Dentre os insumos necessários para a produção agrícola a água é um dos principais, sendo indispensáveis para processos metabólicos e fisiológicos da planta, além do déficit hídrico segundo VIVAN et. Al, (2013) ser o principal agente limitador da produtividade de uma cultura.

Mas qual a necessidade hídrica da minha lavoura e em quais estádios do desenvolvimento a planta é mais sensível?

Para conhecer a necessidade hídrica de uma cultura, é necessário conhecer sua evapotranspiração. A evapotranspiração nada mais é do que a quantidade de água transpirada pela planta e evaporada pelo solo em milímetros. De modo geral, a evapotranspiração das culturas pode ser calculada pela multiplicação da evapotranspiração de referência (ETo) com o coeficiente de cultura (Kc), coeficientes este que varia de acordo com a fase do desenvolvimento da cultura.

Equação 1: Determinação da evapotranspiração das culturas pelo método do Kc Simples

ETc = Eto. Kc

A grande maioria dos coeficientes de cultura estão apresentados por ALLEN et. al, (1998) no livro: Crop evapotranspiration. Guidelines for computing crop water requirements, FAO irrigation and drainage paper 56.  Para a cultura da soja, FARIAS et. al, (2007) determinaram o requerimento hídrico da cultura durante todo seu ciclo de desenvolvimento, contudo, este varia com base em condições climáticas, de manejo e duração do ciclo da cultura, mas de modo geral fica entre 450 a 800mm/ciclo; a fase de maior demanda hídrica da cultura coincide com o florescimento e enchimento de grãos, chegando a evapotranspirar de 7 a 8 mm/dia-1 (figura 2).

Figura 1. Evapotranspiração diária (ET) da soja em distintos estádios do seu desenvolvimento fisiológico.

Adaptado de Berlatoet al. (1986).

Veja também: Uso da água na cultura da soja


Conforme há o fechamento das entrelinhas, a evaporação da água do solo é diminui em consequência do sombreamento, contudo com o aumento da área foliar da planta, sua transpiração aumenta e com isso sua necessidade hídrica (aumento dos valores de Kc), voltando a diminuir no final do desenvolvimento da cultura.  Note o comportamento dos coeficientes de cultura apresentados na figura 2.

Figura 2. Representação esquemática da variação dos coeficientes de cultura simples durante o desenvolvimento de uma planta.

Adaptado: ALLEN et. al, (1998).

Mas qual a importância de determinar a evapotranspiração da minha lavoura?

Conhecendo os valores de evapotranspiração da lavoura, é possível determinar algumas prática de manejo que auxiliam na diminuição de estresses hídricos e consequentemente sua interferência na produtividade da cultura. Quando se trabalha com irrigação, conhecer os valores de evapotranspiração auxiliam na determinação da lâmina de irrigação, fornecendo a quantidade certa de água para a planta nos períodos de maior exigência e consequentemente economizando água, energia e diminuindo os custos com irrigação nos períodos iniciais do desenvolvimento da cultura onde a evapotranspiração é baixa.

Quando não se dispõem de irrigação, conhecer a necessidade hídrica da cultura auxilia no planejamento da lavoura, antecipando ou adiando a semeadura, ou na escolha de cultivares com diferentes ciclos de desenvolvimento para que o período de maior exigência hídrica da cultura não coincidam com os períodos me menor disponibilidade hídrica na região de cultivo. Estudos de zoneamento climático para as cultura agrícolas auxiliam na tomada de decisão para práticas de semeadura e implantação das lavouras e devem ser utilizados como ferramenta.

Na soja, qual o impacto de um déficit hídrico?

Avaliando os efeitos do déficit hídrico em alguns componentes de produtividade da soja, GAVA et. al, (2015), encontrou resultados que demonstram a redução da produtividade da cultura quando aplicados déficits hídricos no período da floração (R1 a R5) e no período total de desenvolvimento da cultura, não havendo diferença significativa entre ambos os períodos, ambos impactando negativamente a produtividade da soja.

Os resultados encontrados pelos autores demonstram abortamento de 29,2 % de flores para o déficit de 50% para os estádios de floração da soja e 22,4% de abortamento para o mesmo déficit no período total de desenvolvimento da cultura. Também foram observados diminuição do diâmetro de grãos nos tratamento com déficit, além de diminuição no peso de 100 grãos e 45,22% de redução da produtividade quando comparados aos tratamentos sem déficit.

Sendo assim, a disponibilidade hídrica é fundamental para se alcançar boas produtividades, e o período mais sensível a falta de água para a cultura da soja é o florescimento e enchimento de grãos, impactando diretamente na produtividade da cultura.


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Referências:

ALLEN, R. G et al. Crop evapotranspiration. Guidelines for computing crop water requirements, FAO irrigation and drainage paper 56. Rome, Italy: FAO, 300 p. 1998. Disponível em: http://www.fao.org/tempref/SD/Reserved/Agromet/PET/FAO_Irrigation_Drainage_Paper_56.pdf , acesso em 16/03/2020.

Berlato, M.A.; Matzenauer, R.; Bergamaschi, H. Evapotranspiração máxima da soja e relações com a evapotranspiração calculada pela equação de Penman, evaporação do tanque “Classe A” e radiação solar. Agronomia Sulriograndense, Porto Alegre, v.22, n.2, p.243-259, 1986

Embrapa Soja, 2007. 8 p. (Embrapa Soja. Circular técnica, 48).

FARIAS, J. R. B.; NEPOMUCENO, A. L.; NEUMAIER, N. Ecofisiologia da soja. Londrina:

GAVA, et. al,. ESTRESSE HÍDRICO EM DIFERENTES FASES DA CULTURA DA SOJA. Revista Brasileira de Agricultura Irrigada. v.9, n.6, p. 349-359, 2015.

VIVAN, et. al,. RENDIMENTO RELATIVO DA CULTURA DA SOJA, Irriga, Botucatu, v. 18, n. 2, p. 282-292, abril-junho, 2013.

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