O emprego do calcário em culturas agrícolas através da prática da calagem é frequentemente relacionado a necessidade de se corrigir o pH do solo, neutralizando o alumínio tóxico solo, e elevando o pH do solo a níveis onde há maior disponibilidade de nutrientes.
Sempre que o valor do pH do solo for limitante à produtividade da cultura deve-se aplicar calcário em quantidade suficiente para elevar o seu valor ao valor do pH de referência da cultura visada. Contudo, a tomada de decisão em relação a necessidade de calagem pode estar associada a um valor de pH menor que o valor de referência da cultura (Santos et al., 2016).
Cabe destacar que o uso do calcário vai além da correção do pH do solo. O calcário é uma das principais e mais utilizadas fontes de Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg). É conhecido que a deficiência de uma nutriente essencial para a planta pode limitar sua produtividade e potencial produtivo. Assim como para os tradicionais macronutrientes Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K), a deficiência de Ca ou Mg pode limitar a produtividade das culturas agrícolas, refletindo em baixas produtividades.
Com isso em vista, o aporte de Ca e Mg quando necessário é fundamental para a manutenção da produtividade da cultura, sendo que, o Calcário é o fertilizante me melhor custo benefício para suprir a demanda de Ca da planta. Basicamente, três tipos de calcário são empregados em larga escala com esse objetivo na agricultura, o calcário calcítico, o magnesiano e o dolomítico.
Conforme classificação, Alcarde (2005) destaca que o calcário calcítico apresenta teor de MgCO3 inferior a 10%; já o magnesiano tem teor mediano de MgCO3 entre 10% e 25%; e o dolomítico apresenta teor de MgCO3 acima de 25%.
Com relação aos teores de Cálcio, o calcário calcítico apresenta maior concentração de óxido de Cálcio, variando de 45% a 55%; já o calcário magnesiano apresenta teor de Cálcio (CaO) variando entre 40% a 42%, sendo por isso, considerado intermediário entre os tipos de calcário. O calcário dolomítico por sua vez, apresenta teor Cálcio variando entre 25% a 35%, sendo característico principalmente por apresenta teor de Magnésio superior a 25%, variando normalmente de 25% a 35%.
Logo, pode-se dizer que o calcário é uma importante fonte de Ca e Mg para o sistema de produção, apresentado função nutricional, além da correção da acidez do solo e neutralização do alumínio tóxico. Cabe destacar que o tipo de calcário a ser utilizado irá variar em função da necessidade de correção do solo e teores de Ca e Mg, sendo necessário ajustar a dose em função dos níveis de fertilidade do solo e expectativas de produtividade da cultura.
Sobretudo, quando o valor de pH é maior que o valor de referência não há resposta econômica à calagem. Para algumas culturas não responsivas à elevação do pH, a saturação por bases é o critério adotado para o fornecimento de Ca e de Mg às plantas (Santos et al., 2016).
Veja mais: Qual o intervalo entre calagem e semeadura?
Referências:
ALCARDE, J. C. CORRETIVOS DA ACIDEZ DO SOLO: CARACTERÍSTICAS E INTERPRETAÇÕES TÉCNICAS. ANDA, Boletim Técnico, n. 6, 2005. Disponível em: < https://anda.org.br/wp-content/uploads/2019/03/boletim_06.pdf >, acesso em: 26/01/2023.
SANTOS, D. H. et al. DIAGNÓSTICO DA ACIDEZ E RECOMENDAÇÃO DA CALAGEM. Manual de Calagem e Adubação para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, cap. 5, 2016. Disponível em: < https://www.sbcs-nrs.org.br/docs/Manual_de_Calagem_e_Adubacao_para_os_Estados_do_RS_e_de_SC-2016.pdf >, acesso em: 26/01/2023.
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