InícioDestaqueGiberela em trigo: momento de controle é tão importante quanto a escolha...

Giberela em trigo: momento de controle é tão importante quanto a escolha do fungicida

A Giberela (Gibberella zeae), de forma imperfeita Fusarium graminearum Schwabe,  é uma das principais doenças fungicidas que incidem sobre a cultura do trigo. Dependendo das condições meteorológicas, que variam entre anos e locais, ocasiona reduções no rendimento de grãos que podem ser superiores a 50% (Santana et al., 2012).

Ela pode ser considerada uma doença monocíclica que sobrevive entre estações de cultivo como saprófita em resíduos culturais de plantas hospedeiras e não hospedeiras. Dessa forma, o sistema plantio direto, especialmente se tratando da rotação de culturas com gramíneas hospedeiras tem sido considerado um fator que contribuiu para o aumento do risco de epidemias de giberela, uma vez que há maior abundância de resíduos na superfície do solo (Del Ponte et al., 2004).

Conforme destacado por Santana et al. (2012), um dos principais sintomas da ocorrência da doença é a descoloração precoce das espiguetas. Além disso, quando a infecção ocorre durante o florescimento do trigo, pode ocorrer a formação de grãos “chochos”, afetando diretamente o rendimento da cultura .



Figura 1. Giberela ou fusariose da espiga do trigo (Triticum aestivum). Espiga com sintomas típicos da doença (A), grãos giberelados (B), Gibberella zeae em meio seletivo (C), macroconídios de Fusarium graminearum (D) (Del Ponte et al., 2004).

Fonte: Del Ponte et al. (2004)

Anos chuvosos e temperaturas não muito baixas beneficiam o desenvolvimento da giberela. As temperaturas ideais para o desenvolvimento da doença variam entre 20 a 25°C e para que ocorra a infecção na planta é necessário “água livre” na folha, logo, precipitações durante 48 ou 72 horas beneficiam o desenvolvimento e infecção da doença (Santana et al., 2012).

Embora o uso de cultivares tolerantes e o emprego de fungicidas sejam as técnicas mais empregadas para o controle e manejo da giberela no trigo, cabe destacar que o momento de aplicação é tão importante quanto a escolha do fungicidas, estando esse momento, diretamente relacionado ao sucesso do controle da doença.  Existe um consenso de que a giberela é uma doença que ocorre no florescimento com pico de suscetibilidade no momento da extrusão das anteras (Del Ponte et al., 2004), logo, esse é o momento ideal para práticas de controle da doença.

Figura 2. Extrusão anteras do trigo.

Fonte: CCGL – TEC

Conforme observado por Casa et al. (2007), avaliando a época de aplicação e desempenho de fungicidas no controle da giberela em trigo, o melhor controle da giberela no trigo ocorre durante o período do início da floração. Os autores ainda destacam que conforme resultados observados, aplicações de fungicidas durante o período do florescimento e início do desenvolvimento dos grãos do trigo não têm reduzido significativamente a infecção de F. graminearum nos grãos.

Sendo assim, a época de aplicação de fungicidas do trigo visando o controle da giberela pode exercer influência direta no sucesso do controle e manejo da doença. Além do emprego de fungicidas e cultivares tolerantes, deve-se atentar para a tecnologia de aplicação de fungicidas e o uso de culturas não hospedeiras do fungo na rotação de culturas, sendo esses, fatores essenciais para um adequado manejo da doença.


Veja mais: Giberela em trigo, confira os sintomas, danos e os fungicidas mais eficientes para controle



Referências:

CASA, R. T. et al. ÉPOCA DE APLICAÇÃO E DESEMPENHO DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DA GIBERELA EM TRIGO. Ciência Rural, v.37, n.6, 2007. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/cr/a/L5KYPwFCjBXbn94dLHYw5kC/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 06/07/2021.

DEL PONTE, E. M. et al. GIBERELA DO TRIGO – ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS E MODELOS DE PREVISÃO. Fitopatol. bras. 29(6), 2004. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/fb/a/WHmhpn6NbZJDn49RvBqjQ7D/abstract/?lang=pt >, acesso em: 06/07/2021.

GUTERRES, C. W. ENSAIOS COOPERATIVOS EM REDE: CONTROLE QUÍMICO DE GIBERELA E REDUÇÃO DE NÍVEIS DE MICOTOXINAS EM TRIGO. CCGL – TEC, 2016. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/trigo/transferencia-de-tecnologia/parceria-ocb/-/asset_publisher/Uq2bYZkWZxQu/document/id/17784395?inheritRedirect=false >, acesso em: 06/07/2021.

SANTANA, F. M. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE GIBERELA EM TRIGO: RESULTADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS – SAFRA 2011. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 23, 2012. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/943400/1/co232012.pdf >, acesso em: 06/07/2021.

SANTANA, F. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE TRIGO. Embrapa, Documentos, n. 108, 2012. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/990828/manual-de-identificacao-de-doencas-de-trigo >, acesso em: 06/07/2021.

Acompanhe nosso site, siga nossas mídias sociais (SiteFacebookInstagramLinkedinCanal no YouTube

 

Equipe Mais Soja
Equipe Mais Soja
A equipe editorial do portal Mais Soja é formada por profissionais do Agronegócio que se dedicam diariamente a buscar as melhores informações e em gerar conteúdo técnico profissional de qualidade.
Artigos relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Populares