Embora seja considerada uma praga secundária na cultura da soja, a lagarta Helicoverpa armigera pode causar prejuízos significativos à lavoura. Por ser polífaga, a praga consegue se alimentar de diferentes espécies vegetais, o que favorece sua sobrevivência e persistência em áreas agrícolas. Essas lagartas consomem folhas e caules, mas apresentam preferência por estruturas reprodutivas, como brotos, inflorescências, frutos e vagens (Dias et al., 2015).

Figura 1. Lagarta Helicoverpa armígera.
Foto: Araújo (2014).

A elevada capacidade adaptativa e a alta prolificidade da praga, associadas à ampla gama de hospedeiros, permitem que a lagarta cause danos à cultura da soja em diferentes estádios de desenvolvimento, desde o estabelecimento da lavoura até o enchimento de grãos. Os prejuízos decorrentes do ataque podem incluir a redução expressiva da área foliar, a diminuição do estande de plantas durante a fase inicial de desenvolvimento e o consumo direto dos grãos em formação. Essas injúrias podem comprometer tanto o rendimento da cultura quanto a qualidade das sementes produzidas.

Figura 2. Danos causados pela lagarta Helicoverpa armígera na cultura da soja.

Associados ao elevado potencial destrutivo da praga, a alta prolificidade e o curto ciclo de desenvolvimento da Helicoverpa armigera favorecem o rápido crescimento populacional, intensificando o risco de danos à cultura da soja. Estima-se que o ciclo de ovo a adulto varie de 25 a 45 dias, enquanto as fêmeas podem depositar até 1.000 ovos ao longo da fase adulta. Para o monitoramento da praga, também é importante considerar que a fase de pupa ocorre no solo, onde os indivíduos permanecem abrigados (IRAC, 2026)

Figura 3. Ciclo de vida da lagarta Helicoverpa armigera.
Fonte: IRAC (2026)

Embora os níveis de ação recomendados para o controle da lagarta Helicoverpa armigera na cultura da soja sejam de 4 lagartas por metro linear ou 30% de desfolha durante o período vegetativo e de 2 lagartas por metro linear ou 15% de desfolha durante o período reprodutivo, perdas expressivas de produtividade podem ocorrer mesmo sob densidades populacionais inferiores. Conforme demonstrado por Pessoa et al. (2019), o dano causado por uma única lagarta pequena de Helicoverpa armigera durante o período vegetativo pode resultar em uma perda de até 2,01 sacas por hectare, equivalente a 2,16% da produtividade média.

Diante desse potencial de dano, o monitoramento frequente e a tomada de decisão baseada nas condições da lavoura são fundamentais para evitar perdas produtivas. A depender da intensidade do ataque e das condições observadas em campo, pode ser necessário intervir antes que a população atinja o nível de ação estabelecido. Para o monitoramento de H. armigera e de outras espécies da subfamília Heliothinae, recomenda-se, além do pano de batida, vistoriar os ponteiros, as flores e as vagens em um metro de linha, permitindo identificar a presença da praga e sua distribuição na lavoura (Roggia et al., 2020).



Referências:

DIAS, B. F. et al. DESEMPENHO DE Helicoverpa armigera EM GENÓTIPOS DE SOJA COM DIFERENTES PERFIS DE METABÓLITOS SECUNDÁRIOS. VII Congresso Brasileiro de Soja, 2015. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1019034/1/R.81DESEMPENHODEHelicoverpaarmigeraEMGENOTIPOSDESOJACOM.PDF >, acesso em: 13/10/2026.

IRAC. DO OVO AO ADULTO: CONHEÇA O CICLO DE Helicoverpa armigera. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas Brasil, 2026. Disponível em: < https://www.irac-br.org/single-post/do-ovo-ao-adulto-conheca-o-ciclo-de-helicoverpa-armigera?utm_campaign=afc874c7-0771-44d8-bc57-6fc6124122e2&utm_source=so&utm_medium=mail&cid=14a5097b-2130-4036-bbbb-999450b17d1b >, acesso em: 13/10/2026.

PESSOA, M. C. P. Y.; ÁVILA, C. J.; MARINHO-PRADO, J. S.; LUCHINI, G. A.; SOUZA, E. C. S.; RICHETTI, A.; FLUMIGNAN, D. L. NÍVEL DE DANO DE Helicoverpa armígera EM FASE VEGETATIVA DE SOJA (SAFRA 2016/2017) EM PONTA PORÃ. Embrapa Meio Ambiente, Jaguariúna – SP, 2019. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1113824/1/DanoHelicoverpaPessoaBP852019.pdf >, acesso em: 13/10/2026.

ROGGIA, S. et al. MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS. Embrapa Soja, Sistemas de Produção, n. 17, Tecnologias de Produção de Soja, cap. 9, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 13/10/2026.

 

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