Mercado do milho na Bolsa de Chicago fechou a semana entre o dia 11 e 15 de fevereiro de 2019 praticamente estável. O mercado variou bastante na semana para ambos os lados. Pelo lado da baixa, fundos de investimento liquidaram suas posições e pelo lado da alta, as exportações de milho registraram bons números na semana. No mercado interno, o cambio e a baixa oferta do cereal nas regiões produtoras elevaram o preço do milho na semana.

O mercado internacional do milho fechou a semana praticamente estável, encerrando a sequência de duas semanas de baixa. Os contratos com vencimento em março/2018 encerrando a sexta-feira cotados a US$3,74’6 por bushel. Para o vencimento de maio/2019 as cotações encerraram a semana a US$3,82’6 por bushel.

Dois fundamentos levaram o mercado a este resultado, as divulgações das exportações de milho no EUA no decorrer da semana, com dados divulgados pelo USDA, departamento de agricultura dos EUA, e as negociações para a resolução do imbróglio comercial entre americanos e chineses.

Noticias das exportações americanas variaram bastante na semana, levando as mesmas variações nos principais vencimentos em Chicago. Se na segunda-feira, a notícia foi baixista, com o USDA divulgando que 743.536 toneladas de milho foram embarcadas na semana de 7 de fevereiro, queda de 17,5% em relação à semana anterior e 12,17% menor que na mesma semana em 2018, na terça-feira, o mesmo órgão governamental, divulgou a compra com destino não divulgado de 122.376 toneladas de milho, animando o mercado.

Já em relação a guerra comercial EUA e China, depois de uma segunda-feira sem notícias, a retomada das negociações com representantes dos dois países trouxe novo ânimo ao mercado, que resultou na notícia na sexta-feira de que os dois governos podem estender o prazo de 1 de março para um acordo.

No Brasil, os preços internos mostraram recuperação e registraram ganhos positivos em praticamente todos os dias da semana. O indicador CEPEA do milho ESALQ/BM&FBOVESPA fechou a semana no valor de R$ 41,10/ sc, ganhos expressivos de 2,29% em comparação com a segunda-feira.

O mercado interno de milho manteve esta semana preços firmes, mesmo diante da colheita do milho primeira safra, que apesar de menor que a segunda safra eleva a oferta internamente. O quadro de exportações em fevereiro coloca pressão no lado demandante que não consegue manter os níveis de preços da semana anterior e sedem na pedidas maiores dos comerciantes do cereal. O mês de registrou um fluxo de embarque de aproximadamente 1,4 milhão de toneladas, volume surpreendente para o período.

Além de exportações de milho surpreenderem nos últimos meses a produção do cereal foi discreta em Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais e Goiás, trazendo ao mercado um cenário de baixa oferta, que poderá se alterar só com a colheita da segunda safra no segundo semestre de 2019.

Para completar o cenário de aperto na relação oferta e demanda no mercado de milho, registra-se uma demanda crescente do cereal para a produção de etanol. As usinas flex de Mato Grosso podem se tornar mais um player importante, competindo com as granjas pelo cereal.

O milho safrinha continua com velocidade recorde de plantio, de acordo com a agência Safras e Mercado, no Centro-Sul mais de 55% das áreas estimadas já forma semeadas, no mesmo período do ano passado este percentual estava em 33%. Esta velocidade de plantio faz com que as expectativas de produtividade sejam elevadas, porém as condições climáticas de março e abril serão determinantes para que tais perspectivas sejam confirmadas.

No mercado de Goiás os preços acompanharam os movimentos do mercado nacional e registraram ganhos na semana, quadro de oferta e demanda no estado é apertado, mesmo com início da colheita do milho primeira safra. Até o fim da semana, 7% da safra já foi colhida, contra 2% no mesmo período do ano anterior. Em relação a safrinha, 48% da área destina ao plantio já foi semeada, no mesmo período do ano passado, este percentual estava em 27%.

O preço médio do estado fechou a semana no valor de R$ 30,14/sc, alta de R$ 0,53/sc em relação a semana passada, variações positivas também forma encontradas em Cristalina e Rio Verde e manutenção dos preços no mercado de Jataí e Acreúna.

A próxima semana os seguintes fatos deverão movimentar o mercado de milho:

  1. Levantamento de exportações semanais de milho nos EUA;
  2. Negociações entre o governo americano e chinês sobre a guerra comercial entre os dois países;
  3. Evolução da colheita de verão no Brasil;
  4. Evolução do plantio do milho 2º safra;
  5. Variação cambial no Brasil com a evolução da proposta de reforma tributária na Câmara dos Deputados;


Fonte: Boletim de Mercado da Soja de Goiás – IFAG

Texto originalmente publicado em:
Boletim de Mercado da Soja de Goiás – IFAG
Autor: IFAG

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