O El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é resultado de um acoplamento de dois componentes: um oceânico (aquecimento ou esfriamento da temperatura da superfície do mar – TSM) e outro atmosférico (comportamento dos ventos alísios na região do Pacífico Equatorial). Diante dessas anomalias, cada fase é caracterizada da seguinte forma:

  1. El Niño (fase quente): Corresponde ao aumento na TSM superior a 0,5ºC por pelo menos 5 trimestres consecutivos móveis, acompanhado pela redução da velocidade dos ventos alísios.
  2. La Niña (fase fria): Corresponde à diminuição na TSM inferior a -0,5ºC por pelo menos 5 trimestres consecutivos móveis, acompanhada pelo aumento da velocidade dos ventos alísios.
  3. Neutralidade: As temperaturas da TSM permanecem entre -0,5 °C e +0,5 °C por pelo menos 5 trimestres consecutivos.

O fenômeno ENOS atua de forma distinta dependendo da região do planeta. Por exemplo, anos de El Niño causam seca na Ásia, na Oceania e no norte da América do Sul, enquanto em outras regiões, como no sul da América do Sul e no centro-sul da África, o fenômeno resulta em chuvas acima da média. Em contrapartida, anos de La Niña apresentam o comportamento inverso, com chuvas acima da média na Ásia, na Oceania e no norte da América do Sul, e seca no sul da América do Sul e no centro-sul da África (Figura 1).

Figura 1. Configuração espacial de temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacífico durante a fase quente (El Niño – painel superior) e fase fria (La Niña – painel inferior) do fenômeno ENOS. Cores azuis indicam anomalia negativa e vermelha positiva em relação à média histórica. Fonte: Adaptado de: Cyclonextreme (2025).

Diante desse cenário, torna-se fundamental compreender o ENOS visando obter altas produtividades na cultura da soja no Brasil, visto que o comportamento das precipitações varia conforme a fase do fenômeno. Dada essa importância, a Equipe FieldCrops buscou compreender o impacto do ENOS no potencial de produtividade de sequeiro das Regiões Edafoclimáticas (RECs) do Brasil, propostas por Kaster e Farias (2012), considerando a principal janela de semeadura (Figura 2).

A partir dessa análise, verificou-se que a região sul do Brasil e o sul do Mato Grosso do Sul (REC’s 101, 102, 103, 104, 201 e 202) são as mais afetadas pelo fenômeno ENOS. Durante a fase La Niña, observa-se uma redução significativa no potencial de produtividade de sequeiro, especialmente para semeaduras realizadas no mês de setembro e outubro (Figura 2). As demais Regiões Edafoclimáticas apresentam menor variação no potencial de produtividade de sequeiro conforme a fase do ENOS, sendo que os maiores potenciais são evidenciados no mês de outubro.

Figura 2. Potencial de produtividade de sequeiro (PS) para soja em função da época de semeadura, para 16 Regiões Edafoclimáticas do Brasil, considerando a influência das fases do fenômeno ENOS. Os resultados são baseados em simulações com dados meteorológicos de 40 anos (1984–2024). Fonte: Equipe Field Crops.

Referências:

CYCLONEXTREME. Meteorologie El Niño. Disponível em: < https://www.cyclonextreme.com/meteorologieelnino.htm >, acesso: 02/08/2026

KASTER, M; FARIAS, J. R. B. Regionalização dos testes de Valor de Cultivo e Uso e da indicação de cultivares de soja – terceira Aproximação. Londrina: Embrapa Soja: Documentos 330, p. 69, 2012. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/917252 >, acesso: 01/08/2026

WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

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