Além da umidade do solo, a temperatura é fator decisivo para a germinação e emergência do milho. Lavouras semeadas em condições inadequadas de temperatura podem resultar em atraso no estabelecimento de plantas ou até mesmo desuniformidade do estande de plantas.
Tendo em vista a tecnologia empregada nas sementes e o custo desse insumo, o atraso na germinação pode aumentar a vulnerabilidade das sementes ao ataque de pragas e patógenos, aumentando a responsabilidade do tratamento de sementes, que normalmente não apresenta elevado efeito residual.
Nas regiões Sul e Nordeste, a temperatura representa o fator mais limitante, durante o período de germinação do milho, as temperaturas ideais do solo para a germinação da cultura estariam entre 25 e 30 ºC, sendo que temperaturas do solo inferiores a 10 ºC ou superiores a 40 ºC ocasionam prejuízo sensível à germinação (Embrapa).
Conforme destacado por Sans (2009), a temperatura do solo exerce influência direta no crescimento de raízes e/ou o metabolismo delas, modificando a produção dos promotores de crescimento da parte aérea. Além disso, baixas temperaturas do solo podem inclusive alterar o metabolismo de bactérias utilizadas na inoculação do milho, prejudicando a interação com a planta e a atividade desses microrganismos.
Conforme destacado por Tiago Hörbe, Pesquisador da CCGL, resultados de pesquisa da CCGL evidenciam que sob condições de diferentes temperaturas do solo, há variabilidade quanto ao tempo de germinação do milho, podendo influenciar no “arranque” da cultura. Sob condições de baixa temperatura do solo, Hörbe destaca que os resultados de ensaios conduzidos pela CCGL demonstram baixa performance no estabelecimento do milho, variando entre 45 e 92%. Já sob condições adequadas de temperatura do solo e ambiental, todos os híbridos avaliados nos ensaios apresentaram estabelecimento superior a 90% em um período até 10 dias inferior ao estabelecimento sob condições de baixas temperaturas.
Isso destaca a importante contribuição da temperatura do solo e ambiente no estabelecimento da cultura do milho, sendo necessário planejamento para a definição do momento de semeadura e escolha do híbrido. Conforme observado por Cruz et al. (2007), existe variabilidade entre genótipos de milho quanto a sensibilidade das sementes abaixa temperatura do solo, sendo que alguns genótipos apresentem melhores respostar germinativas nessas condições. Dessa forma, além da definição do momento de semeadura, a escolha do híbrido é de fundamental importância para um bom estabelecimento da lavoura.
Veja mais: Influência da temperatura sobre a germinação de sementes de milho
Confira o vídeo abaixo com as dicas do pesquisador da CCGL, Tiago Hörbe.
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Referências:
CRUZ, H. L. et al. AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE MILHO PARA SEMEADURA PRECOCE SOB INFLUÊNCIA DE BAIXA TEMPERATURA. Revista Brasileira de Sementes, vol. 20, nº 1, p.52-60, 2007. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbs/a/GZSYbPRK8KGtnsQT8GXbsWS/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 17/08/2021.
EMBRAPA. CULTIVO DO MILHO. Sistema de Produção Embrapa. Disponível em: < https://www.spo.cnptia.embrapa.br/conteudo?p_p_id=conteudoportlet_WAR_sistemasdeproducaolf6_1ga1ceportlet&p_p_lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=2&p_r_p_-76293187_sistemaProducaoId=3821&p_r_p_-996514994_topicoId=3718 >, acesso em: 17/08/2021.
SANS, L. M. A. INFLUÊNCIA DOS ATRIBUTOS CLIMÁTICOS NA IMPLANTAÇÃO DO MILHO E SORGO EM SAFRINHA. X Seminário Nacional Milho Safrinha, Rio Verde, GO, 2009. Disponível em: < http://www.abms.org.br/eventos_anteriores/milhosafrinha2009/palestras/palestra06.pdf >, acesso em: 17/08/2021.