidas já registrados

Conforme resultados obtidos, a porcentagem de controle dos fungicidas registrados variou de 34% (T2) a 77% (T17). A menor severidade e a maior porcentagem de controle foi observada para o tratamento com Cronnos (T17 – 77%), seguido dos tratamentos com os fungicidas Armero (T7 – 74%), do programa com rotação de fungicidas (T18 – 73%), Evolution (T16 – 72%) e Fox Xpro (T15 – 71%) (Godoy et al., 2022). Com relação a produtividade, os autores destacam que a maior obtida com o uso de produtos registrados foi observada com o uso do fungicida, Cronnos (T17 – 3.774 kg/ha), seguida pelo programa com rotação de fungicidas (T18 – 3.733 kg/ha), Blavity (T8 – 3.727 kg/ha), Armero (T7 – 3.722 kg/ha), Evolution (T16 – 3.713 kg/ha) e Fox Xpro (T15 – 3.657 kg/ha) (Godoy et al., 2022).

Tabela 1. Severidade da ferrugem-asiática (SEV), porcentagem de controle (C) em relação à testemunha sem fungicida, produtividade (PROD) e porcentagem de redução de produtividade (RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade, para os diferentes tratamentos no protocolo com fungicidas registrados. Média de 17 experimentos para severidade e produtividade, safra 2021/2022.

Fonte: Godoy et al. (2022)

Fungicidas em fase de registro

Com relação a eficiência dos fungicidas em fase de registro no controle da ferrugem-asiática da soja, os resultados apresentados por Godoy et al. (2022) demonstram que a porcentagem de controle variou de 58% (T6) a 78% (T3). As menores severidades e maiores porcentagens de controle foram observadas para os tratamentos com Fox Supra (T3 – 78%) seguido de Excalia Max (T4 – 74%), que obtiveram registro no Mapa durante a safra 2021/2022. As maiores produtividades foram observadas para os tratamentos com Fox Supra (T3 – 3.790 kg/ha) e Excalia Max (T4 – 3.674 kg/ha) (Godoy et al., 2022).

Tabela 2. Severidade da ferrugem-asiática (SEV), porcentagem de controle (C) em relação à testemunha sem fungicida, produtividade (PROD) e porcentagem de redução de produtividade (RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade, para os diferentes tratamentos no protocolo com fungicidas em fase de registro. Média de 16 experimentos para severidade e produtividade, safra 2021/2022.

Fonte: Godoy et al. (2022)

Fungicidas sítio-específicos em mistura com multissítios

A porcentagem de controle das misturas de fungicidas variou de 54% (T13) a 81% (T3). As menores severidades e maiores porcentagens de controle foram observadas para os tratamentos com Almada (T3 – 81%), mancozebe + picoxistrobina + protioconazol (T4 – 79%), seguido de Cronnos (T2 – 78%), Excalia Max e Troia 800 WP (T8 – 78%) e mancozebe + trifloxistrobina + protioconazol (T5 – 77%) (Godoy et al., 2022).

Tabela 3. Severidade (SEV) da ferrugem-asiática, porcentagem de controle (C) em relação à testemunha sem fungicida, produtividade (PROD) e porcentagem de redução de produtividade (RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade, para os diferentes tratamentos no protocolo com fungicidas sítio-específicos em mistura com fungicidas multissítios. Média de 15 experimentos para severidade e produtividade, safra 2020/2021.

Fonte: Godoy et al. (2022)

Embora a maior severidade e menor porcentagem de controle tenha sido observada para o tratamento Cypress + Bravonil 720 (T13 – 54%), quando essa mistura foi utilizada no programa com rotação de fungicidas (Tratamento 18, Tabela 1), o tratamento ficou no grupo com maior porcentagem de controle e maior produtividade, ressaltando a importância da rotação de produtos no manejo da ferrugem-asiática e de outras doenças (Godoy et al., 2022).

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Referências:

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2021/2022: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 187, 2022. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/doc/1145904/1/Circ-Tec-187.pdf >, acesso em: 08/09/2022.

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