O pulgão é um inseto sugador e se alimenta das partes mais novas da planta, permanecendo geralmente dentro do cartucho, o que dificulta sua visualização e controle. Pode ser encontrado inicialmente em reboleiras e depois disperso na área.
Figura 1. Presença da praga nas folhas do milho.
Os pulgões podem ser alados (com asas) ou ápteros (sem asas). A forma alada ocorre quando a incidência da praga é tão alta que faltam alimentos e os insetos originam asas para a dispersão em busca de hospedeiros.
A espécie se reproduz sem o macho (partenogênese), por isso a velocidade de reprodução é muito rápida. Em condições de estiagem, a população aumenta ligeiramente, ocasionando ataques no pendão e nas gemas florais (Embrapa Trigo, 2006). Chuva e ventos são desfavoráveis ao desenvolvimento da praga. A presença do inseto está relacionada com os desequilíbrios biológicos, principalmente devido ao uso irracional dos inseticidas (Fundação MS).
DANOS
Em temperaturas altas e baixas precipitações, a população é favorecida e se reproduz rapidamente devido à baixa capacidade da planta de suportar o ataque e a maior concentração de fotoassimilados (Fundação MS). Os maiores danos ocorrem na fase vegetativa, com perdas de até 60% da produção (Embrapa Trigo, 2006).
Figura 2. Taxa de plantas de milho atacadas pelo pulgão Rhopalosiphum maidis.

As perdas de produtividade estão relacionadas com o estágio de desenvolvimento da cultura (Al Eryan & El Tabbakh, 2004):
- V10 até o pendoamento: 8% de perdas com uma média de infestação de 818 pulgões por planta;
- R2-R4: 16% de perdas com uma média de 1038 pulgões por planta.
Os sintomas observados são:
- Morte das plantas;
- Folhas amarelas, murchas e retorcidas;
- Perfilhamento de espigas;
- Espigas atrofiadas;
- Espigas com granação deficiente;
- Desenvolvimento de fumagina;
- Agente transmissor de viroses.
Figura 3. Danos por granação deficiente.

Em condições de estiagem, ocorre acúmulo de “honeydew”, que favorece o desenvolvimento de fumagina. É depositada nos estigmas (cabelos do milho), se aglutinando e dificultando a entrada dos grãos de pólen, impedindo sua dispersão.
Quando o fungo se desenvolve durante o pendoamento, ocorre falhas na polinização e fecundação das espigas com consequente prejuízo na formação de grãos (Fundação MS).
O mosaico comum do milho é uma doença devastadora na cultura e ocorre a partir da transmissão de viroses. Os sintomas ocorrem no limbo foliar, com mesclas de manchas verde claro e verde escuro. As plantas com a presença da doença são baixas e possuem espigas e grãos pequenos (Tobias et al., 2017).
Figura 4. Mosaico comum do milho.

As plantas de milho estão sujeitas a infestação em todo o seu ciclo. Entretanto, quando o ataque ocorre no pendão os danos são suficientes para acarretar em falhas na polinização e no aparecimento de espigas estéreis ou incompletas.
As plantas hospedeiras desta praga são: milho (Zea mays), sorgo (Sorghum vulgare), cevada (Hordeum vulgare), aveia (Avena sativa), milheto (Pennisetum americanum) e triticale (Secale cereale). Além de plantas daninhas como capim-marmelada (Brachiaria plantaginea), capim-colchão (Digitaria horizontalis) e capim-pé-de-galinha (Eleusine indica).
MONITORAMENTO
Desde V4 até o início da fase reprodutiva. Deve ser feito a cada 10 hectares, examinando 100 plantas, dividindo-as em 5 grupos. (Embrapa Trigo, 2006). Observar as plantas na região do cartucho. O nível de infestação para CADA PLANTA é classificado como segue na Tabela 1 abaixo:
Tabela 1. Classes de infestações.

No caso de milho safrinha, o monitoramento deve ser constante, pois como está mais sujeito a estiagem prolongada, a incidência da praga é favorecida.
NÍVEL DE CONTROLE
Realiza-se quando 50% das plantas amostradas estiverem classificadas no nível 2 (tabela 1) e as plantas estiverem sofrendo com estresse hídrico (Embrapa Trigo, 2006).
- CONTROLE NATURAL
A população de pulgões é regulada através dos seus inimigos naturais, como adultos e larvas de coccinelídeos (joaninhas), neurópteros (crisopídeos) e parasitoides (vespinhas). Esses insetos transformam os pulgões em “múmias” e mantém a população sob controle.
Figura 5. Controle natural de pulgões.

CONTROLE CULTURAL
- Evitar escalonamento de plantio: a fim de evitar a dispersão da praga das lavouras mais velhas para as mais novas;
- Eliminar plantas hospedeiras.
CONTROLE QUÍMICO
Agrofit (2020), possui registro de 18 produtos para controle de pulgão-do-milho. Entre os grupos químicos disponíveis, estão: neonicotinoide, organofosforado, piretroide, feniltioureia, metilcarbamato de oxima e metilcarbamato de benzofuranila.
Figura 6. Produtos registrados para controle.

Aplicações em pleno florescimento podem causar fitotoxidez e falhas de polinização (Sementes Agroceres). O controle químico geralmente não é realizado, pois o biológico, muitas vezes, basta para a redução da população do inseto.
Em condições de alta infestação, recomenda-se inseticidas seletivos (Lima, 2018), pois apenas nessa situação poderá ocasionar danos econômicos, especialmente no pré-florescimento (Cruz et al., 2002).
- HÍBRIDOS COM GRAU DE RESISTÊNCIA
Boer (2017), relatou em seus estudos que os híbridos BM8850, AS1625PRO e DKB310PRO foram suscetíveis a R. maidis e P30F53H, STATUS VIP, BM9288, DAS2B587HX, DKB175PRO, AS1633PRO e DKB390PRO2 foram resistentes ao pulgão. Relata ainda, que a adubação silicatada, induz a resistência em plantas de milho a R. maidis.
- TRATAMENTO DE SEMENTES
Tobias et al. (2017), relataram que o controle com TS não reduz a incidência da praga, tanto em infestações precoces (V2) quanto tardias (V8).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O clima seco e com baixa umidade relativa do ar, podem facilitar o aumento populacional do pulgão nas lavouras.
Por se tratar de uma praga que é controlada naturalmente por outros insetos, não se exige controle químico, somente quando houver altas infestações.
O controle natural com parasitoides, joaninhas e bicho-lixeiro já são suficientes para reduzir a população. Portanto, o melhor manejo para pulgão-do-milho é manter os inimigos naturais, utilizando produtos seletivos.
Em áreas de alta incidência e com histórico da praga, os controles culturais juntamente com práticas do Manejo Integrado de Pragas (MIP) devem ser trabalhados, como o plantio escalonado do milho, eliminação de plantas hospedeiras e o monitoramento desde a fase vegetativa, pois a constatação precoce da praga evita altas infestações.
Veja também: Milho – Cigarrinhas e Enfezamentos
REFERÊNCIAS
AGROFIT. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Disponível em: <http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons>. Acesso em: 07.04.2020
AL ERYAN, M.A.S; EL TABBAKH, S.S. Forecasting yield of corn, Zea mays infested with corn leaf aphid, Rhopalosiphum maidis. Journal of Applied Entomology, v. 128, n. 4, p. 312-315, 2004.
BOER, Carlo Adriano. Resistência constitutiva e induzida por silício em híbridos de milho a Rhopalosiphum maidis (Fitch., 1856)(Hemiptera: Aphididae). 2017.
CRUZ, Ivan; VIANA, Paulo Afonso; WAQUIL, José Magid. Cultivo do milho: pragas da fase vegetativa e reprodutiva. Embrapa Milho e Sorgo-Comunicado Técnico (INFOTECA-E), 2002.
Embrapa Trigo. Pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis). 2006
FUNDAÇÃO MS. Pragas do Milho. Tecnologia e Produção: Soja e Milho 2011/2012
LIMA, Yudi Mune de Oliveira et al. Atividade de inseticidas em tratamento de sementes sobre o manejo da cigarrinha dalbulus maidis (delong & wolcott)(hemiptera: cicadellidae) e do pulgão rhopalosiphum maidis (fitch, 1856)(hemiptera: aphididae) em milho. 2018
PITTA, R. M.; DUARTE, A. P.; BOIÇA JUNIOR, A. L.; YUKI, V. A. Dinâmica populacional de afídeos em cultivares de milho safrinha e influência sobre seus parasitoides. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, v. 6, n. 2, p.131-139, 2007.
SEMENTES AGROCERES. MANEJO DE VIROSES TRANSMITIDAS POR PULGÕES NA CULTURA DO MILHO. INFORMATIVO SEMENTES AGROCERES
TOBIAS et al. Incidência do pulgão-do-milho em resposta ao tratamento de sementes com inseticidas químicos. XII Jornada Acadêmica da Embrapa Soja, 2017
Redação: Equipe Mais Soja.