produção rural é uma atividade extremamente complexa, principalmente em virtude da frequência e severidade de alguns fenômenos climáticos, capazes de afetar diretamente o trabalho do produtor rural. Certamente, um desses fenômenos é o El Niño.

O fenômeno climático do El Niño é caracterizado por alterar o regime pluviométrico em boa parte do país, modificando a ocorrência das chuvas que podem contribuir ou prejudicar a produção agrícola.

Mas independente da intensidade do El Niño, é fundamental que o produtor rural se prepare da maneira correta, impedindo que esse fenômeno seja uma surpresa desagradável para na sua atividade agrícola.

Para saber mais sobre esse fenômeno climático, conversamos com dois especialistas do setor que irão mostrar o que é o fenômeno El Niño, sua influência na produção agrícola e como o produtor rural pode se preparar para o impacto desse fenômeno. Confira:

O que é o fenômeno El Niño?

O El Niño é caracterizado como um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no Oceano Pacífico Tropical.

professor doutor Paulo Cesar Sentelhas, especialista em agrometeorologia do Departamento de Eng. Biossistemas da ESALQ/USP explica que o fenômeno El Niño é um evento caracterizado pela oscilação da temperatura da superfície do mar (TSM) em relação à condição média.

Ainda segundo o professor, o El Niño apresenta efeito contrário ao La Niña. “Quando a Anomalia da TSM é positiva e acima de 0,5 graus C, temos o evento denominado El Niño e quando essa Anomalia é negativa e abaixo de -0,5 graus C, o evento é denominado de La Niña”.

Neste sentido, Andrea Malheiros Ramos, INMET (Meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia) explica que esse fenômeno altera o clima regional e global, mudando os padrões de vento a nível mundial, afetando os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias.

Especificamente na América do Sul, os efeitos desse fenômeno podem ser bastante expressivos, porém são caracterizados por serem muito variáveis de um evento para outro.

Expectativas dos efeitos do El Niño para cada região do Brasil

Tanto o professor da ESALQ quanto a meteorologista do INMET concordam que os efeitos do El Niño irão variar de acordo com a região do país.

Com o El Niño atuando, há expectativa de excessos de chuvas sobre a região Sul e diminuição sobre o Norte e Nordeste, além de tendência de leve aumento das temperaturas médias na região central do país”, comenta Andrea.

A tabela abaixo exemplifica o que acontece nas regiões brasileiras com o fenômeno El Niño, de acordo com o CPTEC/INPE. Ainda segundo a meteorologista, a expectativa do INMET é de que esse fenômeno dure até maio/junho de 2019.

Efeitos do El Niño na produção agrícola brasileira

Por alterar os padrões de circulação da atmosfera e, consequentemente, os regimes de temperatura e chuva, o El Niño passa a afetar sobremaneira a produção agrícola de várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

Assim, exclusivamente para o Brasil, a meteorologista do INMET explica que com o El Niño as temperaturas ficam um pouco acima do normal, o que pode acarretar em áreas com redução das chuvas, que podem desacelerar o desenvolvimento das culturas, ocorrendo queda da produtividade.

Já em regiões com aumento da precipitação pode haver inundações nas culturas, o que também favorece a redução da produtividade.

Além disso, a meteorologista do INMET explica que culturas anuais podem ser altamente afetadas por essas variações. “Esse é o caso das lavouras de grãos, principalmente no momento do enchimento dos grãos. Já as culturas perenes também podem ter redução na produtividade”, explica.



Como se preparar para o impacto do El Niño?

Tanto Andrea Ramos quanto o Dr. Paulo Cesar Sentelhas concordam que em casos de excesso ou falta de chuva, o produtor precisa primeiramente monitorar as condições meteorológicas da sua região.

Andrea dá outra dica importante. “O produtor precisa saber se a temperatura e a precipitação em cada época do ano estão sendo influenciados pelo fenômeno climático, assim ele pode fazer o planejamento baseando-se nos efeitos causados pelo fenômeno”.

Ela explica que o El Niño pode causar efeitos que favorecem doenças, pragas e daninhas, seja pelo excesso de chuvas em uma região ou pelo clima mais seco em outra. Por isso, a meteorologista do INMET sugere algumas orientações da Embrapa para enfrentar o período:

Excesso de chuva:

  • Realizar o preparo do solo para a semeadura;
  • Semeadura no início do período recomendado;
  • Não semear em solos encharcados;
  • Realizar rotação de culturas;
  • Utilizar cultivares resistentes a doenças capazes de se desenvolver com alta umidade;
  • Realizar adubação nitrogenada. Nesse sentido Andrea diz ser importante monitorar constantemente, pois com excesso de chuva o nitrogênio pode ser lixiviado;
  • Realizar a colheita quando o produto atinge umidade adequada.

Falta de chuva:

  • Utilizar sistema de plantio direto, que pode favorecer a germinação das sementes pela umidade do solo por causa da palhada;
  • Utilizar cultivares resistentes ao estresse hídrico;
  • Utilizar cultivares com sistema radicular mais profundo;
  • Utilizar irrigação quando possível e necessário;
  • Não utilizar uma população de plantas acima da recomendada.

Neste contexto, o professor da ESALQ explica ainda que quando o El Niño traz variações moderadas do regime de chuvas, com períodos de veranico de 10 a 20 dias. Tais recomendações apresentadas acima se tornam ainda mais necessárias e eficientes.

A adoção dessas ações de manejo podem auxiliar no aumento da resiliência das lavouras de grãos”, finaliza.

Fonte: Portal da Agrishow

Texto originalmente publicado em:
Portal da Agrishow Digital
Autor: Portal da Agrishow Digital

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