O mais importante evento na área de nanotecnologia no Brasil, a Nano Trade Show, entre 24 e 26 de setembro, em São Paulo, também abre espaço para apresentar resultados de pesquisas que se transformaram em produtos para a agricultura. O visitante vai conhecer inovações desenvolvidas na Embrapa Instrumentação (São Carlos, SP) e na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF).

Entre as soluções tecnológicas que ganharam cor, tamanho e forma no Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio (LNNA) no interior paulista, nos projetos da Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio (Rede AgroNano), estão o MicroActive e a nanoemulsão de cera de carnaúba para revestimento de frutos, lançados em 2018 e 2019.

Exemplo de inovação aberta, o MicroActive à base de nanotecnologia envolveu a empresa Compass Minerals, cujos produtos atingem mais de 70 países. A tecnologia é uma película formada por micronutrientes, em grande concentração que recobre de forma homogênea grânulos dos macronutrientes nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos pela sigla NPK.

A vantagem do uso do MicroActive é que o agricultor tem um produto completo para aplicar na lavoura com nutrientes balanceados e potencial de aumentar a produtividade e reduzir aplicações de fertilizantes, porque fornece macro e micronutrientes de modo simultâneo e permite que as plantas produzam próximo do seu potencial genético.

Segurança alimentar

Neste segmento de segurança alimentar, a Embrapa Instrumentação vai apresentar a nanoemulsão de cera de carnáuba para revestimento de frutos. Em laboratório, os experimentos realizados com mamão, laranja, tangerina e tomate demonstraram efetividade no revestimento de frutos por formar uma barreira contra a perda de umidade, troca de gases e ação microbiana.

Desenvolvida em parceria com a empresa Tanquímica, também dentro do conceito de inovação aberta, o composto reforçado manteve as características mecânicas de uma nanoemulsão e foi capaz de preservar a qualidade em até 15 dias a mais, em média, comparado ao revestimento convencional dos frutos não revestidos.

Com sede em Laranjal Paulista (SP) e filiais em Franca (SP) e Novo Hamburgo (RS), a Tanquímica estima uma produção e fornecimento de 360 toneladas ao ano da nanoemulsão, conforme a infraestrutura instalada e necessária para atender a demanda do mercado.

E outras inovações, que já passaram pela fase de pesquisa e desenvolvimento e agora estão perto da escala de produção industrial, também serão apresentadas no estande da Embrapa, são os nanocristais de celulose e um novo fertilizante à base de hidrogel modificado para liberação gradual de água e nutrientes.

As pesquisas têm a proposta de agregar valor aos produtos do agronegócio brasileiro em setores estratégicos, incluindo o de fertilizantes, alimentos e celulose, todas desenvolvidas com materiais provenientes de fontes renováveis e sustentáveis.



Novidade em nanopigmentos 

Os nanopigmentos magnéticos, já disponíveis no mercado, também prometem despertar a atenção dos visitantes durante a Nano Trade Show. A novidade tem aplicações inusitadas, que vão desde promover novas cores para esmaltes de unha até a marcação de animais de um rebanho, passando por outros empregos em diversas áreas.

Desenvolvidos no Laboratório de Nanotecnologia (LNANO) na capital do País, em parceria com a empresa TecSinapse, os nanopigmentos já estão à disposição do setor industrial. O pesquisador da Embrapa Luciano Paulino explica que o desenvolvimento da tecnologia está em consonância com os princípios da química verde, que tem como um de seus pilares a preocupação com o meio ambiente.

O processo de produção dos nanopigmentos magnéticos se dá por meio de rotas eco amigáveis, ou seja, com menor produção de resíduos e toxicidade, sendo que durante o processo é possível realizar a modulação das cores das nanopartículas magnéticas, conferindo-lhe novas propriedades. “O uso desse material pode ocorrer em diversos setores, especialmente na agricultura, mas também na biomedicina, na farmacologia e até mesmo na indústria têxtil e cosmética”, explica Luciano Paulino.

Diferentemente de um pigmento tradicional em que a cor consiste na característica mais marcante, os nanopigmentos magnéticos, além da cor, respondem à aplicação de um campo magnético externo por meio de um imã, o que lhes dá novas características. Além disso, o cientista da Embrapa conta que novas propriedades, como ação antimicrobiana, podem ser incorporadas aos nanopigmentos magnéticos de modo a expandir ainda mais a multifuncionalidade do produto.

A tecnologia poderá servir na biologia para a separação e marcação de organismos, órgãos, tecidos, células e moléculas. Na medicina, poderá auxiliar diagnósticos e tratamentos de doenças e infecções. Na área da farmacologia, será capaz de promover transporte e liberação controlada de princípios ativos. Na cosmetologia, permitirá a criação de produtos com novos efeitos e cores.

Há potenciais aplicações em vários setores industriais, como na fabricação de catalisadores e sensores, ou na área ambiental, na remediação de efluentes contaminados com agentes químicos e biológicos. Na agropecuária, poderá auxiliar no controle de pragas e patógenos agrícolas e até marcar animais visando à rastreabilidade de rebanhos.

Até o desenvolvimento dessa pesquisa, formalizada em 2017 com um contrato de parceria entre a Embrapa e a TecSinapse, o mercado contava com nanomateriais magnéticos em cores variando apenas entre o marrom-avermelhado e o preto. Isso porque a síntese de nanopartículas magnéticas era bastante limitada na coloração final dos produtos. Esse trabalho permitiu a ampliação da gama de cores disponíveis, que agora podem ser verde, azul, amarela e vinho, por exemplo.

“A partir do momento em que se consegue mudar a cor, obtém-se o ganho de novas propriedades que podem ser usadas para marcar células, fazer absorção a tintas e, no caso da pecuária, fazer a marcação de animais. Abrem-se ainda oportunidades de aplicação nas indústrias têxtil e veterinária”, exemplifica a pesquisadora da TecSinapse Cinthia Bonatto, ao explicar as diferentes possibilidades para uso da tecnologia.


Grupo analisa nanotecnologia para reduzir agrotóxicos


Uso da tecnologia na pecuária e cosmetologia 

O pesquisador Luciano Paulino comenta que os pequenos produtores geralmente não têm acesso a tecnologias modernas para identificação dos rebanhos – como chips e brincos. Esse público ainda utiliza o processo de marcação do gado a ferro quente. Essa identificação de animais é uma das possíveis aplicações da tecnologia, pois conta com diferentes cores e é capaz de aderir à pele dos bovinos.

“É interessante destacar também que as nanopartículas podem apresentar outras inúmeras propriedades, entre elas as antimicrobianas, o que abre possibilidades de fabricação de fungicidas, bactericidas e nematicidas para uso veterinário”, observa o cientista da Embrapa.

“Também é possível oferecer à indústria de cosméticos um esmalte de unhas na cor verde que atenda aos apelos da moda e responda positivamente a preocupações da medicina, como evitar alergias e outras reações”, exemplifica.

Saiba mais sobre a 4ª Nano Trade Show 

A quarta edição da Nano Trade Show acontecerá dentro da Analitica Latin America – referência do setor de química analítica, de 24 a 26 de setembro, no São Paulo Expo, Rodovia dos Imigrantes, das 13h às 21h.

Esse evento reúne reúne o que há de mais atual do setor, como pesquisas, desenvolvimentos, aplicações e soluções em nanotecnologia. Na última edição os organizadores registraram um movimento de R$ 12 milhões em volume de negócios.

Serviço

Quando: de 24 a 26 de setembro de 2019

Horário: das 13h às 21h

Estande da Embrapa: Rua H / Estande H093

Local: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, KM 1,5 – São Paulo/SP)

Mais informações sobre o evento, acesse aqui.

Fonte: Embrapa

Texto originalmente publicado em:
Embrapa Instrumentação
Autor: Joana Silva - Embrapa Instrumentação

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