As contribuições das bactérias do gênero Bradyrhizobium para o aumento da produtividade da soja já são conhecidas e popularizadas. Essas bactérias possuem a capacidade de fixar nitrogênio atmosférico e disponibilizá-lo para a planta através de um processo de simbiose entre planta e bactérias. Segundo Gitti (2015), através dessa simbiose, essas bactérias podem contribuir com todo o nitrogênio necessário pra produtividades médias de até 3.600 kg.ha-1 de soja.

Além da inoculação da soja com o Bradyrhizobium, a adição de outro gênero de bactérias, configurando um processo de coinoculação vem crescendo em grande parte dos cultivos de soja, principalmente pelos benefícios trazidos ao sistema. Trata-se da coinoculação da soja com Bradyrhizobium + Azospirillum. As bactérias do gênero Azospirillum são conhecidas popularmente por atuarem na promoção do crescimento das plantas.

O Azospirillum sintetiza fitormônios que promovem o crescimento vegetal, principalmente do sistema radicular, o que favorece a nodulação e a fixação biológica de nitrogênio realizada pelo Bradyrhizobium, além de trazer outros benefícios, como ampliação do volume de solo explorado (Prando et al., 2019). Diferentemente de relação entre Bradyrhizobium e soja (simbiose), a relação entre Azospirillum e soja é uma associação, apresentando algumas particularidades em relação a simbiose.

O Azospirillum fixa nitrogênio atmosférico?

Embora modesta, as bactérias do gênero Azospirillum possuem a capacidade em fixar nitrogênio atmosféricos, entretanto, ao contrário das bactérias simbióticas, bactérias associativas excretam somente uma parte do nitrogênio fixado diretamente para a planta associada; posteriormente, a mineralização das bactérias pode contribuir com aportes adicionais de nitrogênio para as plantas, contudo, é importante salientar que o processo de fixação biológica por essas bactérias consegue suprir apenas parcialmente as necessidades das plantas (Hungria, 2011). Logo, sozinho, o Azospirillum não consegue suprir toda a necessidade de nitrogênio da cultura da soja.

Aumento de produtividade

Quando utilizado de forma conjunta ao Bradyrhizobium, o Azospirillum tem demonstrado significativa influência no aumento da produtividade da soja. Resultados de pesquisa obtidos pela Embrapa evidenciam que a inoculação da soja (Bradyrhizobium), promove incremento médio de produtividade de 8% em comparação a soja não inoculada, e a coinoculação da soja (Bradyrhizobium + Azospirillum) proporciona ganho médio de produtividade de até 16% (Prando et al., 2019).

Conforme observado por Bárbaro et al. (2009), a coinoculação da soja proporcionou ganho médio de superior a 400 kg.ha-1 quando utilizados inoculantes turfosos em comparação a soja não coinoculada (testemunha).



Tabela 1. Produtividade final de grãos (kg/ha) e peso de mil grãos em (g) de soja cultivar   MG/BR   46   Conquista     em     resposta     à     coinoculação   de   soja   com   produto   à   base     de     Azospirillum     brasilense juntamente com inoculante contendo Bradyrhizobium.

Fonte: Bárbaro et al. (2009)

Resultados positivos da coinoculação da soja também foram obtidos por Gitti (2015) que observou que a coinoculação da soja proporcionou incremento médio de produtividade de 6 sc/ha em comparação a soja não inoculada nem coinoculada (testemunha).

Figura 1. Produtividade da cultura da soja safra 2014/15 obtido em tratamentos sem a inoculação de sementes, inoculação (Bradyrhizobium), coinoculação (Bradyrhizobium + Azospirillum brasilense) e aplicação de ureia em cobertura (200 kg/ha de nitrogênio).

Fonte: Gitti (2015)

Embora o ganho produtivo possa variar de acordo com o ambiente, cultivar e manejo, conforme observado anteriormente, resultados científicos confirmam o aumento de produtividade proporcionado pela coinoculação da soja. Logo, pode-se dizer que a coinoculação é uma prática essencial para o aumento da produtividade e sustentabilidade da cultura.


Veja mais: Tudo o que você precisa saber sobre coinoculação


Referências:

BÁRBARO, I. M. et al. PRODUTIVIDADE DA SOJA EM RESPOSTA Á INOCULAÇÃO PADRÃO E CO-INOCULAÇÃO. Colloquium Agrariae, v. 5, n.1, Jan-Jun. 2009. Disponível em: < http://revistas.unoeste.br/index.php/ca/article/view/372/510 >, acesso em: 02/08/2021.

GITTI, D. C. INOCULAÇÃO E COINOCULAÇÃO NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2014/2015, 2015. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/209/209/newarchive-209.pdf >, acesso em: 02/08/2021.

HUNGRIA, M. INOCULAÇÃO COM Azospirillum brasilense: INOVAÇÃO EM RENDIMENTO A BAIXO CUSTO. Embrapa, Documentos, n. 325, 2011. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/29560/1/DOC325.2011.pdf >, acesso em: 02/08/2021.

PRANDO, A. M. et al. COINOCULAÇÃO DA SOJA COM Bradyrhizobium e Azospirillum NA SAFRA 2018/2019 NO PARANÁ. Embrapa, Circular Técnica, n. 156, 2019. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1117312/1/Circtec156.pdf >, acesso em: 02/08/2021.

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