O fósforo (P) é um dos macronutrientes mais requeridos pela cultura da soja, sendo considerado um nutriente essencial para o metabolismo da planta. Além de apresentar grande complexidade no solo, apresentando baixíssima mobilidade, sendo considerado até mesmo imóvel em comparação a outros nutrientes. Além disso, caba destacar que grande parte do fósforo presente no solo (cerca de 80%) se encontra na forma orgânica, em formas não assimiláveis pelas plantas.

Embora a adubação de base (na semeadura) possibilite elevar os níveis nutricionais do fósforo no solo, nem sempre a planta consegue absorver todo o fósforo disponível em virtude de sua complexa interação com o Cálcio, alumínio e ferro presentes no solo, sendo necessário que haja a solubilização desse fósforo, e conversão dele a formas inorgânicas assimiláveis pela planta.

Uma das estratégias de manejo que contribuem para o aumento da disponibilidade e absorção de fosforo pela planta é o emprego de bioinsumos, em especial bactérias solubilizadoras de fosfato. Através da liberação de enzimas e ácidos orgânicos como acetato, lático, oxálico, tartárico, succínico e principalmente o ácido glucônico que atuam dissolvendo diretamente o material fosfático e/ou quelando cátions que acompanham o ânion fosfato, essas bactérias solubilizam o fósforo do solo, aumentando a disponibilidade e absorção do nutriente pela planta (Abreu et al., 2016).

Estudos desenvolvidos pela Embrapa demonstram que duas cepas de bactérias (Bacillus subtilis CNPMS B2084 e Bacillus megaterium CNPMS B119), apresentaram significativa contribuição na solubilização de fosfato, apresentando pré-disposição uso com essa finalidade em culturas agrícolas. Oliveira et al. (2020) destacam que em ensaios conduzidos avaliando a viabilidade técnica e econômica dessas cepas de bactérias nas culturas da soja e milho em diferentes regiões produtoras do Brasil (Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), ganhos significativos de produtividade foram observados em função da inoculação das sementes com Bacillus subtilis CNPMS B2084 e Bacillus megaterium CNPMS B119.



Para a cultura do milho, em todos os locais a produção de grãos foi maior nas áreas inoculadas. Considerando todos os locais de avaliados, o ganho médio de produção foi de 8,6% e média de 11,9 sacas/h­a, e o custo médio da aplicação foi 1,7 sc/ha de milho. Para a cultura da soja, em todas as lavouras, a produção foi maior na área inoculada. Considerando todos os locais de avaliação, o ganho médio foi de 6,3% e os ganhos médios foram de 4,3 sacas/ha, com custo médio da aplicação do de 0,7 sc/ha de soja (Oliveira et al., 2020).

Tabela 1. Tabela 1. Ganho médio (%), amplitude do ganho (%), ganho médio (sc/ha), amplitude de ganho (sc/ha), custo por saca (R$/sc) e custo aplicação (sc/ha) do inoculante BiomaPhos® nas culturas do milho e soja em experimentos conduzidos nas safras 2018/2019 e 2019/2020 em diferentes estados do Brasil.

*Número de pontos avaliados em áreas de lavoura comercial de 20 ha **Saca de 60 Kg Fonte: Oliveira et al. (2022)

Para a condução do ensaio, os pesquisadores utilizaram um inoculante contendo as duas cepas das bactérias (BiomaPhos®). Embora com o aumento expressivo dos custos de produção nos últimos dois anos a análise econômica do custo de utilização dessas bactérias possa ter sofrido alterações, conforme apresentado na tabela 1, tecnicamente a Bacillus subtilis CNPMS B2084 e Bacillus megaterium CNPMS B119 demonstram eficiência técnica para contribuir positivamente no aumento da produtividade das culturas da soja e milho.



Figura 1. À esquerda, planta de soja sem tratamento (testemunha), à direita planta de soja inoculada com o inoculante contendo Bacillus subtilis CNPMS B2084 e Bacillus megaterium CNPMS B119 (BiomaPhos®).

Fonte: BiomaPhos® (2022)

Cabe destacar que os efeitos do emprego desses bioinsumos em culturas agrícolas vão além do aumento da produtividade, contribuindo inclusive para a sustentabilidade da cultura por meio do aumento da eficiência do uso de fertilizantes. Além do aumento da disponibilidade do fósforo pela solubilização do fosfato no solo, a maior absorção do nutriente pela planta contribui para o melhor crescimento e estabelecimento da cultura no campo, potencializando inclusive a absorção de água e demais nutrientes do solo em virtude do bom crescimento vegetal.

Logo, quando utilizadas de forma adequada, Bacillus subtilis CNPMS B2084 e Bacillus megaterium CNPMS B119 podem contribuir significativamente para o aumento da produtividade, rentabilidade e sustentabilidade de culturas agrícolas, entretanto, cabe destacar que o uso desses bioinsumos não substitui a adubação da cultura, sendo necessário realizar o aporte de nutrientes em função das condições nutricionais do solo, exportação de nutrientes pela cultura e expectativas de produtividade entre outros fatores..

Referências:

ABREU, C. S. et al. PRODUÇÃO DE ÁCIDOS ORGÂNICOS POR BACTÉRIAS ENDOFÍTICAS DE MILHO SOLUBILIZADORAS DE FOSFATO. XXXI Congresso Nacional de Milho e Sorgo “Milho e Sorgo: Inovações, mercados e segurança alimentar”, 2016. Disponível em: < http://www.abms.org.br/cnms2016_trabalhos/docs/1141.pdf >, acesso em: 20/07/2022.

OLIVEIRA, C. A. et al.  VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA DO BIOMAPHOS® (Bacillus subtilis CNPMS B2084 e Bacillus megaterium CNPMS B119) NAS CULTURAS DE MILHO E SOJA. Embrapa, Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, n. 210, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/217542/1/Bol-210.pdf >, acesso em: 20/07/2022.

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