O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul permaneceu marcado pela baixa liquidez em junho, com os preços registrando apenas pequenas oscilações. O Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, pagamento à vista) oscilou dentro de uma faixa estreita, entre R$ 58,98/sc e R$ 60,23/sc de 50 kg. O comportamento refletiu o equilíbrio entre a oferta restrita de matéria-prima e a demanda ainda cautelosa por parte das indústrias.

Ao longo do mês, muitos orizicultores permaneceram afastados das negociações, considerando os preços ofertados insuficientes para remunerar adequadamente a atividade. Além da rentabilidade comprometida, a redução das despesas imediatas com as lavouras, típica do período de menor intensidade das atividades no campo, diminuiu a necessidade de capitalização, permitindo que parte dos produtores retivesse estoques na expectativa de preços mais elevados.

Assim, a maior parte dos negócios envolveu apenas volumes pontuais, normalmente motivados por necessidades específicas de caixa. Pelo lado da demanda, as beneficiadoras seguiram enfrentando dificuldades para repassar reajustes ao mercado atacadista e varejista, limitando a disposição de pagamento pela matéria-prima durante boa parte do mês. Ainda assim, o fortalecimento gradual da demanda internacional passou a exercer maior influência sobre o mercado doméstico.

O avanço das exportações, aliado à maior competitividade do arroz brasileiro no exterior, elevou o interesse por lotes destinados ao mercado externo e levou algumas indústrias a aumentarem suas ofertas para recompor estoques e competir pelo arroz em casca. Mesmo assim, os reajustes permaneceram insuficientes para estimular uma comercialização mais intensa, uma vez que os produtores continuaram avaliando os preços como incompatíveis com a atual estrutura de custos da atividade.

Em junho, os preços permaneceram insuficientes para recompor a rentabilidade da cultura. Segundo estimativas da equipe de custos agrícolas do Cepea, considerando a compra de todos os insumos e a venda do cereal em maio de 2026, produtores de Uruguaiana (RS) necessitariam colher aproximadamente 291 sacas por hectare para cobrir os custos totais de produção, enquanto, em Camaquã (RS), seriam necessárias cerca de 260 sacas por hectare. Esses volumes permanecem significativamente superiores às produtividades médias consideradas nos cálculos, de 182,11 sc/ha e 175,20 sc/ha, respectivamente. Esse cenário reforça a preocupação com o elevado endividamento do setor e ajuda a explicar a resistência de muitos produtores em ampliar a oferta.

A média do Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi de R$ 59,49/sc de 50 kg em junho, baixa de 2,51% frente à de maio. Entretanto, no acumulado de junho (de 29 de maio a 30 de junho), houve alta de 1,28%. Considerando-se as médias das microrregiões que compõem o Indicador, foram registradas baixas de 1,72% na Fronteira Oeste e de 1,77% na Planície Costeira Interna, com respectivas médias de R$ 60,26/sc e R$ 60,95/sc de 50 kg. Na Zona Sul, na Campanha e na Depressão Central, as reduções foram de 2,09%, 2,85% e 5,83% respectivamente, a R$ 61,17/sc, R$ 58,28/sc e R$ 55,23. A média na Planície Costeira Externa fechou a R$ 59,41 em junho.

Em relação aos demais rendimentos acompanhados pelo Cepea, a média de preços do produto com 59% a 62% de grãos inteiros caiu 1,96% entre maio e junho, a R$ 59,91/sc de 50 kg. Para os grãos com 63% a 65% de inteiros, a baixa foi de 2%, a R$ 60,78/sc. Quanto ao produto de 50% a 57% de grãos inteiros, a redução foi de 3,25% no mesmo comparativo, a R$ 57,15/sc.

Fonte: Cepea


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FONTE

Autor:Cepea

Site: Agromensais Cepea

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