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Inoculação do trigo via pulverização substitui inoculação via sementes ou sulco?

A inoculação do trigo com bactérias do gênero Azospirillum é uma alternativa sustentável para melhorar a produtividade e qualidade do trigo produzido a um baixo custo. As bactérias do gênero Azospirillum são conhecidas por promover o crescimento vegetal, especialmente do sistema radicular das plantas, contribuindo para o aumento da absorção de água e nutrientes do solo pelas plantas.

Embora possuam capacidade em realizar fixação biológica de nitrogênio, por se tratar de uma relação associativa e não simbiótica como é o caso das bactérias do gênero Bradyrhizobium na cultura da soja, as bactérias do gênero Azospirillum suprem apenas parte do Nitrogênio (N) requerido pelo trigo, sendo necessário suplementar esse nutriente via fertilizantes para a obtenção de boas produtividades.

Segundo Mumbach et al. (2017), quando associada a adubação nitrogenada no trigo, a inoculação promove aumento significativo da produtividade da cultura. Conforme resultados da Embrapa, em média, a inoculação do trigo com Azospirillum proporciona ganhos produtivas na ordem de 14% em comparação a plantas não inoculadas (Hungria, 2011).

O método mais tradicional para realizar a inoculação consiste na adição de inoculantes nas sementes, entretanto, conforma analisado por Pereira et al. (2017), outros métodos de inoculação podem ser empregados como alternativas complementares, proporcionando rendimentos superiores ao trigo não inoculado, especialmente sobre condições de mesmo aporte nutricional.



Embora a inoculação via sulco de semeadura seja considerada uma alternativa de substituição da inoculação via sementes, o mesmo não é valido para a inoculação via pulverização da parte aérea do trigo, logo, essa deva ser empregada com o intuito de corrigir alguma falha de manejo e/ou baixa ineficiência da inoculação via semente ou sulco.

Conforme resultados observados por Pereira et al. (2017), a adição de Azospirillum brasilense independente da forma de aplicação (tratamento de sementes, sulco ou pulverização) proporcionou valores de PH (peso hectolitro) dentro da faixa de alta qualidade industrial, destacando a contribuição das bactérias não só para o aumento da produtividade, mas também da qualidade do trigo.

Além disso, os autores observaram que assim como a inoculação via sementes, a inoculação via pulverização, utilizando a dose de 400 ml 50 kg-1 de sementes, quando associada ao uso da adubação nitrogenada, proporcionou elevado número de grãos por espiga. Tendo em vista que esse é um importante componente de produtividade do trigo, associando aos resultados de produtividade (tabela 1) observados por Pereira et al. (2017), pode-se dizer que há viabilidade no uso de inoculantes via pulverização para a cultura do trigo.

Tabela 1. Esquema dos tratamentos com diferentes modos de aplicação do inoculante a base de Azospirillum brasilense, associados a doses de nitrogênio e produtividade da cultura do trigo em função dos diferentes tratamentos.

Fonte: Pereira et al. (2017)

Entretanto, cabe destacar que as melhores produtividades observadas por Pereira et al. (2017) foram obtidas com a adoção da inoculação via tratamento de sementes, associada a adubação nitrogenada. Embora não seja recomendada a substituição da inoculação do trigo via semente ou sulco pela realizada via pulverização, em comparação ao trigo não inoculado e com mesmo nível de adubação, a inoculação via pulverização pode constituir uma importante ferramenta de manejo em situações onde não é possível realizar a inoculação via sementes ou sulco, ou em situações de inoculação ineficiente, atuando de forma complementar.

Quando necessário realizar a inoculação do trigo via pulverização, recomenda-se que a prática seja realizada nos estádios V3 ou V4 (início do perfilhamento). Entretanto, cabe ressaltar que a inoculação via pulverização apresenta resultados produtivos inferiores a inoculação via tratamento de sementes ou sulco, sob mesmos níveis de adubação, não sendo a melhor estratégia quando o objetivo é o aumento da produtividade.

Referências:

HUNGRIA, M. INOCULAÇÃO COM Azospirillum brasilense: INOVAÇÃO EM RENDIMENTO A BAIXO CUSTO. Embrapa, Documentos, n. 325, 2011. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/29560/1/DOC325.2011.pdf >, acesso em: 10/06/2022.

MUMBACH, G. L. et al. RESPOSTA DA INOCULAÇÃO COM AZOSPIRILLUM BRASILENSE NAS CULTURAS DE TRIGO E DE MILHO SAFRINHA. Revista Scientia Agraria, v. 18. n. 2, 2017. Disponível em: < https://revistas.ufpr.br/agraria/article/view/51475 >, acesso em: 10/06/2022.

PEREIRA, L. C. et al. RENDIMENTO DO TRIGO (Triticum aestivum) EM RESPOSTA A DIFERENTES MODOS DE INOCULAÇÃO COM AZOSPIRILLUM BRASILENSE. Revista de Ciências Agrárias, 2017. Disponível em: < https://revistas.rcaap.pt/rca/article/view/16433 >, acesso em: 10/06/2022.

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Equipe Mais Soja
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