A cotação do trigo, em Chicago, para o primeiro mês, fechou a quinta-feira (30) em US$ 6,63/bushel, contra US$ 6,96 uma semana antes. Essa baixa do trigo igualmente influenciou o recuo da soja
Dito isso, no dia 26/07 a colheita do trigo de inverno, nos EUA, atingia a 81% da área semeada, contra 79% na média histórica. Já o trigo de primavera apresentava apenas 2% de área colhida, ficando a mesma dentro da média. As condições das lavouras deste trigo, no mesmo dia, eram de 15% entre ruins a muito ruins, 32% regulares e 53% entre boas a muito boas.
Já na Rússia, os preços de exportação se estabilizaram na medida em que as altas taxas dos fretes reduziram a demanda. Soma-se a isso o fato de que a demanda mundial recuou devido a uma possível flexibilização nas dificuldades de navegação no Mar Negro devido a guerra entre Rússia e Ucrânia. Com isso, o preço do trigo russo da nova safra, com teor de proteína de 12,5%, para entrega FOB na segunda quinzena de agosto, estava em US$ 235,00/tonelada no final da semana passada (cf. Ikar). Já a Sovecon estimou os preços da semana passada, para o trigo da nova safra da Rússia, com 12,5% de proteína, entre US$ 235,00 e US$ 237,00/tonelada.
E no Brasil, o clima ruim no sul do país, com excesso de chuvas e granizo, começa a pesar sobre o mercado pois a possibilidade de uma safra nacional ainda menor do que o já previsto caminha para uma realidade. Este quadro está mais presente no Rio Grande do Sul, enquanto as chuvas têm beneficiado boa parte das lavouras do Paraná.
Assim, enquanto a média gaúcha, na semana, ficou em R$ 69,80/saco, no Paraná o produto de qualidade superior subiu para R$ 75,00 junto às principais praças locais. Pelo sim ou pelo não, o fato é que teremos uma safra muito reduzida neste ano, na comparação com os últimos anos. Desta forma, as importações se tornam ainda mais importantes, fato que exige muita atenção em torno do mercado externo. Nesse contexto, entra o câmbio, o custo da logística, a disponibilidade do cereal internacional etc.
Neste final de julho, os contratos firmados para importação de trigo pelo Brasil atingiam a um total, no acumulado do ano 2025/26, de 4,52 milhões de toneladas, considerando embarques entre setembro/25 e agosto/26. Mesmo assim, o volume está abaixo do registrado no ano passado, nesta época, que foi de 5,84 milhões de toneladas. Os principais estados importadores, até o momento, são: Ceará, com 1,04 milhão de toneladas (23% do total), consolidando-se como principal porta de entrada do trigo importado. Na sequência aparecem São Paulo, com 20,9%, Pernambuco, com 13,2%, e Bahia, 11,3% do total. Esses quatro destinos concentram a maior parte do volume programado, reforçando a importância do eixo Nordeste–Sudeste na logística de abastecimento externo. Em termos mensais, o mês de maior compra de trigo estrangeiro, neste ano comercial, foi dezembro/25 com 610.000 toneladas.
As principais origens do trigo importado, entre setembro/25 e julho/26, foram: Argentina,
com 3,56 milhões de toneladas (78,7% do total considerado). O Uruguai aparece na sequência, com 6,5%, seguido pela Rússia, com 3,7%, Turquia, com 1,9%, Canadá, com 1,4% e EUA, com 0,4% do total. Cabe destacar que o trigo desembarcado nos portos não necessariamente é consumido nos estados de chegada, sendo comum a redistribuição interestadual conforme a demanda dos moinhos. Além disso, o trigo importado do Paraguai, via transporte terrestre, que segundo dados oficiais, somava cerca de 630.000 toneladas até junho, não está incluído nos dados anteriormente citados, “o que significa que o volume total efetivamente disponível ao mercado é superior ao observado nos dados marítimos” (cf. Secex).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).



