Setembro foi marcado pela continuidade da recuperação dos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. A oferta mais restrita sustentou as cotações, com produtores resistentes a ampliar as vendas, enquanto a intensidade da demanda variou ao longo do mês. Em determinados períodos, a concorrência entre indústrias domésticas, compradores de outros estados e agentes voltados à exportação intensificou a disputa pela matéria-prima.
A necessidade de recomposição dos estoques de algumas empresas também contribuiu para manter a procura aquecida. Nas primeiras semanas de setembro, produtores mais capitalizados permaneceram retraídos, enquanto vendedores com necessidade de caixa estiveram mais ativos. Do lado comprador, a demanda variou ao longo do período, mas ganhou força com a maior atuação de indústrias de outros estados e, principalmente, de agentes voltados à exportação.
Negócios chegaram a trabalhar com referências de R$ 90/sc de 50 kg posto Porto de Rio Grande, ampliando a concorrência pela matéria-prima. A baixa disponibilidade de arroz com rendimento inferior a 57% de grãos inteiros também levou compradores externos a buscar lotes com 58%, aumentando a disputa com a indústria doméstica.
Na segunda metade do mês, porém, a demanda externa perdeu intensidade e parte dos compradores reduziu a atuação. Ainda assim, indústrias com necessidade de recompor estoques permaneceram ativas, mantendo as cotações sustentadas. Na reta final de setembro, o mercado ficou mais heterogêneo, com oscilações nos preços, enquanto o excesso de chuvas, sobretudo na região central do estado, passou a dificultar tanto os negócios quanto os trabalhos de implantação da nova safra.
Preços regionais – No último mês, a média do Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi de R$ 80,70/sc de 50 kg, alta de 8,7% frente à de agosto. No acumulado de setembro, entre 31 de agosto e 30 de setembro, o avanço foi de 6,04%. Considerando-se as médias das microrregiões que compõem o Indicador, houve aumento de 7,35% na Campanha, a R$ 78,43/sc de 50 kg. Na Fronteira Oeste e na Zona Sul, as elevações foram de 7,51% e 9,25%, respectivamente, a R$ 80,39/sc e R$ 82,50/sc. Na Planície Costeira Externa, Depressão Central e Planície Costeira Interna, as altas foram ainda mais expressivas, de 9,27%, 9,29% e 10,36%, a R$ 80,62/sc, R$ 76,76/sc e R$ 84,04/sc, respectivamente.
Em relação aos demais rendimentos acompanhados pelo Cepea, a média de preços do produto com 63% a 65% de grãos inteiros subiu 8,16% entre agosto e setembro, a R$ 82,62/sc de 50 kg. Para os grãos com 59% a 62% de inteiros, o aumento foi de 8,34%, a R$ 81,94/sc. Quanto ao produto de 50% a 57% de grãos inteiros, a elevação foi ainda mais intensa, de 10,03%, para R$ 79,29/sc.
Arroz beneficiado e indústria – Os preços do arroz beneficiado também avançaram em setembro. Segundo o IRGA, a média mensal foi de R$ 128,80/sc de 30 kg, alta de 1,9% frente a agosto e de 3,74% em relação a setembro de 2025.
Já os dados mais recentes da Produção Industrial Física do IBGE apontam redução da atividade em agosto. O índice de beneficiamento de arroz e de fabricação de produtos do arroz ficou em 89,33 pontos, queda de 6,12% frente a julho, mas ainda 0,4% acima do registrado em agosto de 2025. Preços internacionais – No mercado internacional, os preços também avançaram em setembro, sobretudo para o arroz Indica. Segundo a FAO, o índice agregado de preços do arroz (FARPI) alcançou média de 110,5 pontos, alta de 1,4% frente a agosto e de 9,5% em relação a setembro de 2025. O índice específico do Indica avançou 2,6% no mês, para 115 pontos, atingindo o maior nível em 20 meses e completando a sexta alta mensal consecutiva.
Nos demais segmentos acompanhados pela FAO, os preços recuaram entre 0,5% e 2%, principalmente diante da menor demanda. Nas Américas, a menor safra em colheita nos Estados Unidos e as perspectivas de novos cortes de produção entre países concorrentes do Mercosul contribuíram para sustentar as cotações do Indica.
Entre as referências do Mercosul para o arroz com 5% de quebrados, os preços médios chegaram a US$ 572,20/t no Brasil, US$ 564,90/t no Uruguai e US$ 477,50/t na Argentina. Frente a agosto, as altas foram de 5,61%, 4,36% e 4,95%, respectivamente.
Safra 2026/27 – A semeadura da safra 2026/27 avançou no Rio Grande do Sul durante setembro. Segundo a Conab, entre 18 e 25 do mês, a parcela semeada passou de 10% para 18% da área prevista, percentual superior aos 2% registrados no mesmo período de 2025 e à média dos últimos cinco anos, de 6,1%.
Entre os seis estados acompanhados pela Companhia, que representam 88% da área cultivada com arroz no País, a semeadura chegou a 15,5% até 25 de setembro. Em Santa Catarina, os trabalhos alcançaram 27% da área, enquanto, no Maranhão, permaneceram em 6,5%. No Rio Grande do Sul, contudo, o excesso de chuvas passou a limitar os trabalhos no encerramento do mês, sobretudo na região central. As precipitações elevaram o nível do Rio Jacuí e dificultaram o avanço das atividades em algumas áreas.
Fonte: Agromensais Cepea




