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Bacillus associado a fungicidas químicos contribui para o controle de doenças em soja?

Durante o ciclo da soja, uma série de doenças podem acometer a cultura, nos diferentes estádios do desenvolvimento da planta, afetando não só a produtividade, como a qualidade dos grãos e/ou sementes produzidas. Dentre essas doenças, destacam-se a ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi), o complexo de doenças de final de ciclo (DFCs) como o crestamento de Cercospora (Cercospora spp.) e mancha-parda (Septoria glycines), a mancha-alvo (Corynespora cassiicola) e o oídio (Erysiphe diffusa) (Meyer et al., 2023).

Embora o manejo químico com o emprego de fungicidas seja o método mais utilizado para o controle dessas doenças em soja, estratégias alternativas como o emprego de fungicidas biológicos tem ganhado participação nos programas fitossanitários da cultura, como ferramentas complementares de controle.

Atualmente, o mercado de produtos biológicos voltados à agricultura tem crescente participação no agronegócio brasileiro, sendo que, em 2022, 61 produtos foram registrados junto ao MAPA (Figura 1). No mercado brasileiro, 142 produtos à base de Bacillus spp. (B. amyloliquefaciens, B. pumilus, B. subtilis e B. velezensis), Clonostachys rosea, Trichoderma spp. (T. afroharzianum, T. asperellum, T. harzianum, T. koningiopsis, T. reeseiT. stromaticum e T. viride) são registrados como biofungicidas (Bettiol & Medeiros, 2023).

Figura 1. Produtos biológicos com registro junto ao MAPA.

Apud. CropLife Brasil (2024)

Considerando que a grande maioria dos biofungicidas são à base de bactérias do gênero Bacillus, essas bactérias são naturalmente as mais utilizadas para o controle de doenças em soja. Sobretudo, ainda não chegamos ao ponto de conseguir utilizar apenas fungicidas biológicos no manejo e controle de doenças em soja, sendo que, resultados de pesquisas demonstram que esses fungicidas devem ser empregados de forma complementar ao uso de fungicidas químicos no manejo de doenças.

Analisando a eficiência de fungicidas biológicos, associados a fungicidas químicos no controle de doenças em soja, Meyer et al. (2023) observaram que para a primeira época de semeadura avaliada (com prevalência de crestamento de Cercospora (Cercospora spp.), ferrugem-asiática e mancha-alvo) o emprego de produtos biológicos associados ao controle químico superou o controle inteiramente químico dessas doenças em até 18%.

Foram mantidos um tratamento como testemunha absoluta (T1), sem controle fungicida, um tratamento apenas com as aplicações de fungicidas químicos dos programas (T2), que serviu de padrão de comparação nas avaliações de controle entre os tratamentos e, um tratamento com as aplicações de fungicidas químicos dos programas acrescido de uma aplicação de difenoconazol (75 g/ha) (Prisma Plus® 0,3 L p.c./ha) em estádio V4 (T3) (Meyer et al., 2023).



Com relação ao manejo da ferrugem-asiática, o tratamento contendo B. subtilis + programa de controle químico (T4) superou em controle o tratamento contendo somente com o programa de controle químico (T2), Todos os demais tratamentos foram semelhantes ao T2 e T4 (Tabela 1). Embora a associação dos produtos biológicos tenha contribuído significativamente para o controle de DFCs, ferrugem-asiática e mancha alvo, superando inclusive o controle puramente químico, vale destacar que não houve efeito de adição na produtividade, em qualquer um dos produtos biológicos no programa de fungicidas proposto, e também na adição do tratamento químico em V4. Sobretudo, os resultados demonstram uma importante contribuição da associação dos produtos biológicos à base de Bacillus e da aplicação de fungicidas em V4 na redução da severidade das DFCs, da ferrugem e da mancha-alvo em soja.

Tabela 1. Severidade de doenças de final de ciclo (DFC), ferrugem-asiática (Ferrugem), mancha-alvo (M. Alvo) e respectivos percentuais de controle (C) em relação ao tratamento T2, produtividade (Prod.) e percentual de redução de produtividade (RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade, para os diferentes tratamentos, nos experimentos da primeira época de semeadura. Média de seis locais para severidade de DFC, quatro locais para ferrugem-asiática, cinco locais para mancha-alvo e 12 locais para produtividade. Safra 2022/2023.

1CQ: tratamentos que receberam o programa de fungicidas composto por: por picoxistrobina (60 g/ha) & benzovindiflupir (30 g/ha) + adjuvante (0,2 L/ha) na primeira aplicação, azoxistrobina (94 g/ ha) & tebuconazol (112 g/ha) & mancozebe (1194 g/ha) + adjuvante (0,25 % v/v) na segunda aplicação e difenoconazol (75 g/ha) & ciproconazol (45 g/ha) + clorotalonil (1080 g/ha) na terceira aplicação; V4: o tratamento T3 recebeu aplicação de difenoconazol (75 g/ha) juntamente com glifosato em estádio V4. Fonte: Meyer et al. (2023)

Na segunda época de semeadura avaliada por Meyer et al. (2023), não foram observados resultados significativos que tenham demonstrado incremento na produtividade ou controle das doenças em função da associação com fungicidas biológicos. Contudo, vale destacar que por se tratar de microrganismos vivos, esses, podem estar condicionados as condições climáticas e ambientais, podendo assim, tais condições favorecerem ou prejudicarem o desempenho desses microrganismos, afetando inclusive a sobrevivência deles. Sobretudo, os resultados obtidos por Meyer et al. (2023) na primeira época de semeadura são promissores, demonstrando que, de forma associada, os fungicidas biológicos à base de Bacillus podem atuar positivamente no controle de doenças em soja, como ferramentas complementares de manejo.

Confira o estudo completo conduzido por Mayer e colaboradores (2023) clicando aqui!

Referências:

BETTIOL, W.; MEDEIROS, F. H. V. ARTIGO: COMOP O BRASIL SE TORNOU O MAIOR PRODUTOR E CONSUMIDOR DE PRODUTOS DE BIOCONTROLE. Embrapa, News, 2023. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/79156418/artigo-como-o-brasil-se-tornou-o-maior-produtor-e-consumidor-de-produtos-de-biocontrole >, acesso em: 16/01/2024.

CROPLIFE BRASIL. PRODUTOS BIOLÓGICOS REGISTRADOS. CropLife Brasil, 2024. Disponível em: < https://croplifebrasil.org/publicacoes/produtos-biologicos-registrados/ >, acesso em: 16/01/2024.

MEYER, M. C. et al. AVALIAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DE FUNGICIDAS QUÍMICOS E BIOLÓGICOS NO CONTROLE DE DOENÇAS FOLIARES DA SOJA, SAFRA 2022/2023: RESULTADOS SUMARIZADOS DA REDE DE EXPERIMENTOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 198, 2023. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/257237/1/Circ-Tec-198-online.pdf >, acesso em: 16/01/2024.

Foto de capa: Maurício Stefanelo – Ceres Consultoria

Equipe Mais Soja
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