Objetivou-se avaliar o  desenvolvimento vegetativo de soja através da aplicação de ácido húmico associado ou não a inoculação de Azospirillum brasilense no município de Alta Floresta – MT.

Autores: Samiele Camargo de Oliveira Domingues¹; Ellen Clarissa Pereira da Cunha²; Luana Souza Silva³; Eslaine Camicheli Lopes4; Sabrina Cassia Fernandes5; Lara Caroline Alves de Oliveira6; Marco Antonio Camillo de Carvalho

Introdução

O cultivo da soja (Glycine max) é a atividade agrícola de maior destaque no mercado mundial, por ser o quarto grão mais consumido no mundo, e ser a oleaginosa mais cultivada. Para o cultivo não é necessário realizar adubação nitrogenada, pois parte do N exigido pela cultura pode ser fornecida às plantas por bactérias, que serve como alternativas de redução no consumo de fertilizantes nitrogenados (PANDOLFO et al., 2015). De acordo com Sahariana e Nehra (2011) rizobactérias são promotoras do crescimento de plantas (PGPR) que colonizam de forma agressiva as raízes das plantas, melhorando o crescimento através de vários efeitos como aumento da germinação, stand, vigor da planta, altura da planta, aumento de peso, teor de nutrientes, floração precoce, teor de clorofila, e aumento da nodulação em leguminosas. Quanto ao ácido húmico são substâncias de coloração escura, compostas por macromoléculas de massa molecular relativamente elevada, formadas por meio de reações de síntese secundárias a partir de resíduos orgânicos de plantas, animais e micro-organismos (PRIMO et al., 2011). Deste modo, objetivou-se avaliar o desenvolvimento vegetativo de soja através da aplicação de ácido húmico associado ou não a inoculação de Azospirillum brasilense no município de Alta Floresta – MT.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido em março de 2019, no Laboratório de Tecnologia de Sementes e Matologia (LaSeM) da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). Foi utilizado o delineamento inteiramente casualizado em esquema fatorial 6 x 2, correspondendo a seis concentrações de ácido húmico (18%) (0, 100, 200, 300, 400 e 500 ml para 100 kg de sementes) associada ou não a inoculação com A. brasilense, o produto comercial utilizado foi Nitro Geo AZ® (100 ml para 25 Kg de sementes). As unidades foram experimentais foram compostas por rolos de papel germitest, sendo dispostas 50 sementes em cada repetição, com 4 repetições cada tratamento.

As Após receberem os respectivos tratamentos, as sementes da cultivar MS8338 RR foram distribuídas em folhas de papel germitest, previamente umedecidas com água destilada na proporção de 2,5 vezes o seu peso. Os rolos foram colocados em sacos plásticos e levadas para câmara de germinação em temperatura de 25°C. As variáveis analisadas foram: comprimento da parte aérea, comprimento radicular, massa seca da parte aérea e massa seca de radícula. Os resultados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e as médias do fator quantitativo (inoculante), comparadas pelo teste de F a 5% de probabilidade e para o quantitativo (doses de ácido húmico) foi realizado o estudo de regressão polinomial, com uso do software Sisvar® (FERREIRA, 2011).

Resultados e Discussão

Embasando-se nos resultados obtidos para as características morfológicas da soja NS8383 RR, com ou sem inoculação de Azospirillum brasilense, nota-se efeito significativo (p≤0,05) para as variáveis comprimento da parte aérea, comprimento radicular e massa seca de radícula. Entretanto, não houve efeito significativo (p0,05) para massa seca da parte aérea. Em relação as doses crescentes de ácido húmico, houve efeito significativo apenas para variável comprimento de radícula (Tabela 1).

Tabela 1. Valores de F, coeficiente de variação CV (%) e médias de comprimento da parte aérea (CPA), comprimento radicular (CR), massa seca da parte aérea (MSPA), massa seca de radícula (MVR) em função das concentrações de ácido húmico (AH) associado ou não com Azospirillum brasilense (AZ) aplicadas via tratamento de sementes. Alta Floresta (2019).

De acordo com Sahariana e Nehr (2011), bactérias do gênero Azospirillum não têm preferências por plantas cultivadas ou espontâneas e essa associação pode vir a contribuir beneficamente como promotora de crescimento. Tais resultados benéficos não foram observados no presente trabalho. Quanto a interação entre os fatores A. brasilense e ácido húmico, esta ocorreu (p<0,05) para as características comprimento da parte aérea, comprimento radicular e massa seca de radícula (Tabela 2).

Tabela 2. Desdobramento da interação significativa entre concentrações de ácido húmico (AH) associado ou não com Azospirillum brasilense (Az) aplicadas via tratamento de sementes para Comprimento da parte aérea (cm), Comprimento radicular (cm) e Massa seca da radícula (g). Alta Floresta (2017).

Para comprimento de parte aérea houve diferença entre com e sem inoculação apenas para a dose de 400 ml de ácido húmico, onde sem a inoculação e com relação ao comportamento de doses dentro de inoculação não foi observada regressão significativa. Para o comprimento de raiz verificou-se efeito positivo da inoculação para as doses 100, 200 e 300 ml de ácido húmico. Este resultado mostra que a atuação desse microrganismo é positiva para o crescimento radicular da cultura da soja. Para doses dentro de inoculação, houve ajuste linear apenas para sem inoculação, mostrando que ainda haveria respostas a doses maiores que as trabalhadas. Bulegon et al. (2016) em soja obteve resultados promissores com a inoculação A. brasilense, para a cultura da soja.

 

Segundo o mesmo autor, fitormônios como indol-acético (AIA) excretados por Azospirillum desempenham papel essencial na promoção do crescimento de plantas. Ocorreu diferença para a inoculação, com relação a massa seca de radícula, apenas na dose 100 ml de ácido húmico, com melhor resposta para a inoculação. Não ocorreu ajuste, no estudo de regressão, para o comportamento de doses dentro de inoculação para massa seca de radícula (Tabela 2). Cotrim et al. (2016) avaliando plântulas de trigo demostraram benefícios no crescimento da raiz, da parte aérea e matéria seca de parte aérea através do tratamento via semente com ácido húmico em associação do Azospirillum brasilense.

Conclusão

A inoculação com bactérias do gênero Azospirillum brasilense promoveram resultados promissores para o crescimento radicular da cultivar de soja NS 8383 RR, colaborando para o comprimento radicular e a massa seca da radícula.

Agradecimentos

À Universidade do Estado do Mato Grosso (UNEMAT), à CAPES, CNPq e FAPEMAT pela concessão de bolsa dos autores.


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Referências

COTRIM, M. F.; ALVAREZ, R. C. F.; SERON, A. C. C. qualidade fisiológica de sementes de trigo em resposta a aplicação de azospirillum brasilense e ácido húmico. Revista Brasileira de Engenharia de Biossistemas, 10:349-357, 2016.

FERREIRA, D.F. Sisvar: A computer statistical analysis system. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, 35:1039-1042, 2011.

PANDOLFO, Carla Maria et al. Desempenho de milho inoculado com Azospirillum brasiliense
associado a doses de nitrogênio em cobertura. Agropecuária Catarinense, 27;94-99, 2015.

PRIMO, D. C.; MENEZES, R. C.; SILVA, T. O. Substâncias húmicas da matéria orgânica do solo: uma revisão de técnicas analíticas e estudos no nordeste brasileiro. Scientia plena, 7: 13, 2011.

SAHARAN, B. S.; NEHRA, V. Plant growth promoting rhizobacteria: a critical review. Life Sciences and Medicine Research, 21:30, 2011.

Informações dos autores

1,6Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Agroecossitemas Amazônicos, da Universidade do Estado de Mato Grosso, Alta Flores/MT. E-mail: samieledomingues@gmail.com;

2,3,4,5Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade do Estado de Mato Grosso, Alta Flores/MT E-mail: ellenclarissam12@gmail.com;

7Professor do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Agroecossitemas Amazônicos, da Universidade do Estado de Mato Grosso, Alta Flores/MT. E-mail: marcocarvalho@unemat.br.

Disponível em: Anais do II Congresso Online para Aumento de Produtividade do Milho e Soja (COMSOJA), Santa Maria, 2019.

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