Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira.

As cotações do milho em Chicago também subiram nesta semana, com o bushel do cereal, para o primeiro mês cotado, fechando a quinta-feira (17) em US$ 4,32, contra US$ 4,20 uma semana antes. Esta é a melhor cotação para o milho desde meados de julho de 2019, portanto, há praticamente um ano e meio.

Além de um relatório mais altista anunciado pelo USDA no dia 10/12, o mercado reflete as expressivas vendas de milho por parte dos EUA nesta última semana. O total chegou a 1,92 milhão de toneladas, ficando bem acima do esperado. Em todo o ano comercial 2020/21 os EUA já venderam 41,6 milhões de toneladas, contra pouco mais de 17,2 milhões um ano atrás no mesmo período. O governo estadunidense espera vender um total de 67,3 milhões de toneladas de milho em todo o ano comercial atual.

Por sua vez, o plantio de milho na Argentina chegou a 47% da área prevista, havendo atraso de 7,7 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires ainda informou que 24% do que foi plantado apresenta condições entre boas a excelentes, diminuindo 10 pontos percentuais em relação a semana anterior. Ou seja, o clima continua prejudicando o plantio e o desenvolvimento das lavouras de verão no vizinho país.

Pelo lado do consumo mundial, a China deverá continuar aumentando o mesmo, fato que levará a importações importantes em 2021 e a preços mundiais sustentados. Esse quadro poderá durar até 2030 segundo analistas internacionais. Com a recuperação do rebanho suinícola, após a peste suína africana de 2018, o consumo de grãos e ração voltou a crescer no país asiático. Entre 2020/21 e 2025/26 calcula-se que o consumo de ração na China cresça 3,3% ao ano. Ao mesmo tempo, desde 2016/17 a produção de milho chinesa tem apresentado déficits importantes. (cf. Rabobank)

Já no Brasil os preços do milho se estabilizaram, porém, há viés de baixa em muitos locais. A comercialização do cereal está bastante lenta com a proximidade das festas de final de ano. Por outro lado, mesmo com as chuvas retornando para a maioria das regiões produtoras, as perdas na safra de verão são irreversíveis, caso no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

No Paraná, segundo o Deral, a projeção para a safrinha de milho local em 2021 é de 13,4 milhões de toneladas, com aumento de 14% sobre a safra colhida em 2020. Isso, obviamente, se o clima ajudar. Haverá um aumento de 2% na área semeada, passando a mesma para 2,34 milhões de hectares, com a produtividade média chegando a 5.730 quilos/hectare. Já a estimativa para a esta nova safra de verão é de uma produção local de 3,4 milhões de toneladas. Neste momento, 79% das lavouras de milho de verão se apresentam com boas condições, 16% estão em nível médio e apenas 5% em condições ruins.



Já no Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária estima que em 2020/21 a safrinha de milho poderá resultar em 36,3 milhões de toneladas, com aumento de 2,4% sobre a última colheita. Espera-se um crescimento de 18% na demanda interna do cereal graças ao aumento de esmagamento de milho para a fabricação de etanol e ao avanço do consumo de ração animal. No que se refere aos custos de produção, a próxima safra apresenta as despesas com fertilizantes e corretivos de solo mais elevadas. Mesmo assim, o ponto de equilíbrio do produtor mato-grossense fica em R$ 22,50/saco.

No Rio Grande do Sul, segundo a Emater, o plantio da safra de verão de milho teria chegado a 90% da área esperada, contra a média histórica de 96% para esta época. Cerca de 3% da área semeada já teria sido colhida no Estado gaúcho.

Neste contexto, o preço médio no balcão gaúcho fechou a semana em R$ 73,82/saco, enquanto nas demais praças nacionais os preços do cereal assim ficaram: R$ 74,00 na região central de Santa Catarina; R$ 62,50 a R$ 63,00 no Paraná; R$ 59,00 em Campo Novo do Parecis (MT); R$ 62,00 em Maracaju (MS); R$ 73,00 em Itapetininga (SP); R$ 76,00 no CIF Campinas (SP); e R$ 62,00/saco nas praças goianas de Jataí e Rio Verde.

Já na B3 o vencimento janeiro fechou a quinta-feira (17) em R$ 76,65/saco; março ficou em R$ 76,90; maio em R$ 73,22; e julho em R$ 66,45/saco.

Enfim, a SECEX informou que nos nove primeiros dias úteis de dezembro o Brasil exportou 2,26 milhões de toneladas de milho, com uma média diária 2,75% maior do que a média de novembro e 26,8% maior do que a média de dezembro de 2019. A tonelada exportada obteve um valor médio de US$ 197,00, contra US$ 174,00 no mesmo mês do ano passado, ganhando 13,2% no período.

Segundo a Abramilho espera-se que o ano termine com exportações nacionais próximas a 34 milhões de toneladas do cereal. O volume efetivamente embarcado neste ano comercial que se encerra em 31 de janeiro próximo irá definir, em boa parte, o quadro futuro de preços do milho. Nos primeiros 11 meses deste ano o país exportou 29,8 milhões de toneladas do cereal, sendo que os principais países importadores foram: Japão e Irã (13%), Vietnã (10%), Egito (8%), Taiwan (7,4%), Espanha (7,3%) e Coreia do Sul (6,9%). Já nas origens, o cereal brasileiro exportado veio, em sua maioria, do Mato Grosso (63,4%), seguido de Goiás, Paraná, Mato Grosso do Sul e Maranhão.

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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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