Assim como para a maioria das culturas agrícolas, uma série de doenças podem incidir sobre a cultura do milho, especialmente no cultivo de segunda safra (safrinha) onde a pressão de inoculo de doenças é maior especialmente em áreas onde há sucessão de culturas e não rotação. Grande parte dessas doenças são de origem fungicas, ou seja, causadas por fungos, os quais tem em sua maioria o desenvolvimento privilegiado por condições de elevada umidade e temperatura.

Dentre as principais doenças do milho podemos destacar a mancha branca (Pantoea ananatis); mancha de cercóspora ou cercosporiose (Cercospora zeae-maydis); mancha de túrcicum ou Helmintosporiose (Exserohilum turcicum); mancha de Bipolaris (Bipolaris maydis); ferrugem políssora (Puccinia polysora) e ferrugem comum (Puccinia sorghi) entre outras. Segundo Casela; Ferreira; Pinto (2006), dependendo da doença e severidade, reduções de até 80% podem ser observadas na produtividade do milho.

Tendo em vista o elevado impacto econômico e influência negativa que a ocorrência de doenças pode ocasionar na cultura do milho, manejar essas doenças visando seu controle é indispensável para a obtenção de boas produtividades da cultura, sendo a utilização de fungicidas a ferramenta mais utilizada para isso.

Entretanto, em meio a tantas doenças que podem incidir na cultura, uma das principais alternativas é o emprego de fungicidas com amplo espectro de ação, possibilitando o controle de um maior número de doenças. Para tanto, é preciso conhecer a eficiência dos fungicidas frente ao controle múltiplo de doenças.

A eficiência de diferentes fungicidas no controle de múltiplas doenças foi avaliada por Custódio et al. (2020) no cultivo do milho safrinha. O estudo foi composto por 11 ensaios da rede cooperativa, os quais foram implantados em 11 localidades, nos biomas Mata Atlântica e Cerrado brasileiro. Para compor os ensaios foram semeados milho híbrido simples comercial, de ciclo superprecoce, geneticamente modificado a insetos e herbicidas e suscetível às múltiplas doenças foliares (Custódio et al., 2020).



Conforme destacado por Custódio et al. (2020), no presente estudo foram realizadas três aplicações de fungicidas na cultura do milho, sendo a primeira aplicação no estádio vegetativo de oito folhas (V8); a segunda aplicação no estádio vegetativo de pré-pendoamento de 11 folhas (V11); e a terceira aplicação no estádio reprodutivo de pós-pendoamento de grão bolha (R2, 10 dias após a emissão completa do pendão, após a polinização). As doenças avaliadas no presente estudo foram mancha branca, mancha de cercóspora, mancha de túrcicum, mancha de Bipolaris maydis, ferrugem políssora e ferrugem comum. Os fungicidas analisados estão apresentados na tabela 1.

Tabela 1. Ingredientes ativos e doses dos fungicidas em cada tratamento.

Adaptado: Custódio et al. (2020)

Nas análises estatísticas conjuntas, três grupos foram formados, sendo o grupo I por todas as localidades, o grupo II por aquelas localidades que apresentaram quadrado médio do resíduo 1 (QMR1) e o grupo III por aquelas localidades que apresentaram quadrado médio do resíduo 2 (QMR2). Nos três grupos mencionados, houve alta severidade final no tratamento testemunha sem fungicida (Custódio et al. 2020).

Conforme resultados apresentados por Custódio et al. (2020) e disponibilizados pelo IDR – Paraná, o tratamento que apresentou maior eficiência de controle foi Piraclostrobina (17,78%) + Fluxapiroxade (8,89%) + Mefentrifluconazol (13,33%); seguido por Trifloxistrobina (15%) + Protioconazol (17,5%) + Bixafen (12,5%).

Tabela 2. Severidade final (Sev final), severidade total (AACPD) de múltiplas doenças foliares e eficiência de controle (C) para os tratamentos. Milho segunda safra 2020.

Fonte: Custódio et al. (2020)

Com relação a produtividade, os tratamentos compostos por misturas triplas (piraclostrobina + fluxapiroxade + mefentrifluconazole; azoxistrobina + mancozebe + tebuconazol e trifloxistrobina + bixafen + protioconazol) apresentaram produtividade superior comparada à do tratamento sem fungicida, não diferindo entre os demais tratamentos com aplicação de fungicidas (Custódio et al., 2020).

Os autores destacam haver variação no ganho de produtividade em decorrência do uso de fungicidas, onde foi possível observar variação de 12 a 19% (grupo I) e 18 a 29% (grupo II). Avaliando cada localidade que compôs o ensaio de forma individual, segundo Custódio et al. (2020) foi possível observar um ganho média de 15% de produtividade em relação a testemunha.

Tabela 3. Produtividade e ganho de produtividade (GP) em cada tratamento em função de múltiplas doenças foliares. Milho segunda safra 2020.

Fonte: Custódio et al. (2020)

 Tendo em vista os aspectos observados e os resultados apresentados por Custódio et al. (2020) é possível afirmar que a utilização de fungicidas para controle de doenças no milho desempenha papel fundamental para a boa produtividade da cultura, sendo que misturas triplas apresentam maior eficiência no controle de doenças múltiplas.

Confira o estudo completo clicando aqui!

Referências:

CASELA, C. R.; FERREIRA, A. S.; PINTO, N. F. J. A. DOENÇAS NA CULTURA DO MILHO. Embrapa, Circular Técnica, n. 83, 2006, Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/490415/1/Circ83.pdf >, acesso em: 30/04/2021.

CUSTÓDIO, A. A. P. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS NO CONTROLE MÚLTIPLO DE DOENÇAS FOLIARES DO MILHO: SEGUNDA SAFRA 2020. IDR-Paraná, Boletim Técnico, n. 97, 2020. Disponível em: < http://www.idrparana.pr.gov.br/sites/iapar/arquivos_restritos/files/documento/2021-01/bt97_-_idr-parana_-_29-01-2021_0.pdf >, acesso em: 30/04/2021.

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