Trigo: O primeiro mês cotado confirmou o recuo em seus valores, iniciado no final da semana anterior, chegando a US$ 5,80/bushel no dia 05/06. Posteriormente, houve pequena melhora, diante dos números provenientes do novo relatório de oferta e demanda do USDA, com o fechamento da quinta-feira (11) ficando em US$ 5,86/bushel, contra US$ 5,81 uma semana antes.

O relatório do USDA, para o ano 2026/27, indicou o seguinte:

  1. A produção dos EUA foi reduzida em cerca de 500.000 toneladas, ficando estimada, agora, em 42 milhões de toneladas;
  2. Os estoques finais dos EUA recuam na mesma dimensão, ficando em 20,2 milhões de toneladas;
  3. A produção mundial de trigo alcançaria 820,1 milhões de toneladas, ganhando um milhão sobre maio, porém, abaixo das 844,4 milhões do ano anterior;
  4. Já os estoques finais estadunidenses do cereal ficam estimados em 275,4 milhões de toneladas;
  5. A produção da Argentina alcançaria 21 milhões de toneladas e a do Brasil 6,7 milhões;
  6. O Brasil deverá importar 7,2 milhões de toneladas de trigo e exportar 2 milhões;
  7. O preço médio ao produtor estadunidense de trigo, no novo ano comercial, ficaria em US$ 6,00/bushel, contra US$ 6,50 projetado em maio.

De forma geral, o mercado mundial do trigo busca estabilizar nos atuais níveis, diante do avanço da colheita nos EUA e outros países do Hemisfério Norte.

Já no Brasil, os preços continuaram subindo. No Rio Grande do Sul o saco de trigo de qualidade superior variou entre R$ 69,00 e R$ 70,00 na semana, enquanto no Paraná os mesmos se mantiveram em R$ 70,00. Isso se dá pela baixa oferta do produto oriundo da safra velha. Por outro lado, os moinhos encontram dificuldades para repassar tais preços diante da impossibilidade em aumentar os preços da farinha ao consumidor final.

Assim, no Paraná as indicações de compra dos moinhos têm girado entre R$ 1.370,00 e R$ 1.400,00/tonelada CIF, enquanto vendedores trabalham com valores entre R$ 1.400,00 e R$ 1.450,00/tonelada FOB. O mercado acompanha o novo plantio, onde uma forte redução de área é esperada, assim como o comportamento do clima sobre as regiões produtoras. Neste contexto, o plantio nacional teria atingido a 45,3% do total previsto para este ano, contra a média de 44,7%. Até o último dia cinco de junho o plantio já havia sido concluído em São Paulo e Mato Grosso do Sul, seguidos por Goiás e Minas Gerais (99%), Paraná (67%), Bahia (60%), Rio Grande do Sul (13%) e Santa Catarina (2,4%). Das áreas semeadas, 19,3% estavam germinadas (cf. Conab).

Enfim, o trigo argentino continua sendo a referência para as importações brasileiras, pois o vizinho país é o nosso principal fornecedor. As indicações FOB para embarques em julho permaneceram em US$ 245,00 por tonelada, para o trigo com 11% de proteína, enquanto o Brasil já teria importado 4,49 milhões de toneladas entre agosto/25 e os primeiros dias de junho/26. Este volume está abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, que foi de 5,33 milhões. Por sua vez, os estados brasileiros que mais importaram foram: Ceará, com 963.700 toneladas (21,5%); São Paulo, com 941.300 toneladas (21,0%); Bahia, com 633.400 toneladas (14,1%); e Pernambuco, com 575.900 toneladas (12,8%). Enquanto isso, entre abril e junho do corrente ano, 85,7% das importações vieram da Argentina, ou seja, 1,01 milhão de toneladas.

Os outros fornecedores foram a Rússia, com 30.100 toneladas; Turquia, com 26.000 toneladas; e Uruguai, com 9.500 toneladas. “Enquanto a oferta da safra velha continuar limitada e a nova colheita ainda não ganhar ritmo, o mercado tende a permanecer sustentado, embora sem força suficiente para acelerar o volume de negociações. O comportamento da moagem, da demanda por farinha e da evolução da nova safra serão os principais fatores a definir a direção dos preços do trigo no segundo semestre” (cf. Safras & Mercado).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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