Os percevejos estão presentes na soja desde o período vegetativo da cultura, quando iniciam a colonização das lavouras. No entanto, é no período reprodutivo da soja, a partir do aparecimento das vagens (R3) que as populações desses insetos aumentam, podendo atingir níveis elevados entre o final do desenvolvimento das vagens (R4) e início do enchimento dos grãos (R5), quando a soja é mais suscetível ao ataque.

Dentro do complexo de percevejos que atacam a soja, as espécies Euschistus heros (percevejo-marrom), Nezara viridula (percevejo-verde) e Piezodorus guildinii (percevejo verde-pequeno) se destacam pelos danos que podem causar à cultura (Figura 1). Outras espécies de percevejos, como Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus (ambos conhecidos como percevejo barriga-verde) também são encontradas em lavouras de soja, porém em menor abundância.

Figura 1. Percevejos mais frequentes em lavouras de soja

Fonte: PROMIP. Confira a imagem original clicando aqui. 

Ao contrário de P. guildinii e N. viridula, que induzem um distúrbio fisiológico nas plantas, os danos resultantes do ataque de E. heros estão diretamente relacionados à sucção de seiva dos ramos, hastes e vagens da soja. Ataques durante a formação das vagens podem levar ao abortamento de grãos e atraso na maturação, causando retenção foliar e hastes verdes. Entre R3 e R7, os ataques provocam perda de massa e menor tamanho dos grãos, enrugamento, grãos chochos e com coloração escurecida (Figura 2).

Figura 2. Percevejo-marrom, E. heros, em planta de soja

Fonte: Embrapa. Confira a imagem original Clicando aqui.

O percevejo verde-pequeno, P. guildinii (Figura 3) se alimenta das plantas de soja desde o início do florescimento até o final do ciclo da cultura, causando maior retenção foliar quando comparado às demais espécies de percevejos. Devido ao seu  comportamento de inserção e retida do estilete, este inseto causa danos mais severos na parede celular. Quando o ataque ocorre em hastes e ramos, a planta sofre um distúrbio fisiológico denominado “soja louca”, onde as hastes permanecem verdes e as vagens secam. O ataque em vagens e grãos pode ainda reduzir o teor de óleo e o vigor das sementes, além de facilitar a transmissão de patógenos.

Figura 3. Percevejo verde-pequeno, P. guildinii, em planta na soja

Fonte: Maneje Bem. Confira a imagem original Clicando aqui.

A presença de N. viridula (percevejo-verde) na cultura da soja está diretamente relacionada ao desenvolvimento das vagens nas plantas, cujo período entre o início da frutificação e o ponto de acúmulo máximo de matéria seca no grão é o de maior sensibilidade da cultura ao ataque desses insetos sugadores. Durante o ato da alimentação, os percevejos dessa espécie injetam toxinas nos grãos e orifícios abertos pelo aparelho bucal, permitindo a penetração de microorganismos que resultam em grãos chochos e depreciação da qualidade do produto. (Figura 4).

Figura 4. Percevejo-verde, N. viridula, em planta de soja

Fonte: Portal Syngenta. Confira a imagem original Clicando aqui.

Por fim, o percevejo barriga-verde (Figura 5) diferencia-se por atacar as plantas durante seu estabelecimento. São pragas de sistema, causando danos severos também na cultura do milho e resultando em perdas parciais ou totais das lavouras. Nesse caso, tanto adultos como ninfas introduzem seus estiletes na base das plantas, através da bainha das folhas, atingindo as folhas internas. Após a abertura, estas folhas apresentam vários furos de distribuição simétrica no limbo foliar, com halos amarelados no seu entorno.

Figura 5. Percevejo barriga-verde, D. furcatus, em planta de trigo

Fonte: Embrapa. Confira a imagem original Clicando aqui.

Considerações finais

Plantas de soja acometidas por retenção foliar apresentam folhas e hastes verdes no final do ciclo, em intensidades variáveis, de acordo com a espécie de percevejo que ocasionou o dano. Geralmente, tais plantas apresentam grande número de grãos chochos e, dependendo da intensidade do ataque, vagens completamente inviáveis. Devido a esse desequilíbrio, a planta continua verde para tentar re-estabelecer a relação fonte-dreno de fotoassimilados. Após o ataque dos percevejos, os grãos ficam mais suscetíveis à proliferação de fungos e parasitas, reduzindo o valor de mercado da produção.




Elaboração:

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro

 REFERÊNCIAS:

 ALVES, E. B. Percevejos da soja. PROMIP, Manejo Integrado de Pragas.8 de nov. de 2019. Disponível em https://www.promip.agr.br/percevejos-da-soja/

ALVES, E. B. O percevejo marrom da soja. PROMIP, Manejo Integrado de Pragas. 9 de mar. de 2020. Disponível em https://promip.agr.br/o-percevejo-marrom-da-soja/

Percevejos marrom podem ser um pesadelo para a lavoura. PortalSyngenta. 21 de set. de 2020. Disponível em https://portalsyngenta.com.br/noticias/percevejos-marrom-podem-ser-um-pesadelo-para-a-lavoura

SILVA, J. J. Complexo de percevejos sugadores de grãos. Ageitec – Agência Embrapa de Informação Tecnológica. Disponível em https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/soja/arvore/CONT000fznzu9ib02wx5ok0cpoo6auodk2cy.html

WEBER, L.F. Percevejos em soja. Revista Cultivar. Disponível em https://www.grupocultivar.com.br/artigos/percevejos-em-soja

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