Em meio a uma alta crescente dos fretes e combustíveis, o agronegócio brasileiro deve enfrentar outro inimigo: os fretes internacionais.

Quem é nosso assinante, sabe: não é de hoje que os fretes no agronegócio têm subido consideravelmente, o que, recentemente, se agravou com o atraso na colheita de soja. De forma resumida, a situação fez com que a demanda acumulasse, e o preço do diesel – pra lá de salgado – não ajudou em nada…Em estados como o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, que dependem de uma quilometragem ainda maior para chegar ao escoamento dos portos, essa situação é ainda pior, e dia após dia, tradings e cerealistas têm deixado de fazer negócios, principalmente aqueles com prazos de entrega mais estendidos, com medo que o preço assumido pelo frete mude a qualquer instante.

Nas últimas semanas, no entanto, a situação tem se agravado ainda mais, e a exportação tem enfrentando desafios ao longo de toda a cadeia.

Isso por que, além da escalada dos custos internos, houve um desarranjo marítimo enorme, fruto de uma ‘pausa’ industrial
coordenada no ano passado. O problema que se instaurou tem suas semelhanças com o atraso na colheita, e iniciou-se com a pandemia no ano passado, quando houve uma grande interrupção na produção industrial global.

Isso fez com que os navios enfrentassem um ‘desarranjo’ e ficassem espalhados pelos portos mundo afora. Para o Jornal The New York Times, “o vírus desfez a coreografia de mover cargas de um continente para o outro”.

FRETES INTERNACIONAIS

Com a retomada econômica mundial neste início de ano, novas necessidades se somaram às antigas, e o transporte de medicamentos, equipamentos hospitalares, além de uma demanda reprimida devido à fraca movimentação dos meses anteriores, somaram-se e instauraram o caos. Nessa conta, é de se imaginar que o transporte de commodities sofra um pouco mais, se comparado a outros produtos, devido às suas margens reduzidas.

É fácil de perceber se olharmos os números: no início do ano, o frete de um container de 40 pés no porto de Santos, com destino à China, custaria entre 1.300,00 a 1.600 dólares. Hoje, o mesmo container não é contratado por menos de US$ 8.700,00, ou seja, um valor quase cinco vezes maior.

Isso reflete fortemente, por exemplo, nas vendas de carnes congeladas, o que afeta em especial nossa exportação de frango. Não somente isto, mas segundo empresas do setor, a dificuldade se agrava a exportações para a Ásia, já que armadores preferem voltar com os navios vazios para atender às demandas de medicamentos por lá.

Não se sabe ao certo quando tempo a situação vai durar, embora especialistas da área acreditem que perdure durante este ano todo, pelo menos, já que indústrias que fabricam contêineres têm demandas estabelecidas para, pelo menos, oito meses.



Fonte: T&F Agroeconômica

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