Autor: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1)

As cotações do milho, em Chicago, trabalharam relativamente estáveis durante esta semana, com o mercado esperando os relatórios de plantio e de estoques trimestrais do USDA. Após o anúncio dos relatórios, as cotações recuaram.

Os mesmos, transmitidos no dia 30/06, indicaram, para o milho, uma área efetivamente semeada, nos EUA, em queda de 4% sobre o plantado no ano anterior. Com isso, a área atual ficou em 36,38 milhões de hectares. Já em relação a intenção de plantio, divulgada em 31 de março passado, a área confirmada ficou 0,45% superior. Quanto ao relatório de estoques trimestrais, na posição 1º de junho, o milho registrou um aumento de 6% sobre junho de 2021, atingindo um total de 110,5 milhões de toneladas.

Assim, o fechamento do contrato relativo ao primeiro mês, no dia 30/06, em Chicago, caiu para US$ 7,43/bushel, após ter alcançado US$ 7,70 na véspera. Lembrando que uma semana antes, o fechamento havia sido de US$ 7,46.

Dito isso, o mercado igualmente levou em consideração que as condições das lavouras do cereal, nos EUA, estavam com 67% entre boas a excelentes no dia 26/06, contra 70% na semana anterior e 64% na mesma data do ano passado. Outras 25% estavam regulares e 8% entre ruins a muito ruins. Naquela data, cerca de 4% das lavouras estavam em fase de embonecamento.

Por outro lado, os embarques de milho, por parte dos EUA, na semana encerrada em 23/06, chegaram a 1,25 milhão de toneladas, ficando no limite superior do que esperava o mercado. Com isso, o total embarcado por aquele país, no atual ano comercial 2021/22, chega a 47,4 milhões de toneladas, ou seja, 17% menos do que em igual período do ano anterior.

Enquanto isso, na Argentina, o Ministério da Agricultura local informou que 68% das lavouras de milho do país, relativas a safra 2021/22, haviam sido colhidas até o início da presente semana. No ano passado, na mesma época, tal colheita atingia a 64% da área. Diante disso, o governo local projeta uma safra total de milho em 57 milhões de toneladas, com uma redução de 5,8% sobre a safra anterior, sendo que a média de produtividade alcançaria 113,3 sacos/hectare. Porém, a diferença de produtividade, entre regiões do país, será grande devido a fatores climáticos, época de plantio e outros fatores.

E no Brasil, os preços do milho estabilizaram novamente, depois dos últimos recuos, com a média gaúcha, no balcão, ficando em R$ 83,45/saco. Nas demais praças nacionais o produto girou entre R$ 66,00 e R$ 85,00/saco. Já na B3 o contrato julho abriu o pregão, desta quinta-feira (30), valendo R$ 84,95/saco, enquanto setembro estava em R$ 87,61, novembro R$ 84,95 e janeiro/23 em R$ 92,00/saco.

O avanço da colheita da segunda safra tem segurado os preços do milho, e mesmo pressionado-os para baixo. Porém, o mercado está resistindo a baixar tais preços, na expectativa de exportações elevadas. Especialmente se o Real se desvalorizar na medida em que se aproximam as eleições de outubro no Brasil.

Por sua vez, a colheita da segunda safra chegou a 20% no dia 24/06, contra 15,2% na média histórica para esta data. No ano passado, diante dos problemas climáticos, no final de junho somente 6% da área havia sido colhida. Algumas regiões apresentam recordes de produtividade, caso de Tocantins, enquanto no Centro-Sul há decepção devido aos efeitos de novos problemas climáticos. (Cf. Pátria Agronegócios)

Especificamente no Mato Grosso, segundo o Imea, a colheita da safrinha atingia a 35,7% da área na entrada da corrente semana, contra a média histórica de 24,6% para o período. Na safra anterior, atingida por intempéries, a colheita chegava a apenas 9,7% da área nesta época. Apesar de alguns problemas pontuais com o clima, o Estado mato-grossense ainda espera colher quase 40 milhões de toneladas de milho nesta segunda safra.

Paralelamente, no Paraná, segundo o Deral, 6% das lavouras haviam sido colhidas até o final da semana passada, sendo que 55% das lavouras restantes estavam em maturação. Naquele momento, 72% das lavouras estavam em boas condições e apenas 7% ruins. Portanto, provavelmente não se confirmará a quebra de 40% indicada anteriormente, pois o clima e a cigarrinha não teriam provocado tantos estragos como se imaginava. Resta esperar o final da colheita para se verificar o que exatamente o Estado terá de produção.

Já no Mato Grosso do Sul a colheita da safrinha atingia a 2,9% da área até o dia 24/06, ficando dentro da média histórica para a data. A Aprosoja local espera uma produtividade média de 80 sacos/hectare, diante de um custo total de 77 sacos/hectare. Ou seja, sobrará pouco para os produtores sul-matogrossenses se estes números se confirmarem. Lembrando que a Famasul espera uma produtividade média final de 78,1 sacos por hectare, situação que piora ainda mais o quadro. E isso que 81% das lavouras estão em boas condições e somente 6,4% estão ruins. O Estado ainda espera colher 9,34 milhões de toneladas de milho safrinha. O preço médio do saco de milho, neste final de junho, estava em R$ 75,63 no Mato Grosso do Sul. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o preço está em recuo de 5,4%. Enfim, até a virada da semana, os produtores locais haviam negociado 26% da safra que começa a ser colhida. No ano passado, nesta época, as vendas atingiam a 42% do total esperado.

Apesar dos diferentes percalços, a Datagro ainda espera uma segunda safra com 91,2 milhões de toneladas. Ou seja, bem superior ao que outros analistas privados, e mesmo órgãos públicos, vêm antecipando. A mesma fonte, com isso, espera uma produção total de milho no país, neste ano 2021/22, em 116,1 milhões de toneladas, ou seja, 32% acima do que foi colhido no ano anterior. A área total de milho no país teria chegado a 22,57 milhões de hectares, sendo 10% superior ao registrado no ano anterior.

Enfim, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) reduziu suas projeções de embarque de milho brasileiro para o mês de junho. A mesma atingiria 1,68 milhão de toneladas, contra 1,76 milhão apontados uma semana antes.


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Fonte: Informativo CEEMA UNIJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1)

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUI, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUI).

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA

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