Dificuldade no início do plantio no milho nos EUA proporcionou valorização dos contratos do cereal na bolsa de Chicago na semana entre o dia 11 a 15 de março. No entanto, a falta de um acordo entre EUA e China, que colocaria um ponto final na guerra comercial entre os dois países, e o baixo numero das exportações americana na semana anterior limitaram os ganhos. No Brasil, a melhoria da oferta de milho reverteu a tendência de alta e puxou o preço do milho para baixo.

O mercado de milho na bolsa de Chicago encerrou a semana com uma forte valorização nos seus principais vencimentos. Os contratos com vencimento em maio/2018 fecharam a sexta-feira (15) cotados a US$3,66 por bushel, ganhos de 1,97% em comparação a sua abertura na segunda-feira (11). Para o vencimento de julho/2019 as cotações encerraram a semana a US$3,75’2 por bushel, alta de 1,86%.

O “mercado de clima”, período onde as informações sobre o clima e sua influência sobre o plantio e o desenvolvimento das lavouras americanas são os principais fundamentos do mercado, chegou com tudo nesta semana em Chicago. Isso se dá uma vez que já é esperado, para o inicio deste mês, o plantio das primeiras lavouras americanas nos estados do sul do EUA, e estas já se encontram atrasadas. Além disso, há a previsão de que uma grande tempestade, no final do inverno, possa atrasar a preparação do campo no meio oeste americano pelo resto do mês.

Estas preocupações com o clima americano deram suporte de alta para o mercado de milho nos EUA na ultima semana, uma vez que estimularam um bom número de compras técnicas por parte de investidores. Os ganhos só não foram maiores devido ter se passado mais uma semana sem a conclusão das negociações entre chineses e americanos para colocar um fim na guerra comercial entre China e EUA.

Apesar de ainda permanecer o sentimento de que o fim das negociações se aproxima, a falta de informações sobre a data do encontro entre o presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping continua a adicionar insegurança ao mercado.



A ausência de uma data foi confirmada pela secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders, que disse na segunda-feira (11) que a data para uma cúpula comercial entre os presidentes de EUA e China não foi marcada e as negociações estão em andamento.

Outro limitante de maiores altas no mercado do milho em Chicago foi o baixo volume exportado do cereal pelos EUA na semana anterior. Na quinta-feira (14) o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou em seu relatório semanal de vendas e exportações que os americanos venderam 372 mil toneladas de milho da safra velha na última semana, bem abaixo do intervalo esperado pelo mercado de 800 mil a 1,2 milhão de toneladas.

O mercado brasileiro de milho não acompanhou nesta semana o otimismo do mercado americano. O indicador do milho CEPEA ESALQ/BMF registrou um forte recuo na semana fechando a sexta-feira no valor de R$ 39,61/sc, perdas consideráveis de -5,76% em comparação com a segunda-feira.

Apesar de ainda ser um mercado com baixa movimentação de negociações, uma vez que a colheita da soja segue em grande velocidade impedindo uma maior atenção ao mercado do milho, a oferta do cereal começa a trazer uma maior folga na relação oferta/demanda que se encontrava bastante ajustada.

Pelo que é observado, as indústrias processadoras de milho e as granjas passaram a semana estocadas, principalmente pela boa oferta oriunda de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Esta situação jogou a pressão para a parte vendedora, que não mais conseguiu dar prosseguimento a seu movimento de elevação no preço do milho. Vale salientar que ainda continua presente no mercado os fretes altos, que impedem um movimento de recuo mais vigoroso neste mercado.

Outro fator que começa a pressionar o mercado é o milho safrinha. Os trabalhos acelerados no plantio da segunda safra, combinado com o bom volume de chuva no mês de março nas regiões produtoras, fazem com que a perspectivas positivas para esta modalidade de plantio do cereal estejam próximas de serem confirmadas. Vale lembrar que se espera que o país consiga colher mais de 66 milhões de toneladas de milho na sua segunda safra, um resultado 23,6% maior que no ano passado.

No mercado goiano o baixo volume colhido e a maior atenção dada a colheita de soja fazem com que o baixo volume de negócios seja ainda uma realidade. Porém nem mesmo esta pouca liquidez foi suficiente para evitar um leve recuo nas cotações do cereal nesta última semana. Desta forma o preço médio do milho em Goiás acompanhou a tendência de baixa das outras regiões produtoras e fechou a semana no valor de R$ 31,84/sc, baixa de R$ 0,16/sc em relação ao início da semana. A maior queda se deu na praça de Cristalina, onde o recuo alcançou 3,85% no período.

A próxima semana os seguintes fatos deverão movimentar o mercado de milho:
1. Negociações entre EUA e China para colocar fim na guerra comercial entre os dois países;
2. Plantio das lavouras americanas de milho;
3. Movimentação das negociações brasileiras de milho nas regiões produtoras.

Fonte: Boletim de Mercado da Soja de Goiás – IFAG

Texto originalmente publicado em:
IFAG
Autor: Boletim de Mercado do Milho de Goiás – IFAG

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