Vamos falar hoje de um grupo de herbicidas muito utilizado e importante para lavouras de soja, milho, arroz e outras culturas. Os inibidores da ALS (Grupo B).

Este grupo de herbicidas atua inibindo a enzima acetolactato sintase.

Estes herbicidas eram muito utilizados para o controle de plantas daninhas em soja, antes da tecnologia RR (tolerância ao glyphosate). Eram muito utilizados em pré-emergência ou pós inicial da soja, algumas moléculas como chlorimuron em pós-emergência.

Em destaque no quadro estão as moléculas com registro para uso em soja no Brasil.

Algumas destas moléculas são seletivas para soja tolerante a sulfoniluréias (STS), como por exemplo nicosulfuron ou chlorimuron (em doses acima das utilizadas em soja não-STS).

Como já dito, os inibidores da ALS eram muito utilizados em soja antes da tecnologia RR. Contudo, por serem muito utilizados, muitos foram os casos de plantas daninhas relatadas como resistentes no Brasil. 

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São 19 casos de plantas daninhas resistentes aos inibidores da ALS no Brasil, isto para casos de resistência simples. Ainda se tem 10 casos com resistência múltipla (resistência a ALS e algum outro mecanismo para o mesmo biótipo). Assim no total são 29 casos de resistência a ALS no Brasil.

Casos de resistência aos herbicidas inibidores da ALS no mundo. Fonte: Heap (2019).

Destes 29 casos, 12 foram relatados na cultura da soja, sendo 6 deles com resistência múltipla, ou seja, a dois ou mais herbicidas de mecanismos de ação diferentes.

Fonte: Heap, 2019.

O elevado uso dos herbicidas inibidores da ALS ocorre devido a alta eficácia em doses baixas dos produtos, baixa toxicidade a mamíferos e elevada seletividade a diversas culturas de interesse econômico.

Fonte: Oliveira Júnior et al. (2011).

Hoje, o uso de herbicida inibidores da ALS em pós-emergência da soja é mais restrito, o chlorimuron já não está sendo tão utilizado pela dificuldade no controle da buva em pós-emergência da soja, além de causar um pouco de fitotoxicidade. 

Em pós-emergência ainda é utilizado sobretudo o cloransulam em áreas com escape de buva.

Entretanto, em pré-emergência todos os herbicidas podem ser importantes, principalmente as do grupo químico das imidazolinonas.

Veja agora algumas dicas de como prevenir a resistência de plantas daninhas a herbicidas:

  • use mais de um método de controle de plantas daninhas (cultural, mecânico, químico, físico e preventivo);
  • faça rotação de cultura;
  • rotação de mecanismos de ação de herbicidas, entretanto não rotacione só ALS e glyphosate, pois poderá selecionar resistência múltipla, como já tem casos;
  • faça associação de herbicidas de mesmo espectro de controle, porém de diferente mecanismo de ação;
  • realize o manejo durante a entressafra.

Conclusão

No texto de hoje vimos a importância dos herbicidas Inibidores da ALS para a cultura da soja. Também verificamos os casos de resistência nesse grupo de herbicidas e dicas para prevenir a resistência, assim como os herbicidas registrados para a cultura da soja.



Gostou do texto? Tem mais dicas sobre os herbicidas Inibidores da ALS? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Girardeli, Sou Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar) e Doutora em Fitotecnia (USP/ESALQ). Atualmente, estou cursando MBA em Agronegócios.

 

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