A cultura de trigo apresenta desenvolvimento dentro da normalidade, embora a baixa luminosidade e as chuvas frequentes tenham limitado o ritmo de crescimento e a execução
de operações de manejo nas diferentes regiões produtoras. O estádio fenológico predominante é o desenvolvimento vegetativo (61%), e as parcelas mais adiantadas se encontram em floração (28%), enchimento de grãos (10%) e em maturação (1%).

Nas áreas em floração, a combinação de elevada umidade relativa, nebulosidade e precipitações aumentou o risco de incidência de doenças da espiga, especialmente giberela, o que exigiu o monitoramento de uma possível infecção floral. Também foram observados sintomas de doenças foliares e oídio, sobretudo em cultivos com maior disponibilidade de nitrogênio. O excesso de umidade do solo tem restringido a entrada de máquinas, retardando as aplicações de nitrogênio e produtos fitossanitários.

As geadas de intensidade variável, registradas no período, ainda não permitem o dimensionamento consolidado de eventuais danos, considerando a predominância de áreas em estádios vegetativos. Apesar das restrições impostas pelo ambiente, as condições das lavouras estão em geral satisfatórias, com potencial produtivo ainda preservado.

A área projetada pela Emater/RS-Ascar para Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média de 2.701 kg/ha Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as condições de umidade têm apresentado comportamento distinto entre as localidades. Na Fronteira Oeste, em São Borja, o desenvolvimento e a sanidade dos cultivos estão bons, e as áreas dividem-se em espigamento (30%), em emborrachamento (50%) e em alongamento dos colmos (20%).

Na Campanha, o excesso de umidade tem dificultado a realização de adubações nitrogenadas e de aplicações de herbicidas nas áreas de implantação mais tardia. Em Caçapava do Sul, as primeiras lavouras implantadas ingressaram na fase de floração e apresentam pequena diminuição de potencial produtivo em decorrência das condições climáticas. Até o momento, não há danos expressivos decorrentes das geadas nas lavouras. Na de Caxias do Sul, a redução das precipitações e o aumento da luminosidade favoreceram a evolução das lavouras. Nos Campos de Cima da Serra, as temperaturas negativas e as geadas expressivas coincidiram com a fase de perfilhamento, estádio em que as baixas temperaturas podem favorecer a emissão de perfilhos. Prosseguem as operações de adubação nitrogenada em cobertura, o controle de plantas invasoras e o monitoramento fitossanitário.

Na de Frederico Westphalen, 32% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 54% em florescimento e 14% em enchimento de grãos. Os produtores se concentram no manejo fitossanitário, especialmente com fungicidas, pois a elevada umidade do solo continua restringindo algumas operações mecanizadas.

Na de Ijuí, a baixa luminosidade prejudicou o desenvolvimento das plantas, que apresentaram coloração pálida, amarelecimento no terço inferior, maior estatura, colmos finos e folhas estreitas. Há incidência de oídio em lavouras com maior disponibilidade de nitrogênio. Devido ao atraso das operações fitossanitárias, os tratamentos foram efetuados
nos períodos de maior insolação. Geadas de média intensidade foram registradas no final do período, mas ainda não foi possível mensurar os danos.

Na de Passo Fundo, estão 20% em afilhamento, 65% em emborrachamento e 15% em espigamento. Os produtores têm programado as operações de controle fitossanitário conforme as condições ambientais.

Na de Pelotas, 88% das áreas estão em desenvolvimento vegetativo, e 12% em início de florescimento. A ocorrência de mais de 200 mm de chuva em parte da região nas três últimas semanas de agosto, associada à predominância de dias nublados e de baixa radiação solar direta, tem atrasado o desenvolvimento das plantas.

Na de Santa Maria, aproximadamente 50% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 43% em floração e 5% em enchimento de grãos. Na de Santa Rosa, 52% dos cultivos estão em desenvolvimento vegetativo, 36% em floração, 11% em enchimento de grãos e 1% em maturação. A umidade adequada e as temperaturas amenas favoreceram o crescimento vegetativo. Porém, a elevada proporção de áreas em antese aumenta o risco de incidência da doença giberela. As áreas em enchimento de grãos e em maturação apresentam perspectiva produtiva satisfatória.

Na de Soledade, o excesso de umidade continua restringindo o acesso de máquinas e a realização dos tratos culturais. As condições ambientais ainda favorecem a incidência de doenças fúngicas, e há registros de sintomas de manchas foliares e ferrugens. Os produtores estão realizando os manejos principalmente de prevenção de giberela, considerando a necessidade de proteção para infecção floral. Estão 10% dos cultivos em perfilhamento, 60% em elongação do colmo e 30% em espigamento/florescimento. Apesar do excesso hídrico, o quadro geral da cultura segue dentro da normalidade.

Comercialização (saca de 60 quilos)

O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 0,23%, passando de R$ 69,65 para R$ 69,81 com PH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, está em R$ 81,00/sc. para produto disponível.

Fonte: Emater/RS


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FONTE

Autor:Emater/RS

Site: Informativo Conjuntural 1934

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