O manejo de plantas daninhas é essencial para evitar perdas tanto em produtividade quanto em qualidade nos cultivos agrícolas. Dentre as diversas estratégias disponíveis, o controle químico destaca-se como uma alternativa eficiente e, o uso de herbicidas pré-emergentes surge como uma estratégia fundamental no manejo de resistência de plantas daninhas.
De acordo com o Comitê de Ação à Resistência a Herbicidas (2024), uma das mais importantes vantagens do uso de herbicidas pré-emergentes é a redução da ocorrência de plantas daninhas na fase inicial de desenvolvimento da cultura, evitando a competição entre plantas e, consequentemente, evitando possíveis reduções de rendimento da produção. Considerando que os herbicidas apresentam diferentes períodos residuais no solo, é importante conhecer o produto escolhido para auxiliar na redução da infestação de plantas daninhas ao longo do ciclo de desenvolvimento da cultura de interesse.
Além disso, é fundamental identificar as espécies invasoras presentes na área de cultivo para o controle em pré-emergência, pois isso influencia diretamente na seleção do herbicida mais adequado a ser utilizado. A eficácia de herbicidas em pré-emergência depende de uma série de fatores, tais como a umidade no momento da aplicação, a ocorrência de chuva após a aplicação, a temperatura, o tipo de solo e as espécies daninhas a serem controladas.
A resistência de plantas daninhas aos herbicidas, de acordo com Rizzardi, representa hoje a principal preocupação e desafio no que diz respeito as plantas daninhas, devido as perdas de produtividade das culturas e ao aumento nos custos associados ao seu controle. A ocorrência e evolução da resistência, estão relacionadas ao processo de seleção de biotipos resistentes, já presentes na população, os quais se manifestam após a repetição de práticas de controle, como a aplicação contínua de um herbicida com o mesmo mecanismo de ação.
Figura 1. Representação do processo de seleção do biotipo resistente (bola vermelha).

Nunes (2021) destaca a importância do controle de plantas resistentes, como por exemplo, o caruru, durante a fase de pré-emergência, visando reduzir a necessidade de aplicações de herbicidas em pós-emergência. Essa estratégia contribui para reduzir o fluxo de emergência das plantas daninhas ao longo do desenvolvimento da cultura, resultando em uma redução significativa do número total de aplicações em pós-emergência e proporcionando condições mais favoráveis para o controle eficiente.
A utilização de herbicidas com diferentes mecanismos de ação na fase de pré-emergência é uma estratégia nos sistemas de produção de grãos, oferecendo uma alternativa viável para enfrentar com os desafios relacionados à resistência das plantas daninhas (Adegas, 2019).
Os herbicidas pré-emergentes, atuam diretamente no banco de sementes do solo, inibindo e/ou impedindo a germinação das sementes presentes. Essa intervenção, possibilita o controle de espécies resistentes a herbicidas pós-emergentes, antes da germinação e estabelecimento dessas plantas daninhas, reduzindo o risco de falhas de controle na pós-emergência e possibilitando maior uniformidade dos fluxos de emergência de plantas daninhas, além de possibilitar maior assertividade do ponto de controle na pós-emergência.
A redução da germinação de espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas e a maior uniformidade dos fluxos de emergência das plantas remanescentes, permite reduzir a incidência de plantas daninhas e populações resistentes, reduzindo consequentemente o número de indivíduos resistentes. Dessa forma, os herbicidas pré-emergentes contribuem para o manejo da resistência de plantas daninhas a herbicidas, impedindo que genótipos resistentes germinem e se reproduzam dando origem a novos indivíduos resistentes, sendo portanto, uma importante ferramenta de manejo não só para o manejo da resistência de plantas daninhas a herbicidas, como também para a manutenção da funcionalidade dos herbicidas pós-emergentes.
Veja mais: Intervalo entre aplicação de herbicidas e semeadura da cultura
Referências:
ADEGAS, F. UTILIZAÇÃO DE HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES NA PRODULÇAO DE GRÃOS. Soja Radar da Tecnologia, Embrapa, 2019. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=84XEteUigfc&t=14s >, acesso em: 16/02/2024.
HRAC-BR. VANTAGENS DO USO DE HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, HRAC-BR, 2024. Disponível em: < https://www.hrac-br.org/post/vantagens-do-uso-de-herbicidas-pr%C3%A9-emergentes >, acesso em: 16/02/2024.
NUNES, A. L. IMPORTÂNCIA DOS HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES NO CONTROLE DO CARURU RESISTENTE. Professores Alfredo & Leandro Albrecht, Supra Pesquisas, 2021. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=oEKq1Z82olk >, acesso em: 16/02/2024.
RIZZARDI, M. A. RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS: TOLERÂNCIA E RESISTÊNCIA. Up Herbologia, Academia das Plantas Daninhas. Disponível em: < https://upherb.com.br/int/resistencia-de-plantas-daninhas-aos-herbicidas >, acesso em: 16/02/2024.
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