O Paraná passa por um período de estiagem severa. A falta de chuvas deve alterar o andamento da agricultura no estado. De acordo com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático – publicado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) – o plantio de soja poderia ser feito a partir do dia 11 de setembro. No entanto, como o solo não tem umidade suficiente, os extensionistas do IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná-Iapar-Emater) estão orientando os produtores a adiar o início do plantio.

Segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), houve registro de chuvas nos dias 07, 08 e 09 de outubro, na região Leste do Estado. Apesar do enfraquecimento das áreas de instabilidade o tempo segue incerto até o final desta semana, ou seja, os acumulados de chuva na Região Metropolitana de Curitiba ainda vão aumentar. Por outro lado, na faixa norte ainda não choveu, por isso o calor continuará significativo com registros de mais de 35°C em vários municípios.

Essa falta de chuva nas cidades do Norte, Noroeste e Oeste do Paraná ainda exigem paciência por parte dos produtores, pois o solo ainda não está encharcado o suficiente para que o plantio de soja seja realizado.

Para Edivan Possamai, engenheiro agrônomo e coordenador do Programa Grãos Sustentáveis do IDR-Paraná, os agricultores devem aguardar a chegada das chuvas para iniciar a nova safra. “É preciso haver condições de umidade no solo para se fazer o plantio e ter um bom estabelecimento da cultura. Plantar no pó, com solo seco, é arriscado. O produtor corre o risco de ser obrigado a refazer o plantio na sequência, elevando os custos de produção”, afirmou.

Possamai informou que no ano passado as chuvas também demoraram para chegar ao Paraná. Porém, o clima se normalizou em meados de outubro e foi possível fazer o plantio. “Não é só o plantio de soja que deve atrasar. Essa estiagem também pode comprometer a safrinha. Apenas em alguns locais da região Sul ocorreram algumas chuvas que permitiram o inicio da semeadura”, explicou Possamai.

Conforme o agrônomo, este ano o clima está sob a influência do fenômeno La Niña, quando as chuvas caem em menor volume. Possamai lembra que em períodos de estiagem fica evidente a importância de o produtor fazer um bom trabalho de manejo do solo. Ele acrescentou que nessas horas a adoção de práticas como a manutenção de uma boa palhada sobre a terra e a rotação de culturas fazem diferença. “Com essas práticas é possível armazenar a água no solo quando ocorrem as chuvas. Assim a água se infiltra na terra e fica disponível para as lavouras quando necessário”, concluiu Possamai.

De acordo com o Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento, até o dia 5 deste mês apenas 8% da área de soja do estado tinham sido plantados, contra 22% na mesma época no ano passado.  Isto pode prejudicar o plantio de milho para aqueles produtores que escolhem plantar o grão após a colheita da soja, que, normalmente acontece até março.

Com a chance de atraso na colheita da soja, o milho poderá ser plantado mais tarde, podendo chegar até abril, aumentando as chances de as lavouras serem atingidas por geadas ou períodos secos, com a proximidade do inverno no próximo ano.

Os servidores do IDR-Paraná de todo o estado estão aptos a prestar orientação aos produtores sobre qual o melhor momento para o plantio de soja e, também, sobre o manejo de solo e água nas áreas de lavoura.

Fonte: IDR – Paraná

Texto originalmente publicado em:
Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná - IAPAR/Emater
Autor: IDR - Paraná

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