A semeadura do trigo representa uma das etapas mais determinantes para a definição do potencial produtivo da cultura. Fatores como densidade e profundidade de semeadura influenciam diretamente o estabelecimento da lavoura, a uniformidade do estande, a formação dos componentes de rendimento e, consequentemente, a produtividade final. Embora a densidade de semeadura possa variar conforme a região de cultivo, a cultivar utilizada e as recomendações técnicas, estudos demonstram uma relação positiva entre o número de plantas estabelecidas por metro quadrado e a quantidade de espigas por área, componente essencial para a determinação do rendimento de grãos do trigo (Figura 1).

Figura 1. Médias do número de espigas por unidade de área (espigas m-2) de três genótipos de trigo, por local (Londrina e Ponta Grossa, PR, 2009 e 2010).
Fonte: Tavares et al. (2014)

No entanto, não necessariamente o aumento substancial da densidade de semeadura resulte obrigatoriamente no aumento da produtividade do trigo. De acordo com as recomendações técnicas para trigo e triticale, para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Caterina, a densidade de semeadura indicada é de 250 sementes viáveis/m² para cultivares semitardias e tardias, e de 250 sementes viáveis/m2 a 330 sementes viáveis/m2 para cultivares médias e precoces. Já para o Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, as densidades variam de 60 a 80 sementes por metro de linha de semeadura, ou de 200 sementes viáveis/m2 a 400 sementes viáveis/m2, em função do ciclo, porte das cultivares e, algumas vezes, dos tipos de clima e solo, enquanto para Minas Gerais, Goiás, Bahia, Mato Grosso e Distrito Federal, a densidade indicada para trigo de sequeiro é de 350 sementes viáveis/m2 a 450 sementes viáveis/m2 (Almeida, 2024). Essas recomendações podem variar de acordo com as características de clima, solo e propósito do cultivo, devendo-se sempre seguir as orientações estabelecidas para a cultivar escolhida e região de cultivo.

Outro ponto importante relacionado a plantabilidade do trigo é a profundidade de semeadura. Do ponto de vista técnico, o ideal é que a profundidade de semeadura do trigo varie entre 2 cm e 5 cm (Almeida, 2024). Embora os efeitos da profundidade de semeadura inadequada sejam observados principalmente no estabelecimento da lavoura, em alguns casos, alguns componentes de rendimento também podem ser influenciados por essa variável.

Conforme observado por Pimentel et al. (2018), o aumento da profundidade de semeadura do trigo reduz a emergência e retarda a velocidade de emergência das plântulas, comprometendo a uniformidade de estabelecimento da lavoura e o estande final de plantas (Figura 2). Entretanto, independentemente da profundidade avaliada, os autores verificaram que sementes com maior nível de vigor apresentaram melhor desempenho, com maior capacidade de emergência e maior velocidade de estabelecimento. Esse comportamento está associado à maior eficiência fisiológica das sementes vigorosas, contribuindo para a formação de uma lavoura mais uniforme e com maior potencial produtivo.

O vigor das sementes está relacionado a uma série de processos citológicos, fisiológicos e moleculares que determinam a capacidade de desempenho da semente durante a germinação e o estabelecimento inicial das plântulas. Sementes de maior vigor, quando comparadas às de menor vigor, apresentam melhor desempenho principalmente sob condições ambientais desfavoráveis, devido à maior eficiência na mobilização, metabolização e utilização das reservas armazenadas, favorecendo a emergência rápida e uniforme e o desenvolvimento inicial das plantas (Pimentel et al., 2018).

Figura 2. Emergência em campo (E) e índice de velocidade de emergência (IVE) de sementes de trigo de diferentes níveis de vigor (alto, médio e baixo) submetidas a diferentes profundidades de semeadura.
(Nível significância de *5% e NS não significativo)
Fonte: Pimentel et al. (2018)

Logo, a densidade e a profundidade de semeadura, associadas à qualidade fisiológica das sementes, especialmente germinação e vigor, são fatores determinantes para o estabelecimento adequado da cultura do trigo e para a expressão do potencial produtivo. Dessa forma, uma boa plantabilidade, caracterizada pela distribuição uniforme e posicionamento adequado das sementes no solo, constitui uma etapa fundamental para a obtenção de elevadas produtividades.

Referências:

ALMEIDA, J. L. INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA TRIGO E TRITICALE: SAFRAS 2924 & 2025. Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, 2024. Disponível em: < https://static.conferenceplay.com.br/conteudo/arquivo/infotecnitrigotriticalesafras20242025livrodigitalfinal-1721832775.pdf >, acesso em: 16/06/2026.

PIMENTAL, J. R. et al. DESENVOLVIMENTO INICIAL E COMPONENTES DO RENDIMENTO EM RESPOSTA À ASSOCIAÇÃO ENTRE NÍVEL DE VIGOR E PROFUNDIDADEDE SEMEADURA NA CULTURA DO TRIGO. Revista Brasileira de Tecnologia Agropecuária, 2018. Disponível em: < https://revistas.fw.uri.br/rbdta/article/view/2778/2667 >, acesso em: 16/06/2026.

TAVARES, L. C. V. et al. GENÓTIPOS DE TRIGO EM DIFERENTES DENSIDADES DE SEMEADURA. Pesq. Agropec. Trop., 2014. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1004789/1/genotiposdetrigo…2014.PDF >, acesso em: 16/06/2026.

 

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