A semeadura de trigo evoluiu pouco no período em razão da elevada umidade do solo, alcançando em média 87% da área prevista no Estado. A implantação se encontra próxima da conclusão na maior parte das regiões e deverá ser concluída, assim que as condições de solo permitirem. A atividade deve se estender por mais tempo nas áreas de maior altitude, onde o zoneamento de semeadura indica plantios até o final de julho.
As lavouras apresentam estabelecimento e estandes adequados e desenvolvimento compatível com a época de cultivo. Predominam os estádios de desenvolvimento vegetativo
inicial e perfilhamento, e as áreas implantadas mais precocemente iniciaram o alongamento
do colmo.
As temperaturas baixas e as geadas de fraca intensidade favoreceram o perfilhamento, sem causar danos expressivos. Porém, a elevada nebulosidade e a reduzida disponibilidade de radiação solar limitaram temporariamente o crescimento vegetativo. Nas regiões de maior incidência pluviométrica, houve encharcamento, perdas localizadas de solo e necessidade pontual de replantio em áreas com drenagem deficiente. O excesso de umidade, além de dificultar a evolução da semeadura, restringiu a execução de operações de manejo, especialmente das aplicações de herbicidas e de fertilizantes nitrogenados em cobertura. A elevada umidade do dossel também aumentou o potencial de incidência de doenças foliares, intensificando o monitoramento fitossanitário das lavouras. A área projetada pela Emater/RS-Ascar para Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média de 2.701 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o plantio está próximo da conclusão na Fronteira Oeste. Em São Borja, 90% dos 18.000 hectares previstos foram implantados; aproximadamente 30% das lavouras semeadas no início da janela do ZARC se encontram em fase de alongamento do colmo. As geadas, registradas no período, não provocaram danos relevantes. Em São Gabriel, as precipitações intensas e localizadas ocasionaram necessidade de replantio em áreas de relevo plano e drenagem naturalmente lenta. Na Campanha, os produtores de Aceguá ainda não iniciaram a semeadura em razão do excesso de umidade do solo. Em Caçapava do Sul, a operação foi concluída.
Na de Caxias do Sul, a semeadura ficou praticamente estagnada durante o período, uma vez que o excesso de precipitações manteve elevada a umidade do solo, impedindo o avanço das operações de implantação nas áreas aptas ao cultivo.
Na de Ijuí, a semeadura atingiu 95% da área projetada, avançando apenas em municípios próximos a Cruz Alta, onde as condições de menor umidade permitiram a realização dos trabalhos. Nos demais municípios, a conclusão depende da melhoria das condições de trafegabilidade do solo. A baixa luminosidade reduziu o ritmo de crescimento das plantas, sem comprometer seu desenvolvimento. Após as precipitações, a umidade do solo favoreceu a realização da adubação nitrogenada em cobertura nas lavouras em início de perfilhamento.
Na de Passo Fundo, foi concluído o plantio, e os cultivos se encontram entre os estágios de germinação e desenvolvimento vegetativo. A baixa insolação retardou temporariamente o crescimento das plantas, embora as demais condições ambientais estejam favoráveis ao desenvolvimento da cultura.
Na de Pelotas, a semeadura alcança aproximadamente 70%, devendo ser concluída até a primeira quinzena de julho, conforme o calendário regional de implantação. Na de Santa Maria, o plantio alcança 85%. Em Tupanciretã, principal município produtor regional, os 10.900 hectares projetados foram implantados. As condições meteorológicas restringiram as aplicações de herbicidas para controle de plantas indesejáveis. Na de Santa Rosa, 91% da área foi plantada. Na Região das Missões, o avanço está inferior ao observado no mesmo período da safra anterior, que era de 94% em 2025, atingindo 86%.
O atraso se concentra nas áreas de baixada, onde o excesso de umidade dificultou a implantação. As lavouras apresentam bom estabelecimento e estandes satisfatórios. Foram observadas perdas localizadas de solo após as chuvas. Parte dos produtores ainda avalia as dosagens de adubação nitrogenada em cobertura devido ao elevado custo dos fertilizantes e à possibilidade de ocorrência de precipitações durante a floração, fator que poderá limitar o potencial produtivo e a qualidade dos grãos, gerando desperdício de recursos.
Na de Soledade, a semeadura não evoluiu em decorrência das precipitações, e a área plantada chegou a 90% da prevista. As lavouras apresentam excelente estabelecimento, estandes uniformes e desenvolvimento vegetativo inicial satisfatório e estão distribuídas entre as fases de germinação e emergência (15%) e desenvolvimento vegetativo inicial (85%).
A elevada umidade relativa do ar favoreceu a incidência de manchas foliares, exigindo monitoramento fitossanitário constante. O excesso de umidade dificultou o acesso às lavouras, mas não há atraso significativo na realização dos tratos culturais. Nas áreas de maior altitude, a semeadura ainda pode ser realizada até o final de julho.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RSAscar no Estado, reduziu 0,11%, passando de R$ 69,67 para R$ 69,59.
Fonte: Emater/RS




