O controle de plantas daninhas é fundamental para diminuir a competição de plantas cultivas com plantas daninhas por água, nutrientes e radiação solar, promover melhores condições de crescimento de desenvolvimento para as plantas, resultando em boas produtividades. Dentre as plantas daninhas encontradas nos cultivos de soja, uma delas vem surpreendendo agricultores por apresentar resistência ao glifosato, herbicida mais utilizado no cultivo de soja RR para o controle de plantas daninhas.

Trata-se do Leiteiro (Euphorbia heterophylla), planta daninha até então controlada pelo glifosato.

Fonte: MOREIRA & BRAGANÇA (2011).

Relatada recentemente pela Embrapa Soja (PR) e pela Cooperativa Agropecuária e Industrial (COCARI), a resistência da planta daninha ao glifosato foi observada na região do Vale do Ivaí no Paraná. Assim, o Leiteiro passa a integrar a lista de plantas daninhas resistentes ao glifosato, apresentando resistência isolada ao herbicida conforme abordado pelo Pesquisador Fernando Adegas em palestra-online, confira o vídeo clicando aqui.

Figura 2. Lista de plantas daninhas com resistência Isolado (simples) e múltipla ao herbicida glifosato.

Fonte: Fernando Adegas, Embrapa Radar da Tecnologia Soja (2020).

A resistência da planta daninha ao glifosato fica nítida em ADEGAS et al (2020), onde os autores avaliaram a resistência de populações de leiteiro tidas como sensíveis e resistentes ao glifosato, utilizando diferentes doses do produto (figura 3).

Figura 3. Populações de Euphorbia heterophylla suscetível (A) e resistente (B) ao glifosato (doses em kg e.a.ha-1).

Foto: Fernando Storniolo Adegas (2020).

O Leiteiro pode trazer inúmeros prejuízos para a lavoura de soja, prejudicando consideravelmente seu rendimento. Segundo dados experimentais apresentados na revista cultivar, e obtidos pelo Núcleo de Investigação em Ciências das Plantas Daninhas, na UTFPR, as perdas diárias causadas pela competição da planta daninha com a soja pode representar perdas de produtividade da soja variando de 5,2 a 6,5 kg.ha-1 de soja por dia, e dependendo da população de leiteiro encontrada na lavoura as perdas podem chegar a 50% da produtividade da soja.

Dentre as alternativas de controle para a planta daninha, o principal e mais utilizado é o controle químico. Uma vez que a planta apresenta resistência ao glifosato, é fundamental realizar o controle químico quando as plantas apresentarem altura inferior a 10cm, possibilitando melhor eficiência de controle (AGRO BAYER BRASIL).

Avaliando o desempenho de diferentes herbicidas pré-emergentes para o controle de Euphorbia eterophylla na cultura da soja, SANCHOTENE et al. (2017) encontraram resultados que demonstram controle da planta daninha a níveis superiores a 80% aos 28 dias após a aplicação quando utilizados os herbicidas flumioxazin + chlorimuron-ethyl; flumioxazin + imazaquin; flumioxazin + imazethapyr; flumioxazin + sulfentrazone; sulfentrazone; imazaquin e diclosulam,  sendo que os melhores resultados de controle as 28 dias após a aplicação foram observados quando utilizados flumioxazin + chlorimuron-ethyl.

Tabela 1. Resultados médios de controle de Euphorbia eterophylla aos 28 dias após a aplicação.

Adaptado: SANCHOTENE et al. (2017).


Além do controle químico, é fundamental utilizar métodos preventivos para diminuir a evolução da resistência, Conforma destacado pelo pesquisador Adegas, a aquisição de sementes livres de espécies daninhas, a limpeza de máquinas e equipamentos agrícolas e a manutenção das beiras de estrada ou arredores da lavoura mantendo sem a presença de plantas daninhas, assim como a rotação de culturas, favorece o manejo e controle de plantas daninhas. A rotação de mecanismos de ação assim como a associação de herbicidas também desempenha papel fundamental na diminuição do risco da evolução da resistência.

Ficou curioso, quer saber mais sobre o controle de plantas daninhas em soja? Acesse nossa site e confira as notas técnicas e notícias mais atualizadas clicando aqui!!!

Veja também: Caruru (Amaranthus hybridus) – Características e complexidade de manejo.

Referências:

ADEGAS, F. S. et al. EUPHORBIA HETEROPHYLLA: UM NOVO CASO DE RESISTÊNCIA AO GLIFOSATO NO BRASIL. Embrapa, Comunicado Técnico, n.98, mar. 2020.

AGRO BAYER BRASIL. LEITEIRO. Disponível em: < https://www.agro.bayer.com.br/alvos/leiteiro-euphorbia-heterophylla#tab-4>, acesso em: 14/05/2020.

MOREIRA, H. J. C; BRAGANÇA, H. B. N. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE PLANTAS INFESTANTES, HORTIFRÚTI. FMC Agricultural Products, 2011.

NOTÍCIAS. MAIS UMA PLANTA DANINHA RESISTENTE AO AGLIFOSATO. Embrapa, Disponível em:< https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/50622096/mais-uma-planta-daninha-resiste-ao-glifosato-no-brasil>, acesso em: 14/05/2020.

REVISTA CULTIVAR. IMPACTO ELEVADO: PREJUÍZOS CAUSADOS PELO LEITEIRO NA SOJA. Disponível em: < https://www.grupocultivar.com.br/artigos/impacto-elevado>, acesso em: 14/05/2020.

SANCHOTENE, D. M. et al. DESEMPENHO DE DIFERENTES HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES PARA CONTROLE DE EUPHORBIA HETEROPHYLLA NA CULTURA DA SOJA. PERSPECTIVA, Erechim. v. 41, n.155, p. 07-15, set. 2017.

Redação: Maurício Siqueira dos Santos – Eng. Agrônomo, equipe Mais Soja.

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