As cotações da soja, em Chicago, despencaram mais uma vez nesta semana, com o bushel chegando a atingir US$ 11,13 no dia 09/06, a mais baixa cotação, para o primeiro mês cotado, desde o início de fevereiro passado. O farelo igualmente recuou, chegando a US$ 301,10/tonelada curta no mesmo dia, enquanto o óleo de soja recuou para 74,12 centavos de dólar por libra-peso ainda no dia 05/06.
Posteriormente, o mercado melhorou um pouco, com o fechamento da quinta-feira (11) ficando em US$ 11,15/bushel, porém, não o suficiente para chegar aos US$ 11,28 de uma semana antes. Esse movimento, mesmo com a continuidade das tensões no Oriente Médio, ocorreu diante do bom andamento da nova safra nos EUA e na expectativa do relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado neste dia 11/06.
O referido relatório apontou, para a safra 2026/27, os seguintes principais números:
- Foi mantida a estimativa de produção nos EUA em 120,7 milhões de toneladas e os estoques finais naquele país em 8,4 milhões;
- A produção mundial foi fixada em 441,3 milhões de toneladas, praticamente sem alterações em relação a maio, assim como os estoques finais mundiais, que ficaram em 124,9 milhões de toneladas;
- A produção estimada para o Brasil e a Argentina ficou em 186 e 50 milhões de toneladas respectivamente;
- As importações da China também foram mantidas, neste caso em 114 milhões de toneladas;
- O preço médio ao produtor de soja estadunidense, para 2026/27, está projetado em US$ 11,40/bushel.
Por sua vez, o plantio da nova safra de soja estadunidense alcançava 92% da área esperada no dia 07/06, contra 88% na média. Ao mesmo tempo, houve pequeno recuo no percentual das lavouras em condições entre boas a excelentes, com as mesmas passando de 66% para 65% na mesma data. Em condições regulares havia 29% e entre ruins a muito ruins apenas 6%.
Já pelo lado da demanda, as importações chinesas de soja recuaram 15,3% em maio, comparativamente com maio do ano passado, porém, o volume foi o terceiro maior registrado para o mês na história destas compras. O total ficou em 11,8 milhões de toneladas, contra 13,9 milhões um ano antes. Nos primeiros cinco meses do ano a China recebeu 36,9 milhões de toneladas de soja, com recuo de 0,4% sobre o mesmo período do ano anterior. Por sua vez, o Brasil exportou 14,8 milhões de toneladas de soja em maio, sendo a China o maior comprador.
De forma geral, o mercado espera que a China compre mais soja dos EUA daqui em diante, após as negociações com os EUA em meados de maio. Todavia, até o momento, os chineses não realizaram grandes compras neste mercado.
No Brasil, mesmo com o recuo em Chicago, a desvalorização do Real para R$ 5,17 por dólar durante a semana permitiu uma pequena melhoria nos preços internos da soja, com as principais praças gaúchas voltando a R$ 115,00/saco, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 101,00 e R$ 115,00/saco.
Dito isso, espera-se exportações de 14,4 milhões de toneladas de soja em junho, contra 13,8 milhões no mesmo mês do ano passado. A expectativa é que o Brasil exporte 72,9 milhões de toneladas de soja no primeiro semestre de 2026. Já os embarques de farelo de soja devem alcançar 2,3 milhões de toneladas em junho (cf. Anec).
Enfim, o Sistema Famato informou que o vazio sanitário da soja começou dia 08/06 no Mato Grosso e irá até o dia 07/09. Durante esse período é proibida a existência de plantas vivas em lavouras, margens de rodovias, áreas de armazenamento e demais locais onde possa haver germinação espontânea.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).





