O setor de máquinas agrícolas vive um grande desafio em 2024 com estimativa de queda de 15% nas vendas em relação ao ano passado, de acordo com Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).

Causas

O representante da ABIMAQ afirmou que três fatores formaram este cenário. O primeiro deles foi a queda no preço das commodities internacionais, principalmente soja e milho. “Isso diminuiu a rentabilidade dos agricultores”.

Outro fator são os juros que são considerados altos pelos agricultores para fazer investimentos. “O ModerFrota, principal linha de financiamento para máquinas agrícolas, estava com juros de 12,5% e, no mercado, os juros chegam a 16% ao ano. Com isso, o produtor acaba não fazendo investimentos”. E um terceiro motivo, segundo Pedro Estevão, foi a seca que deu na atual safra. “Nós tivemos, na safra de verão, uma perda significativa no Brasil inteiro”.

Exportações

Essa conjuntura financeira e climática também afetou as exportações de máquinas agrícolas brasileiras, que estão concentradas principalmente na América Latina. Países como Argentina, Paraguai e Bolívia, importantes mercados para as máquinas brasileiras, também sofreram com a queda nos preços das commodities e viram sua rentabilidade diminuir, o que impactou negativamente a demanda por novos equipamentos.

Mercado interno

No mercado interno, as importações de máquinas agrícolas também caíram, acompanhando a redução na demanda interna. Setores como o de máquinas de colheita de algodão e acessórios foram os mais afetados.

Problema conjuntural x estrutural

A ABIMAQ enfatizou que é importante distinguir bem o que é conjuntural e o que é estrutural. “Estamos vivendo um problema conjuntural, ou seja, você não tem seca todo ano, os juros podem baixar, o preço das commodities mudam”.

“Estruturalmente, como estamos? O Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos e tanto o USDA – Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, quanto o Ministério da Agricultura do Brasil, projetam um crescimento de 20% a 30% nas exportações de alimentos nos próximos 10 anos, estimando um aumento de 18 milhões de hectares de área plantada; o que vai representar 21% a mais que a área atual. Esse número pode ser atingido recuperando as pastagens degradadas”, explicou Pedro Estevão.

Para ele, o Brasil tem um grande potencial a médio e longo prazo para aumentar a venda de máquinas. “Se aumentar a área plantada, não teremos máquina sobrando”.

Oportunidades

As chamadas energias verdes que devem trazer um grande e novo mercado para o Brasil. “As empresas do setor estão atentas às oportunidades apresentadas pela demanda por biocombustíveis, buscando desenvolver máquinas que possam utilizar diferentes tipos de combustíveis como motor elétrico híbrido, elétrico com etanol, diesel e biodiesel. Esse é um mercado promissor e que pode impulsionar a demanda por novos equipamentos agrícolas nos próximos anos”, finalizou o pres. da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da ABIMAQ.

Confira na íntegra a fala de Pedro Estevão Bastos

Autor/Fonte: SNA – Por Larissa Machado

 

FONTE

Autor:SNA

Site: SNA

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.