Um dos desafios do setor de defensivos agrícolas é garantir o emprego correto dos produtos no campo, seguindo as recomendações de rótulo e bula. É preciso enfatizar que os defensivos devem ser utilizados nas culturas agrícolas somente com a autorização de um engenheiro agrônomo, que prescreve a receita agronômica, uma exigência legal desde 1989 para a compra de todo e qualquer agrotóxico. O processo é análogo à atuação de um médico, que têm a responsabilidade de prescrever um medicamento, e de um farmacêutico, que só é autorizado a vender o produto após apresentada a receita médica.

Esses cuidados são necessários por se tratarem de produtos perigosos que devem ser usados corretamente, seja no preparo ou na aplicação, reduzindo os riscos ao trabalhador que aplica o defensivo e à saúde da população que consome os alimentos produzidos. O maior desafio é a aplicação correta no campo, que depende da profissionalização dos aplicadores de defensivos agrícolas, tanto na modalidade de aplicação terrestre quanto aérea. O setor de defensivos agrícolas costuma realizar iniciativas para garantir a aplicação correta de seus produtos, combatendo problemas recorrentes como falta do hábito da leitura de rótulo e bula e analfabetismo no campo.

Em termos de modalidade de aplicação, a pulverização aérea de defensivos agrícolas é uma atividade importante para a agricultura de larga escala no Brasil. Aproximadamente 24% da área plantada no país é pulverizada por aviões, englobando oito culturas nacionalmente. Embora essa forma de aplicação possa gerar problemas de contaminação por deriva em áreas vizinhas, ajustes em aspectos da tecnologia de aplicação (como volume de calda e pressão de trabalho) podem reduzir consideravelmente esses riscos.

Em um país de dimensões continentais como o Brasil, as plantações podem se estender por quilômetros e, nesses casos, a modalidade de aplicação aérea é uma das tecnologias indicadas por ser um meio eficiente e seguro para os trabalhadores da agricultura e para o meio ambiente. Além de ser uma atividade regulamentada, os agricultores são incentivados a contratarem empresas certificadas pelo CAS (Certifcação Aeroagrícola Sustentável), um programa voltado para a qualificação de empresas de aviação e de operadores privados. É imprescindível que sejam cumpridos os protocolos e as recomendações técnicas, além da utilização de equipamentos capazes de garantir uma pulverização eficiente e segura. As culturas que normalmente demandam aplicação aérea de defensivos estão descritas na figura abaixo.

Figura 1. Pulverização aérea em culturas agrícolas no Brasil.

Fonte: SINDIVEG. Acesse a imagem original clicando aqui: http://sindiveg.org.br/wp- content/uploads/2018/08/oquevoceprecisasabersobredefensivosagricolas.pdf

Os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) existem para reduzir a exposição do trabalhador aos produtos químicos e, assim, aumentar a segurança durante o manuseio. Para cada atividade envolvendo a aplicação de defensivos agrícolas existem EPIs específicos, cuja descrição e recomendação de uso constam obrigatoriamente nas bulas dos produtos. Ao escolher e adquirir EPIs deve-se observar as características que determinam sua eficiência e desempenho. Para as atividades de aplicação e manuseio de defensivos agrícolas, podem ser utilizados os seguintes EPIs: vestimentas como calça, jaleco e touca/capuz; luvas, respiradores, viseira facial ou óculos de proteção, touca árabe, avental e botas de borracha, cada qual com possíveis variações de acordo com o tipo de produto utilizado.

A bula dos defensivos é um instrumento legal que traz informações sobre armazenamento e advertências de uso, assim como a recomendação dos respectivos EPIs necessários para as atividades de manuseio e aplicação do produto. Os EPIs devem ser usados sempre que forem manipuladas embalagens de defensivos (cheias ou vazias), durante a preparação da calda, durante a aplicação e sempre que alguém adentrar uma área recém tratada antes de findado o período de reentrada.



Além disso, é fundamental sinalizar as áreas recém tratadas, informando o período de reentrada, que é o intervalo após a aplicação em que é vedada a entrada de pessoas sem uso de EPIs. Por fim, salienta-se que os EPIs não foram desenvolvidos para substituir os demais cuidados na aplicação e sim para complementá-los, evitando-se ao máximo a exposição aos defensivos agrícolas. Na grande maioria dos casos de intoxicação envolvendo defensivos agrícolas, as vítimas não são os consumidores finais dos produtos, mas sim os trabalhadores responsáveis pela aplicação.

Portanto, os principais mecanismos que ampliam a segurança no uso de defensivos são a receita agronômica, as instruções constantes no rótulo e bula de cada produto, a estrutura regulatória de registro e cadastro dos produtos nos estados, passando pelos pontos de venda até a utilização no campo, e também os treinamentos cujo objetivo é capacitar os trabalhadores encarregados da aplicação e assegurar que sejam seguidas as boas práticas do uso de defensivos agrícolas, incluindo a conscientização do uso de EPIs. Além disso, as demandas de exportação quanto a limites máximos de resíduos permitidos são extremamente exigentes e contribuem para reforçar a segurança no uso de defensivos.

Esse texto foi produzido com base em um informe técnico do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), a principal entidade representativa do setor de defensivos agrícolas no Brasil há mais de 75 anos. O material completo encontra-se disponível em: https://sindiveg.org.br/wp-content/uploads/2020/08/SINDIVEG_Paper_REV_FINAL_2020_bxresolucao.pdf

Revisão: Prof. Jonas Arnemann, PhD. e coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

Referências: 

Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (SINDIVEG). 2018. O que você precisa saber sobre defensivos agrícolas. Disponível em: http://sindiveg.org.br/wpcontent/uploads/2018/08/oquevoceprecisasabersobredefensiv
osagricolas.pdf

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