O potássio (K) é um dos macronutrientes essências para a soja, sendo demandado em grandes quantidades pela cultura. Nesse contexto, a adubação potássica é uma prática recorrente nas lavouras comerciais, a fim de suprir a demanda nutricional da cultura e obter altas produtividades. Sobretudo, para efeito de manejo, conhecer o comportamento do K no solo, bem como sua dinâmica é determinante para reduzir perdas e maximizar a eficiência da adubação.
A adsorção do potássio é bem mais simples do que a adsorção do fosfato. De forma simplificada, dá para considerar que há apenas dois tipos de adsorção de potássio: adsorção física ou não específica e adsorção química ou específica (Santos & Silva, 2010). O potássio no solo ocorre em quatro formas: estrutural, não trocável, trocável e em solução. O K estrutural e o não trocável representam reservas pouco disponíveis às plantas, sendo liberados lentamente ao longo do tempo. O K trocável é a principal reserva imediata do nutriente, pois está adsorvido às partículas do solo e repõe rapidamente o K da solução. Já o K em solução é a forma diretamente absorvida pelas raízes, embora esteja presente em pequenas quantidades. Entre essas formas, o K trocável e o K em solução são os mais importantes para a nutrição das culturas e para o manejo da adubação potássica (Facco et al., 2022).
Figura 1. Esquema representando a dinâmica do potássio no solo.

A maior mobilidade do potássio no solo permite a realização da adubação potássica em cobertura, prática amplamente utilizada em culturas de grande extensão, como a soja. Além de reduzir a quantidade de fertilizante aplicada no sulco de semeadura e favorecer a operacionalização da semeadora, essa estratégia possibilita o fracionamento de doses elevadas de K, contribuindo para aumentar a eficiência de uso do nutriente e reduzir potenciais perdas.
Quando aplicado na superfície, o potássio tende a se concentrar inicialmente nas camadas mais superficiais do solo, deslocando-se gradualmente para profundidades maiores em função da dose aplicada, da frequência de aplicação e das características do ambiente. Entretanto, a dinâmica de distribuição do nutriente varia conforme o sistema de manejo adotado e as propriedades químicas e físicas do solo (Costa, 2024).
Embora o potássio apresente maior mobilidade no perfil do solo e, consequentemente, seja suscetível à lixiviação, diversos estudos demonstram que, em sistemas agrícolas sob, as maiores perdas do nutriente costumam ocorrer por escoamento superficial, especialmente durante eventos de chuvas intensas. Ao monitorarem as perdas de potássio entre 2002 e 2007, Ceretta et al., (2010) verificaram que entre 9% e 17% do K aplicado foi perdido por escoamento superficial. No mesmo período, Girotto et al. (2013) observaram perdas significativamente menores por lixiviação, variando de 0,33% a 0,65% do total aplicado.
Resultados semelhantes foram encontrados por Bertol et al (2011), que identificaram o escoamento superficial como uma via potencialmente mais relevante de perda de potássio do que a lixiviação em áreas sob plantio direto, especialmente quando ocorre acúmulo superficial do nutriente associado a precipitações capazes de gerar elevado volume de enxurrada. Dessa forma, torna-se fundamental adotar práticas de manejo que minimizem as perdas de potássio no sistema produtivo, tanto por lixiviação quanto, principalmente, por escoamento superficial.
Entre as principais estratégias destacam-se a realização das operações em nível, a construção de terraços em áreas com declividade e a utilização de plantas de cobertura. Além de promoverem a ciclagem do potássio presente em camadas mais profundas do solo, as plantas de cobertura reduzem a velocidade do escoamento superficial e aumentam a infiltração da água, contribuindo para a reduzir as perdas do nutriente e aumentar seu aproveitamento pelas culturas (Facco et al., 2022).
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Referências:
SANTOS, D. R.; SILVA, L. S. FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS. UFSM, 2010. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/16178/Curso_Agric-Famil-Sustent_Fertilidade-Solo-Nutricao-Plantas.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 26/05/2026.
FACCO, D. B. et al. ADUBAÇÃO POTÁSSIOCA DA SOJA: ESTRATÉGIAS DE MANEJHO EM SOLOS ARENOSOS. Aprosoja MT, Circular Técnica, n. 04, 2022. Disponível em: < https://siteapi.aprosoja.com.br/storage/arquivos/4/180124103104.pdf >, acesso em: 26/05/2026.
COSTA, O. V. IMPORTÂNCIA NUTRICIONAL DO POTÁSSIO EM SOJA. Mais Soja, 2024. Disponível em: < https://maissoja.com.br/importancia-nutricional-do-potassio-em-soja/ >, acesso em: 26/05/2026.
CERETTA, C.A.; GIROTTO, E.; LOURENZI, C. R.; TRENTIN, G.; VIEIRA, R. C. B.; BRUNETTO, G. NUTRIENT TRANSFER BY RUNOFF UNDER NO TILLAGE IN A SOIL TREATED WITH SUCCESSIVE APPLICATIONS OF PIG SLURRY. Agriculture, Ecosystems and Environment, 2010. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0167880910002847 >, acesso em: 26/05/2026.
GIROTTO, E.; CERETTA, C. A.; LOURENZI, C. R.; LORENSINI, F.; TIECHER, T. L.; VIEIRA, R. C. B.; TRENTIN, G.; BASSO, C. J.; MIOTTO, A.; BRUNETTO, G. NUTRIENT TRANSFERS BY LEACHING IN A NO-TILLAGE SYSTEM THROUGH SOIL TREATED WITH REPEATED PIG SLURRY APPLICATIONS. Nutrient Cycling Agroecosystem, 2013. Disponível em: < https://www.researchgate.net/publication/257564044_Nutrient_transfers_by_leaching_in_a_no-tillage_system_through_soil_treated_with_repeated_pig_slurry_applications >, acesso em: 26/05/2026.
BERTOL, O. J. et al. PERDA DE NUTRIENTES VIA ESCOAMENTO SUPERFICIAL NO SISTEMA PLANTIO DIRETO SOB ADUBAÇÃO MINERAL E ORGÂNICA. Ciência Rural, 2011. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/cr/a/pY4qQfscDVwQBMFnKSp8R9G/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 26/05/2026.





