Antes de implantar qualquer cultura, é necessário conhecer as características de solo, clima, e exigências da cultura. Se tratando de solos arenoso, é preciso ter alguns cuidados importantes para o correto manejo do sistema e produtividade da lavoura. Solos arenosos, apresentam textura grosseira e tem como principais características a baixa retenção de água, baixa coesão entre partículas, baixa CTC e menor porosidade total, porém, maior quantidade de macroporos quando comparados a solos argiloso e facilidade na realização de práticas de preparo do solo.

O Solo Arenoso, chamado também de “solo leve”, é um tipo de solo muito presente na região centro-oeste e nordeste do Brasil. Ele possui uma textura leve e granulosa, sendo composto, em grande parte, por areia (70%) e, em menor parte, por argila (15%)

É importante ter atenção para o manejo nutricional e conservacionista do solo, pois solos arenosos necessitam maior monitoramento da fertilidade por apresentarem facilidade em sofrer erosão e com isso perder nutrientes e solo. Segundo o Prof. Dr. Fabio Mallmann, quando se trabalha com solos, dois conceitos são muito importantes para entender o manejo do solo, a estrutura do solo e a textura do solo. A estrutura do solo está relaciona com práticas de manejo, compactação do solo e sistemas de cultivo, já a textura do solo está ligada ao tamanho de partículas, não sendo influenciadas por fatores externos.

A textura e a estrutura do solo que definem a área superficial e a arquitetura do sistema poroso são os principais fatores associados ao armazenamento e disponibilidade da água nos solos (REINERT &REICHERT, 2006). Solos arenosos por apresentarem maior quantidade de macroporos, tendem a ter maior infiltração de água em seu perfil, contudo, devido ao baixo volume de microporos, tende a armazenar menos água em comparação a solos argiloso, fator este que dificulta o manejo da água disponível no sistema produtivo.

Segundo SCOPEL et. al, (2011), solos arenosos são mais propícios ao cultivo de espécies que apresentam maiores sistemas radiculares, como por exemplo espécies frutíferas arbóreas. Isso por que essas espécies apresentam sistema radicular bem desenvolvido, com maior capacidade de exploração do perfil do solo e por consequência maior absorção de água e nutrientes em camadas mais profundas do solo. Como solos arenosos apresentam baixas quantidades de microporos e com isso pouca retenção de água, uma alternativa quando se tratando de culturas anuais é trabalhar a estrutura do solo para que as plantas consigam desenvolver seu sistema radicular visando exploras maiores camadas de solo em profundidade, para isso é importante que não haja compactação do solo e que os níveis de pH esteja dentro da faixa adequada para a cultura, favorecendo a absorção de nutrientes.


Veja também: Produtor de soja deve investir mais no perfil e manejo do solo.


Outra dificuldade de se manejar solos arenosos é com relação as erosões superficiais e subsuperficiais, sendo as subsuperficiais mais difíceis de se trabalhar. As erosões subsuperficiais, são ocasionadas pelo fluxo de água nas subcamadas de solo, sendo de difícil identificação e controle. Geralmente quando percebidas já se encontram em elevado estágio de desenvolvimento, podendo chegar ao ponto de aflorar e evoluir para voçorocas. Sua correção é extremamente difícil, seu preenchimento com solo corrige momentaneamente o problema, contudo se não corrigido o sentido do fluxo de água, a erosão pode voltar a ocorrer. Em teoria, o ideal seria isolar a porta de entrada da erosão e canaliza-la até a porta de saída da água, contudo isso representa um enorme custo, além de limitar o uso da área de produção.

Erosão é a remoção de partículas do solo das partes mais altas e o seu transporte para as partes mais baixas do terreno ou para lagos, lagoas, rios e oceanos. A erosão é provocada pela ação das águas e dos ventos.

Figura 1. Representação gráfica da ocorrência de erosão subsuperficial.

Adaptado: BERNATEK-JAKIEL & POESEN (2018)

Além de atentar para a erosão subsuperficial, a qual é mais difícil de ser visualizada, quando se trabalha com solos arenoso, os quais apresentam baixa coesão entre partículas deve-se ter cuidado com as erosões superficiais. Segundo SPERA et. al, (1998), os solos arenosos apresentam alta suscetibilidade a erosões, sendo a erosão uma das principais causas de lixiviação de solos e nutrientes no solo, tornando ainda mais difícil a manutenção da fertilidade dos solos arenosos, sendo necessária sua correção e monitoramento ao longo do tempo.

 

Ferramentas como modelos analíticos para prever a erosão do solo e perda de nutrientes vem sendo testadas por TAO et. al, (2020), se mostrando como uma alternativa ao manejo da conservação e fertilidade dos solos. Simulando períodos de chuva, em condições controladas para as culturas de trigo, milho e soja, TAO et. al, (2020) encontraram valores de perda de sedimentos de solo próximos a 0,5 Kg.m-2 (A), nitrogênio amoniacal a 0,20 g.m-2 (B), nitrato 0,27 g.m-2 (C) e fosforo 0,015 g.m-2 (D), sendo que as maiores perdas foram observadas nos períodos iniciais de desenvolvimento das culturas, onde não havia pleno fechamento do dossel, ressaltando a importância de se mantes cobertura no solo.

Figura 2. Perda de sedimentos e nutrientes decorrentes da erosão do solo.

Adaptado: TAO et. al, (2020).

Outras alternativas mais simples de manejo podem auxiliar na manutenção da conservação e fertilidade dos solos arenosos, como por exemplo manter o solo coberto através do uso de palhada residual e plantas de cobertura, rotação de culturas, curvas de nível, terraços e canais vegetados. Contudo o mais importante é o monitoramento da lavoura, interferindo de forma preventiva ao controle das erosões, diminuindo a perda de solo e nutrientes de forma a beneficiar o sistema produtivo e minimizar custos de produção com reposição de nutrientes e manutenção de áreas degradadas.

Referências:

BERNATEK-JAKIEL, A. & POESEN, J. Subsurface erosion by soil piping: significance and research needs. Earth-Science Reviews n.185, p.1107–1128, 2018.

Brasil: Guia Auxiliar para seu Reconhecimento. Jaboticabal: FUNEP, 1992. 201p

OLIVEIRA, J.B. de; JACOMINE, P.K.T.; CAMARGO, M.N. Classes Gerais de Solos do

REINERT, D. J.; REICHERT, J. M. PROPRIEDADES FÍSICAS DO SOLO. Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Ciências Rurais, Santa Maria, mai. 2006.

SCOPEL, I. UNO E MANEJO DE SOLOS ARENOSOS E RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS COM ÁREIAS NO SUDOESTE GOIANO. Universidade Federal de Goiás, Jataí, 65p., 2011.

SPERA, et. al,. SOLOS ARENOSOS NO BRASIL: PROBLEMAS, RISCOS E OPÇÕES DE USO. Revista de Política Agrícola, n. 2, 1998.

TAO et. al,. A NEW ANALYTICAL MODEL FOR PREDICTING SOIL EROSION AND NUTRIENTE LOSS DURING CROP GROWTH ON THE CHINESE LOESS PLATEAU. Soil & Tillage Research, 2020.

Quer saber mais sobre manejo de solos? Veja nosso curso, Solos do perfil aos nutrientes. 

Acompanhe nosso site, siga nossas mídias sociais (SiteFacebookInstagramLinkedin

Redação: Maurício Siqueira dos Santos – Eng. Agrônomo.

1 COMMENT

  1. O Rio Grande do Sul também tem uma expressiva área de seu território nessas condições de “solo leve”. Uma alternativa que pode ser agregada as demais acima sugeridas, é o uso de matéria orgânica de boa qualidade ( compostos orgânicos sólidos), que hoje o uso é viabilizado pela produção de resíduos da agroindústria e pelas fábricas (unidades de compostagem). A matéria orgânica compostada agrega em carbono orgânico de boa qualidade e melhora a estabilidade da parte biológica.

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.