O agronegócio sempre foi um importante motor do comércio exterior brasileiro e, em 2020, suas exportações atingiram US$ 100,8 bilhões, o segundo maior valor dos últimos 10 anos.

No gráfico 1, pode-se observar a evolução das vendas externas brasileiras de produtos do agronegócio no período recente. No triênio 2014-2016, as exportações apresentaram retração, especialmente influenciadas pela queda no preço das commodities no mercado internacional. Nos dois anos subsequentes houve recuperação e, em 2019 nova redução no valor das exportações, seguida por aumento de 4,1% no último ano.

Comparando a taxa de crescimento das exportações brasileiras em relação aos tipos  de produtos, constata-se que o agronegócio apresentou melhor performance do que outros setores nos últimos dois anos, como pode-se observar no gráfico 2. Em 2020, enquanto os demais produtos da pauta exportadora brasileira tiveram queda de 15,2%, os produtos do agronegócio mostraram tendência contrária, com crescimento de 4,1%.

O saldo da balança comercial do agronegócio, em 2020, foi positivo em US$ 87,8 bilhões, atingindo seu maior valor da história. A partir das informações dispostas no gráfico 3, observa-se que o setor é responsável pelo superávit da balança comercial brasileira total no período, dado que, nos demais setores, o resultado foi negativo entre 2017 e 2020.

Análise das Exportações Brasileiras do Agronegócio – por produto e por destino

O principal produto da pauta exportadora do agronegócio brasileiro em 2020 foi a soja em grãos, que teve participação de 28,3%, ao atingir um valor de US$ 28,6 bilhões, com um crescimento de 9,6% em relação ao ano de 2019. Considerando os últimos quatro anos, as vendas internacionais desse produto tiveram um aumento de 5,7% ao ano, em média. No ano passado, os produtos mais vendidos, depois da soja em grãos, foram: carne bovina in natura (US$ 7,4 bilhões), açúcar de cana em bruto (US$ 7,4 bilhões), celulose (US$ 6 bilhões) e farelo de soja (US$ 5,9 bilhões). A tabela 1 apresenta informações sobre os principais produtos do agronegócio exportados pelo Brasil.

No que tange aos aumentos mais significativos entre 2019 e 2020, há realce para açúcar refinado (+95,9%), que passou de US$ 696 milhões em 2019 para US$ 1,4 bilhão em 2020; e açúcar de cana em bruto (+65,2%), cujas exportações em 2019 foram de US$ 4,5 bilhões e alcançaram US$ 7,4 bilhões em 2020. Além disso, a carne suína in natura também apresentou um bom desempenho, com elevação de 42,5% no seu valor exportado.

Em termos de distribuição geográfica das exportações brasileiras do agronegócio em 2020, mais da metade delas, 52,6%, foram destinadas aos países da região da Ásia e Oceania, sendo a China o principal destino, com 33,7% de participação. A União Europeia foi a segunda maior região, com 16,2%, e a América do Norte figurou como terceiro destino das exportações do agronegócio, com participação de 8,6%, sendo o mercado de destaque os Estados Unidos, com 6,9%. A figura a seguir apresenta os 10 principais países de destino das exportações brasileiras de produtos do agronegócio em 2020.

Em 2020, aproximadamente 82% dos US$ 34 bilhões exportados para a China concentraram-se em três produtos: soja em grãos (61,5%; US$ 20,9 bilhões), carne bovina in natura (11,9%; US$ 4 bilhões) e celulose (8,4%; US$ 2,9 bilhões), como pode ser visualizado no gráfico 4. No que se refere às maiores variações, destaca-se o crescimento de açúcar de cana em bruto, que atingiu taxa de 222,3% em relação a 2019, passando de US$ 390 milhões para US$ 1,3 bilhão. Além disso, praticamente dobrou a exportação de carne suína in natura no último ano, atingindo US$ 1,2 bilhão. Por fim, as vendas de carne bovina in natura para a China cresceram 50,3% no período. Por outro lado, as importações chinesas de fumo não manufaturado tiveram queda de 60,4% em 2020.

Os principais produtos exportados para a União Europeia foram farelo de soja (18,0%; US$ 2,9 bilhões), soja em grãos (17,5%; US$ 2,8 bilhões) e café verde (16,0%; US$ 2,6 bilhões). Juntos esses produtos representaram 51,5% do total de produtos do agronegócio vendidos para a região em 2020, como pode ser visto no gráfico 5. Vale destacar o crescimento significativo de soja em grãos (+58,5%) que teve um incremento de cerca de US$ 1 bilhão em valor exportado. Já as maiores reduções foram verificadas em celulose (-36,2%) e sucos de laranja (-27,1%).

As exportações destinadas aos Estados Unidos apresentam uma concentração menor em relação à China e União Europeia, como se observa no gráfico 6, com os três principais produtos respondendo por 33,1% das vendas totais: celulose (13,6%; US$ 945 milhões); café verde (13,3%; US$ 929,4 milhões) e álcool etílico (6,2%; US$ 429 milhões). Dentre os principais produtos exportados em 2020, destaca-se o crescimento de obras de marcenaria e carpintaria (+33% frente a 2019) e madeira compensada e contraplacada (+32,1%). No sentido contrário, as maiores quedas foram verificadas pelos produtos álcool etílico (-31,6%) e sucos de laranja (-24,5%).

Análise de Setores Selecionados (Agro.BR)

O Agro.BR é um projeto de internacionalização direcionado para pequenos e médios empresários rurais brasileiro, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – Apex-Brasil. A iniciativa visa organizar a oferta de produtos e aumentar a quantidade de empresários rurais no comércio exterior, e assim, fomentar a diversificação da pauta exportadora do Brasil.

Os setores prioritários do Agro.BR são chá, mate e especiarias; frutas; lácteos; pescados e produtos apícolas. A seguir, será apresentada análise detalhada do desempenho das exportações dos produtos contidos nesses setores.

Chá, mate e especiarias

As exportações de chá, mate e especiarias em 2020 mostraram uma inversão da tendencia de médio prazo. Enquanto no período entre 2017 e 2019, as vendas externas desse setor apresentaram queda de quedas sucessivas, neste ano atingiram US$ 356,1 milhões, o alcançando um crescimento de 14,1% frente ao ano de 2019.

Os principais produtos exportados pelo setor são: pimenta, do gênero piper seca, triturada ou em pó (US$ 185,3 milhões); mate (US$ 87,4 milhões) e gengibre (US$  50,2 milhões). Esses produtos são responsáveis por 90,7% do total da exportação do setor, como pode observar-se na tabela 2.

Como destaque, pontua-se o desempenho das exportações de gengibre, que cresceram, em média, à taxa de 89,3% ao ano, entre 2017 e 2020, e, considerando apenas o último ano, essa taxa atingiu 126,5%. Em termos de valor, as vendas passaram de US$ 7,9 milhões em 2017 para US$ 50,2 milhões em 2020, ou seja, um incremento de US$ 42,3 milhões em quatro anos.

Os principais destinos das exportações do setor, em 2020, foram: Uruguai (17,5%; US$ 62,4 milhões); Estados Unidos (14,8%; US$ 52,7 milhões); Alemanha (10,4%; US$ 37,2 milhões); Vietnã (7,0%; US$ 24,9 milhões) e Países Baixos (6,5%; US$ 23 milhões). Juntos, esses mercados foram responsáveis por 56,2% do total exportado no último ano.

Frutas

As exportações brasileiras de frutas2 totalizaram cerca de US$ 1 bilhão no ano de 2020, isso representou uma participação de 1% no total de produtos do agronegócio exportados.

Os cinco principais produtos exportados respondem por aproximadamente 70% do setor: mangas frescas ou secas (US$ 246,9 milhões), melões frescos (US$ 147,9 milhões), uvas frescas (US$ 105,3 milhões), limões e limas frescos ou secos (US$ 101,9 milhões) e castanha de caju (US$ 91 milhões).

O pior desempenho entre esses produtos foi o obtido pela castanha de caju, cujas exportações caíram 25% no último ano, o que representou uma variação negativa de cerca de US$ 30 milhões em suas vendas internacionais. Em relação aos destaques positivos, nota-se a expansão a taxas superiores a 12% no último ano de uvas frescas (+ US$ 11,9 milhões) e limões e limas frescos ou secos (+ US$ 11 milhões).

Os principais destinos das frutas brasileiras, em 2020, foram: Países Baixos (US$ 304,4 milhões), Estados Unidos (US$ 147,3 milhões), Reino Unido (US$ 145,7 milhões), Espanha (US$ 105,9 milhões) e Argentina (US$ 35,1 milhões). Esses países representaram 73,6% das exportações do setor em 2020.

Lácteos

As exportações de lácteos somaram US$ 75,7 milhões em 2020 e, após sucessivas quedas entre 2017 e 2019, apresentaram elevação de 32,8% em 2020 frente ao ano anterior.

A partir das informações da tabela 4, observa-se que os principais produtos exportados desse setor em 2020 foram: queijos (US$ 18,9 milhões), leite condensado (US$ 18,1 milhões), creme de leite (US$ 16,5 milhões), leite modificado (US$ 11,5 milhões) e leite em pó (US$ 3,8 milhões). Somados, eles representaram 91% das vendas externas do setor.

Os principais destinos dos produtos lácteos do Brasil, em 2020, foram: Venezuela (US$ 14,1 milhões), Chile (US$ 9,7 milhões), Estados Unidos (US$ 6,7 milhões), Paraguai (US$ 5 milhões) e Rússia (US$ 4,9 milhões). Juntos, esses mercados foram destino de mais da metade das vendas externas de lácteos do Brasil. Os três principais destinos também verificaram crescimentos significativos. As exportações para a Venezuela cresceram mais de 13 vezes ante o observado em 2019, o que representou um aumento de aproximadamente US$ 13 milhões. Já as vendas para o Chile cresceram 81,5% no último ano (+ US$ 4,3 milhões) e as destinadas aos Estados Unidos tiveram aumento de 40,6% (+ US$ 1,9 milhão).

Pescados

O setor de pescados exportou US$ 260,2 milhões no ano de 2020. Esse valor representa uma queda de 15,3% em comparação com 2019. Os principais produtos brasileiros vendidos para o mercado internacional em 2020 foram: lagostas, congeladas (US$ 73,8 milhões), outros peixes congelados (US$ 63,8 milhões), pargos congelados (US$ 29,2 milhões), outros peixes frescos ou refrigerados (US$ 27,7 milhões) e outros peixes secos, salgados ou defumados (US$ 24,3 milhões). Esses produtos representaram cerca de 60% do total das vendas externas de  pescados, como pode ser visto na tabela 5.

Há de se destacar o desempenho positivo das vendas de tilápias. O Brasil exportou US$ 6,7 milhões em 2020, considerando-se todas as formas do produto (vivas, congeladas, refrigeradas, frescas e filés), desempenho 16,6% superior ao ano anterior.

Em termos de dinâmica do crescimento, verifica-se que, dentre os produtos analisados na tabela 5, apenas pargos congelados tiveram aumento nas exportações no último ano, com uma taxa de 0,9%. Dentre os destaques negativos, outros peixes frescos ou refrigerados tiveram o pior desempenho, com uma redução de 25,8% ante o valor exportado em 2019.

Em 2020, mais da metade do valor exportado do setor de pescados (53,6%) foi destinada aos Estados Unidos (US$ 139,4 milhões). Em seguida, para Hong Kong (10,4%; US$ 27 milhões), China (9,7%; US$ 25,2 milhões), Taiwan (2,9%; US$ 7,5 milhões) e Austrália (2,7%; US$ 7,1 milhões).

Produtos apícolas

O Brasil exportou US$ 106 milhões em produtos apícolas no ano de 2020. Considerando o período compreendido entre os anos de 2017 e 2020, as vendas externas do setor apresentaram retração à taxa média de 6,1% ao ano. Porém, ao comparar os valores exportados entre 2019 e 2020, verifica-se um forte crescimento, de 39,8%, o que representou um aumento de mais de US$ 30 milhões, conforme disposto na tabela 6.

Os produtos compreendidos pelo setor são mel natural – que teve exportações de US$ 98,6 milhões em 2020 e foi responsável por 93% das exportações totais do setor – e ceras de abelha, que atingiu US$ 7,4 milhões no mesmo período. Destaca-se que o crescimento do setor, em 2020, foi impulsionado pelas vendas ao exterior de mel natural, que aumentaram 44,1% no ano.

Os Estados Unidos (US$ 71,6 milhões) são o principal destino dos produtos apícolas brasileiros, seguidos por Alemanha (US$ 13,2 milhões), Canadá (US$ 4,3 milhões), Japão (US$ 4 milhões) e Austrália (US$ 3 milhões). Somados, esses destinos foram responsáveis por mais de 90% das vendas externas do setor.



Fonte: CNA

Texto originalmente publicado em:
CNA
Autor: CNA

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