Depois da semeadura de soja, uma das etapas importantes do processo produtivo é o manejo e controle das plantas daninhas. Por isso, o tema Manejo de plantas daninhas na pós-emergência da soja foi o assunto tratado no webinar da safra 2019/2020.
Nesse webinar, a Embrapa Soja divulgou uma palestra no canal do Youtube Embrapa – Radar da Tecnologia Soja, onde o pesquisador da Embrapa Soja Fernando Adegas comentou sobre o manejo que deve ser realizado na pós-emergência da soja para o controle das plantas daninhas.
O pesquisador ressaltou que as cultivares de soja disponíveis no mercado atualmente mudaram bastante em relação aos materiais disponíveis antigamente, onde os materiais eram de ciclo determinado e bem folhadas, já as cultivares que utilizamos atualmente possuem, de maneira geral, ciclo mais precoce, hábito de crescimento indeterminado, potencial para plantio antecipado e quase todas possuem a tecnologia RR de resistência ao glifosato.
Mas o no manejo de plantas daninhas, no que essas características atuais interferem?
Adegas demonstra que se analisarmos a imagem abaixo, pode-se perceber que as cultivares atualmente utilizadas possuem um potencial menor de fechamento da entrelinha em relação àquelas que foram utilizadas no passado. Isso permite com que a luz entre no dossel da cultura e propicie condições ideais para a germinação e desenvolvimento das plantas daninhas.
Figura 1: Cultivar de ciclo precoce permitindo a entrada de luz no dossel.

Dessa forma, o pesquisador ressalta que as nossas cultivares atuais de soja estão ajudando menos a controlar plantas daninhas em relação ao que acontecia no passado.
No que diz respeito à importância de se realizar o manejo de plantas daninhas na pós-emergência da soja, o pesquisar ressalta que é fundamental basicamente para evitarmos a matocompetição, evitando com que as plantas daninhas não interfiram na produtividade da cultura, competindo por água, luz e nutrientes.
Postos-chave para o manejo em pós-emergência:
- Monitoramento;
- Identificação das espécies a serem controladas;
- Escolha da época de manejo (quando controlar);
- Seleção do(s) herbicidas(s);
- Planejamento e execução da aplicação.
- Monitoramento: de extrema importância, devendo-se avaliar todas as glebas, pode ser feito manualmente ou com drones, seja pelo produtor, técnico ou Engenheiro Agrônomo, visando avaliar quais são as espécies presentes, o estádio e tamanho em que se encontram e a distribuição.
- Identificação das espécies a serem controladas: nessa etapa o produtor necessita reconhecer as plantas daninhas para planejar o seu controle. Contudo, conforme destacado pelo pesquisador, identificar a planta daninha é mais fácil quando ela possui um tamanho maior, porém, nessa fase ela já estará competindo com a cultura da soja, por isso deve ser identificada ainda quando for pequena.
Para exercitar a identificação de plantas daninhas recém emergidas, o pesquisador trás os seguintes exemplos para exercitarmos:
- Capim-amargoso
Fonte: Embrapa Soja. 2. Capim-carrapicho
Fonte: Embrapa Soja. 3. Capim pé-de-galinha
Fonte: Embrapa Soja. 4. Leiteiro
Fonte: Embrapa Soja. 5. Buva
Fonte: Embrapa Soja. 6. Corda-de-viola
Fonte: Embrapa Soja. 3. Escolha da época de manejo (quando controlar): Em trabalhos realizados com as cultivares atuais de soja, Fernando ressalta que foi avaliado quanto tempo a cultura da soja suporta a matocompetição antes de se realizar o controle e o estudo mostrou que cultivares de ciclo 5.8 a 6.2 esse período é de 5 a 12 dias, sendo que quando há estresse e baixa fertilidade, esse valor se aproxima mais dos 5 dias. Já as cultivares de ciclo entre 6.3 a 6.8 o período que a soja tolera a matocompetição foi de 10 a 18 dias, se aproximando mais dos 10 dias quando ocorre estresse e baixa fertilidade.
Dessa forma pode-se concluir que atualmente a matocompetição inicia mais cedo, principalmente com os novos patameres a serem alcançados, devido a isso, Fernando ressalta que entre 10 e 12 dias o controle já deve ser realizado. Em relação às plantas de buva, que necessitam de uma queda de temperatura e luz para emergir, pode-se perceber que houve uma alteração nos fluxos de emergência ao longo das safras, conforme pose-se verificar na figura abaixo.

Já no caso do capim-amargoso, os fluxos dependem mais da disponibilidade de água e umidade no solo.
4. Seleção dos herbicidas: no que se refere à escolha dos herbicidas, o pesquisador enfatiza a importância de se rotacionar mecanismos de ação para não perdermos a eficiência dos herbicidas presentes no mercado.
Os principais herbicidas para o controle de buva estão destacados na tabela abaixo, sendo que os de mesma coloração pertencem ao mesmo mecanismo de ação.

5. Planejamento e execução da aplicação: essa é a última etapa do processo e também a mais importante pois trata da tomada de decisão. Neste momento, alguns fatores podem influenciar, como por exemplo:
- Características físico-químicas do produto;
- Características da planta daninha;
- Condição da soja no momento da aplicação;
- Características da aplicação.
- Para essa safra, como em muitas regiões a soja já foi prejudicada desde a implantação, Fernando Adegas ressalta que o manejo em pós-emergência é de extrema importância e deve ser levado em consideração, já que o manejo antes da semeadura não foi tão eficiente em muitas regiões.
Veja a palestra completa do pesquisador Fernando Adegas abaixo.
Fonte: Embrapa Soja – Canal Radar Da Tecnologia – Youtube
Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.