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Danos causados pela tripes na cultura da soja

A soja (Glycine max), é uma leguminosa de ciclo anual, cultivada em grande parte do mundo, utilizada na alimentação animal e humana e na produção de um grande número de derivados, além de ser matéria prima importante para a produção de biodiesel, contribuindo assim para a redução das emissões de gases do efeito estufa (APROSOJA BRASIL, 2021).

Atualmente, o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de soja (EMBRAPA SOJA, 2021), e com uma expectativa de produção de cerca de 142,8 milhões de toneladas para essa safra 2021/2022 (CONAB, 2021). Por isso, a cadeia produtiva da soja é importante e tem grande contribuição na economia brasileira, empregando de forma direta e indireta um grande número de pessoas e contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País. A cultura possui um alto potencial produtivo, porém, a produtividade pode ser limitada por um conjunto de fatores, dentre estes, o estresse hídrico e o ataque de pragas e doenças.

Nas últimas safras e preferencialmente em anos mais secos e com altas temperaturas, o tripes (Caliothrips Phaseoli) tem se tornado uma das pragas mais comuns na cultura da soja e que tem causado preocupações aos produtores. Clima seco e quente, associado ao estresse hídrico (STURMER, 2021), tem favorecido o desenvolvimento da praga, condições essas, que de formas mais ou menos intensas vem ocorrendo nas últimas safras e na safra atual.

Figura 01: Lesões da tripes. Fonte: Elaboração própria.

Esta praga pode causar sérias perdas de produtividade na cultura, os danos diretos causados se originam da sua alimentação, que consiste em raspar a epiderme e sugar a seiva que extravasa das células das folhas, consequentemente causando a morte do tecido nesta região e gerando assim uma perda da área fotossintética da planta. O tripes pode causar até 30% de redução da produtividade da cultura (PALMA, 2020), já que a perda de áreas foliar impacta em menor produção de fotoassimilados e consequentemente redução no peso final de grãos.

Figura 02: Tripes adulta. Fonte: Elaboração própria.

O tripes tem por característica, realizar sua postura na parte inferior das folhas, se reproduzindo por oviposição. Em cerca de 4 dias eclodem as ninfas e em torno de 10 dias o tripes possui seu ciclo completo, chegando a fase adulta (STURMER, 2021). Na maioria dos insetos pragas às culturas, a alta temperatura é um fator que aumenta o número de gerações por unidade de tempo, ou seja, os insetos se reproduzem mais. De acordo com Massaro (2020), as ninfas têm por característica permanecer três ou mais semanas alimentando-se na parte inferior da folha, destruindo a capa de cera que a planta produz para proteger-se da desidratação, o que aumenta o índice de transpiração e a perda de água do tecido vegetal, gerando assim a murcha nestas plantas e até mesmo a queda prematura das folhas. Além disso, as lesões ocasionadas pelo ataque do tripes podem ser uma via de entrada de agentes causadores de doenças, como fungos, vírus e bactérias (CROPLIFE LATIN AMERICA).

Figura 03: Tripes fase adulta e de ninfa. Fonte: Portal Agrolink

O controle do tripes é realizado por meio da aplicação de inseticidas. Pelo fato da praga se encontra na parte inferior da folha, produtos que são depositados na parte superior conseguem ser eficientes na parte inferior das folhas onde a praga se encontra. Além disso, devem ser levados em consideração alguns outros fatores como a escolha do ingrediente ativo a ser utilizado, a população da praga presente na lavoura e o estádio vegetativo o qual a cultura se encontra. Outro fator importante que deve ser observado nessas condições de altas temperaturas pelos produtores, é o cuidado com a utilização de piretróides, onde o uso exagerado, ou seja, aplicações sequenciais, podem levar a um desequilíbrio de outras pragas como os ácaros.

Dentre os métodos preventivos que podem vir a ser utilizados, estão a rotação de culturas com a implantação de gramíneas, as quais reduzem a infestação do tripes. Porém o monitoramento constante da lavoura e a eliminação de plantas voluntárias na entressafra continuam sendo as principais medidas preventivas de controle.

Autores: Alfredo Henrique Suptiz e Larrisa Lamperti Tonello – Membros do grupo PET Ciências Agrárias do curso de Agronomia da UFSM-FW

Referências Bibliográficas 

APROSOJA BRASIL – A origem do grão. Disponível em: https://aprosojabrasil.com.br/a-soja/. Acesso em: Janeiro de 2022.

CONAB – Produção de grãos pode chegar a 291,1 milhões de toneladas na safra 2021/22. Disponível em:https://cast.conab.gov.br/post/2021-12-09_3_lev_graos/. Acesso em: Janeiro de 2022.

CROPLIFE LATIN AMERICA – Trips em Soja. Disponível em: https://www.croplifela.org/pt/pragas/lista-do-pragas/trips-em-soja. Acesso em: Janeiro de 2022.

REDE TÉCNICA COOPERATIVA (RTC) – Danos de tripes na soja l Pesquisa RTC: CCGL. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Mj0wOOawMQY&t=130s. Acesso em: Janeiro de 2022.

REDE TÉCNICA COOPERATIVA (RTC) – Tripes na cultura da soja l Pesquisa RTC: CCGL. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=DMzVwXL9W9c. Acesso em: Janeiro de 2022.

Equipe Mais Soja
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