O primeiro mês cotado, em Chicago, igualmente viu sua cotação disparar durante esta semana. O bushel do cereal fechou a US$ 5,10 na quinta-feira (27), contra US$ 4,78 uma semana atrás, após US$ 5,14 na véspera (sendo esta a mais alta cotação desde o dia 28 de julho de 2023, ou seja, há mais de três anos).
Dentre os principais motivos estão os problemas climáticos e a deterioração na qualidade das lavouras estadunidenses. Tanto é verdade que o percentual de lavouras entre boas a excelentes caiu para 57%, contra 60% na semana anterior e 71% no ano anterior na mesma época. Já o desenvolvimento das lavouras também está rápido, atingindo 86% das mesmas em enchimento de grãos, contra 76% na semana anterior e 82% na média. Ou seja, a colheita poderá se dar mais cedo do que o normal, porém, a qualidade da mesma tende a ser menor, assim como, talvez, o volume esperado.
Nesse sentido, o Crop Tour Pro Farmer indicou uma produção estadunidense em apenas 389,7 milhões de toneladas, contra a estimativa do USDA (relatório de 12/08) em 406,8 milhões de toneladas. A produtividade média ficaria em 10.871 quilos/ha. No ano anterior a produção estadunidense alcançou 432,3 milhões de toneladas, com uma produtividade média de 11.706 quilos/ha. Ou seja, a produção sofrerá um recuo de 4,2% e a produtividade um recuo de 7,1%.
Por outro lado, os embarques de milho na semana encerra em 20/08 somaram 1,3 milhão de toneladas, ficando abaixo da expectativa do mercado. Com isso, o total exportado no atual ano comercial atinge a 82,3 milhões de toneladas, superando em 26% o total exportado no mesmo período do ano anterior.
Já na Argentina, a expectativa é de um plantio de 8,4 milhões de hectares em 2026/27, ou seja, sem grandes alterações em relação ao ano anterior. A área projetada permanece acima da média das últimas cinco safras (cf. Bolsa de Rosário).
E no Brasil, os preços melhoraram neste final de agosto. As principais praças gaúchas subiram para R$ 59,00/saco, enquanto nas demais regiões do país os valores oscilaram entre R$ 46,00 e R$ 66,00/saco, enquanto nos principais portos tem-se valor CIF em R$ 71,00/saco.
Dito isso, a colheita da safrinha chegou a 84,4% da área total no país, contra 87,5% na média (cf. PátriaAgroNegócios), enquanto apenas no Centro-Sul brasileiro esta colheita atingia a 92% no dia 20/08, contra 98% um ano atrás. Já a safra de verão, no CentroSul brasileiro chegava a 2% da área esperada, contra 3,2% um ano atrás (cf. AgRural).
Enfim, a Anec reduziu sua previsão de exportação de milho para agosto, fixando a mesma em 5,45 milhões de toneladas, volume que fica 1,9 milhão abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior. Em tal contexto, segundo a Secex, a média de embarques diários nos primeiros 15 dias úteis no Brasil ficou 29,8% abaixo da média de todo o mês de agosto do ano passado. O preço médio da tonelada exportada subiu 9,6%, saindo dos US$ 197,90 de 2025 para US$ 217,00 no acumulado de agosto de 2026.
Fonte: CEEMA UNIJUI
Autor: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum – Professor Titular do PPGDR da UNIJUI, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França,
coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (PPGDR/FIDENE/UNIJUI).



