Competição entre a soja e as plantas daninhas: entenda como acontece e os prejuízos que podem causar!

Hoje vamos falar sobre um tema muito importante, que é como as plantas daninhas interferem na cultura da soja.

As plantas daninhas interferem nas culturas direta e indiretamente.

Diretamente, elas interferem por meio da competição por água, luz, nutrientes e CO2.

Indiretamente, podem causar prejuízos na colheita e hospedar pragas, doenças e nematoides.

Hoje vamos entender um pouco sobre como acontece a interferência direta!

Vocês já viram em outros textos aqui no Mais Soja como são feitos os estudos de matocompetição.

O Período Anterior à Interferência (PAI), o Período Crítico de Prevenção à Interferência (PCPI) e o Período Total de Prevenção à Interferência (PTPI), variam de acordo com a cultura, com a comunidade de plantas daninhas e com a época de plantio.

No geral, na cultura da soja, as plantas daninhas causam prejuízos a partir dos 33 dias após o plantio (DAP), até em torno de 66 a 76 DAP. 

Observe como apenas três plantas de buva por metro quadrado já interfere negativamente na produtividade final da soja.

 

Entretanto, temos que lembrar que algumas plantas daninhas podem interferir depois deste período crítico, pois podem prejudicar a colheita, influenciar na umidade do grão e hospedar pragas e doenças.

Fonte: Nepomuceno, M. (disponível em Mais Soja)

Outras plantas podem causar ferimentos aos trabalhadores, devido aos seus espinhos, como capim-carrapicho e carrapicho-de-carneiro.

Fonte: COAMO.

Neste outro trabalho, podemos observar como a produtividade é reduzida na presença do amendoim-bravo.

Fonte: Densidade de Leiteiro x Rendimento. autor: Gazzieiro.

Agora que vimos como as plantas daninhas podem prejudicar a soja, vamos entender melhor o porquê dessas plantas serem tão competitivas.

Fonte: Portal Syngenta.
Fonte: Portal Syngenta.

O problema com plantas daninhas se torna ainda maior quando ocorre na área biótipos resistentes a herbicidas, pois isso faz aumentarem os gastos com o controle.

Como vimos, quando as plantas daninhas não são manejadas, elas podem causar diversos prejuízos.

Vamos entender agora o que faz que essas plantas tenham essa elevada capacidade competitiva.

Mecanismos de sobrevivência e agressividade das plantas daninhas

A tabela abaixo foi retirada do Livro Aspectos da Biologia e Manejo das Plantas Daninhas (Monquero, P.A. 2014). 

Ela mostra quais os mecanismos de sobrevivência e agressividade das plantas daninhas, que as tornam tão competitivas e prejudiciais às culturas.

Mecanismos de sobrevivência Mecanismos de agressividade
Alta produção de sementes Elevada capacidade de produção de dissemínulos
Ampla dispersão das sementes Facilidade de dispersão dos propágulos
Dormência das sementes Manutenção da viabilidade mesmo em condições desfavoráveis
Grande longevidade dos dissemínulos
Germinação escalonada das sementes Grande desuniformidade no processo germinativo
Capacidade de germinar e emergir de grandes profundidades
Rápido desenvolvimento e crescimento inicial
Reprodução assexuada Mecanismos alternativos de reprodução

 

Agora que compreendemos o que faz as plantas daninhas terem essa elevada habilidade competitiva, vamos explorar um pouco sobre quais componentes do sistema as plantas daninhas e a cultura competem.

Competição por água

Quando falamos em competição por água entre a cultura e as plantas daninhas estamos nos referindo a eficiência no uso da água.

Algumas plantas são mais eficientes em usar a água disponível do que outras plantas.

Competição por luz

A competição por luz está relacionada ao uso eficiente da radiação solar por cada espécie.

Ela está ligada a fisiologia da planta, ou seja, se possuem metabolismo C3, C4 ou CAM.

Parece complicado não é mesmo? Mas, para entendermos melhor, as plantas são divididas nestes 3 tipos de metabolismo de carbono (C3, C4 e CAM).

As plantas com metabolismo C4 são geralmente mais eficientes, pois possuem algumas características como:

  • não atua como oxigenase;
  • alta afinidade por CO2;
  • melhor desempenho em temperaturas mais altas;
  • ausência de saturação sob alta disponibilidade de luz.

Ou seja, resumindo e facilitando nossa vida, quando estas plantas estão a pleno sol elas terão uma vantagem maior em relação às plantas C3.

Fonte: Livrozilla.

Muitas plantas daninhas de grande relevância para a agricultura são C4:

  • Cyperus rotundus (tiririca);
  • Cynodon dactylon (grama-seda);
  • Sorghum halepense (capim-massambará);
  • Imperata cilindrica;
  • Panicum maximum (capim-colonião);
  • Echinochloa colonum (capim-arroz);
  • Echinochloa crusgalli (capim-arroz);
  • Eleusine indica (capim-pé-de-galinha).

Imaginem essas plantas daninhas na lavoura competindo diretamente com a soja. Por isso, o plantio no limpo e o manejo, são muito importantes para fazer com que a cultura seja beneficiada.

Competição por nutrientes

A competição por nutrientes segue os mesmos princípios que vimos para água e radiação solar.

Algumas plantas são mais eficientes que outras em retirar do meio os nutrientes.

Observe no trabalho abaixo desenvolvido por Carvalho et al. (2010), no qual a convivência com plantas de amendoim-bravo reduz o acúmulo de nutrientes pela soja.

Competição por CO2

A competição por CO2 ainda é pouco estudada, pois é considerada de importância secundária em relação aos outros que vimos até agora, mas muito autores a consideram de grande importância quando o tema é mudanças climáticas.

Conclusão

Como vimos, as plantas daninhas interferem direta e indiretamente nas culturas.

Para cada cultura existe um período no qual o controle das plantas daninhas deve ser realizado para que se evite danos na produtividade, este é conhecido por Período Crítico de Prevenção à Interferência (PCPI).

Vimos neste artigo que as plantas daninhas e as culturas competem por água, luz, nutrientes e CO2.

Gostou do artigo? Tem mais dicas sobre o assunto? Adoraria ver seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Girardeli, Sou Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar) e Doutora em Fitotecnia (USP/ESALQ). Atualmente, estou cursando MBA em Agronegócios.

 

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