As cotações do milho igualmente recuaram nesta semana, com o bushel do cereal, para o primeiro mês cotado, fechando o dia 1º de agosto em US$ 3,92. Um tal valor só encontra posição mais baixa em 20/05 passado. A média de julho ficou em US$ 4,27,
contra US$ 4,34/bushel em junho.

O clima positivo para as lavouras estadunidenses acabou sendo chave para o recuo das cotações na semana. Além disso, o USDA divulgou que, até o dia 28/07, cerca de 58% das lavouras de milho do país estavam entre boas a excelentes condições, 30% regulares e 12% entre ruins a muito ruins. O mercado esperava uma percentagem um pouco menor para as lavouras boas.

Ao mesmo tempo, as exportações semanais foram baixas, atingindo apenas 121.000 toneladas na semana anterior.

De uma forma geral, o mercado espera com ansiedade o relatório de oferta e demanda previsto para o dia 12/08. O mesmo deverá atualizar o quadro de produção nos EUA. Afora isso, o clima continuará sendo chave até o início de setembro. Por enquanto, as projeções são positivas para agosto.

Enfim, a decisão do FED de reduzir em 0,25 pontos percentuais a taxa básica de juros nos EUA (desde 2008 não ocorria uma redução nesta taxa), acabou frustrando o mercado, que esperava um corte maior. Mesmo assim, juro menor nos EUA tende a tornar o dólar mais forte, tirando competitividade das exportações locais.

Na Argentina e no Paraguai a tonelada FOB de milho fechou a semana valendo US$ 162,00 e US$ 125,00 respectivamente.

E no Brasil o preço do cereal se manteve estável, com viés de alta, sendo que o balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 32,20/saco. Nos lotes, os valores oscilaram entre R$ 37,00 e R$ 39,00/saco. Nas demais praças nacionais os lotes giraram entre R$ 24,00/saco em Sorriso e Campo Novo do Parecis (MT) e R$ 38,50/saco em Videira, Concórdia e Campos Novos (SC).



O mercado, diante da pressão de colheita da safrinha, ainda não apresenta preocupações com a oferta. Neste momento, os silos estão cheios no Mato Grosso e Goiás, devendo haver pressão de venda deste produto no mercado paulista logo mais. Ou então a exportação avança ainda mais para dar conta da oferta existente.

Por enquanto, há muito produto retido internamente, com os produtores esperando preços melhores para negociarem seu produto, inclusive na exportação. Na região de Campinas consumidores apontando valores entre R$ 36,00 e R$ 37,00/saco no CIF para compra.

Vale destacar igualmente que a Argentina está atuando forte no mercado exportador de milho, com preços mais baixos do que o Brasil, fato que trava as vendas externas nacionais no momento. Dito isso, a paridade de exportação continua sendo um elemento central na formação do preço do milho brasileiro. O país precisa negociar 3,5 milhões de toneladas mensais, entre setembro e janeiro, para atingir as 34 milhões de toneladas exportadas no atual ano comercial. (cf. Safras & Mercado)

Para tanto, o câmbio é um elemento decisivo. A volta do real a R$ 3,80 durante a corrente semana deu algum alento ao lado exportador, porém, muita coisa irá depender do segundo turno da votação da Reforma da Previdência, prevista para estes primeiros dias de agosto. Além disso, a redução da Selic nesta semana pode ajudar igualmente a manter um Real mais desvalorizado.

A colheita da safrinha nacional atingia a 74% da área até o dia 26/07, contra 51% em igual momento no ano passado.


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CEEMA

Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA - Unijui

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