O potencial produtivo (Yp) de uma cultura representa o máximo que pode ser produzido em determinado ambiente, considerando apenas o clima e as características genéticas da cultivar, sem limitações de água, nutrientes, pragas ou doenças. Quando se considera também a disponibilidade hídrica do ambiente, obtém-se o potencial de sequeiro (Yw). A diferença entre esse potencial e a produtividade média obtida pelos produtores é chamada de gap (ou lacuna) de produtividade. A análise desses gaps permite identificar o quanto ainda pode ser produzido na mesma área, só com melhorias nas práticas de manejo, sem a necessidade de expandir a fronteira agrícola.

Um estudo recente conduzido pela Equipe FieldCrops, estimou esses indicadores para a cultura do milho em Santa Catarina, combinando simulações de modelo de cultura com dados reais de manejo coletados em 293 lavouras monitoradas nas safras 2020/21 e 2021/22. Os resultados indicaram um PP de 17,4 t ha⁻¹ e um PS de 14,7 t ha⁻¹ para o estado. No entanto, a produtividade média dos produtores foi de 7.0 t ha⁻¹ o equivalente a somente 47,6% do PS (Figura 1).

Figura 1. Potencial produtivo do milho (Yp) (A), potencial produtivo limitado pela água (Yw) (B), produtividade atingível (75% do Yw) (C) para um período de 15 anos (2006–2020), e produtividade real dos produtores (Ya) para um período de 5 anos (2016–2020) (D) em nove zonas-tampão (BZs) no estado de Santa Catarina, Brasil. As siglas representam as estações meteorológicas de referência (RWSs): Caçador (CA), Campos Novos (CN), Dionísio Cerqueira (DC), Lages (LA), Major Vieira (MV), Rancho Queimado (RQ), Rio do Campo (RC), Urussanga (UR) e Xanxerê (XA). Fonte: Equipe FieldCrops.

Ao decompor esse gap total de 10,4 t ha-1, determinou-se que 2,7 t ha-1 são atribuídos à limitação hídrica, enquanto 7,7 t ha-1 são explicados por falhas no manejo. Comparando lavouras de alta e baixa produtividade, os fatores que mais se destacaram foram a população de plantas estabelecidas, a época de semeadura, a dose de potássio (K₂O) aplicada e o intervalo entre aplicações de calcário, sendo a população de plantas o fator de maior peso identificado pelo estudo (Figura 2).

Figura 2. Árvore de regressão mostrando a variação na produtividade de grãos de milho em Santa Catarina, Brasil, em função de fatores de manejo da cultura. Os valores dentro de cada nó terminal indicam a produtividade média de grãos, em base de 13% de umidade (em Mg ha⁻¹, o mesmo que t ha-1), e a porcentagem de observações. Fonte: Equipe FieldCrops.

Esses resultados mostram que ajustes relativamente “simples” no manejo como semear dentro da janela ideal (entre 31 de agosto e 2 de outubro), ajustar a população de plantas, elevar a dose de potássio e manter intervalos mais curtos entre calagens têm potencial para reduzir significativamente o gap de produtividade do milho. O estudo revela que se todas as lavouras do estado alcançassem 75% do PS, a produção de Santa Catarina poderia aumentar em 1 milhão de toneladas na mesma área atualmente cultivada.



Referências:  

PILECCO, I.B.; et al. Identifying maize yield potential and farm yield gaps in Southern Brazil. Agronomy Journal, v. 117, n. 6, 2025. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/agj2.70258 >, acesso: 25/09/2026.

 

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