Uma série de doenças pode incidir sobre a cultura da soja durante seu ciclo de desenvolvimento, causando perdas de ordem quantitativa e qualitativa dos grãos ou sementes produzidas. Algumas doenças são mais frequentes nos estádios iniciais do desenvolvimento da soja, enquanto outras podem ocorrer nos estádios finais, ou até mesmo em qualquer período do desenvolvimento da soja (Figura 1).

Normalmente as doenças fungicas são as mais frequentes na cultura da soja, sendo assim, o uso de fungicidas é uma das estratégias mais utilizadas para o controle e manejo de doenças na cultura. Entretanto, o emprego de fungicidas representa custo de produção, logo, a necessidade de aplicar ou não fungicidas é constantemente avaliada, estando condicionada ao monitoramento das áreas de produção, e presença de sintomas da infecção por patógenos.

Figura 1. Períodos de ocorrência das doenças da soja.

Fonte: SARAN, A.P. (2011)

Durante o pleno desenvolvimento da soja, pulverizações de fungicidas são planejadas e realizadas conforme necessidade para o manejo e controle de doenças, devendo-se prezar pela boa tecnologia de aplicação, resultando em boa cobertura da planta, tanto do terço médio quando dos terços inferiores e superiores da planta.

Com o avanço do ciclo de desenvolvimento da soja, especialmente após início do período reprodutivo, muitas vezes a necessidade de se realizar a aplicação de fungicidas é questionada, uma vez que pode refletir em aumento do custo de produção. Entretanto, a necessidade ou não da aplicação de fungicidas no período final do desenvolvimento da soja irá depender das condições ambientais e pressão de inoculo nas áreas de produção.

Doenças como a ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi) podem acometer a soja em qualquer período do desenvolvimento da cultura, causando perdas produtivas que variam de 10% a 90% dependendo da severidade e suscetibilidade da cultivar (Godoy et al., 2021). Já o oídio por sua vez, está condicionado principalmente as condições ambientais, sendo favorecido por condições de baixa umidade relativa do ar e temperaturas amenas (18 °C a 24 °C) (Henning et al., 2014), causando danos que variam de 30% a 40% (Yorinor, 1997).

Além da presença de inoculo do patógeno, a ocorrência dessas e de outras doenças fungicidas que acometem a cultura da soja está condicionada principalmente as condições ambientais, logo, o monitoramento intensivo da lavoura é uma das principais estratégias que irá conduzir a necessidade ou não da aplicação de fungicidas durante o período final do desenvolvimento da soja.



Se tratando do oídio, doença a qual teve seu desenvolvimento beneficiado pelas condições de baixa disponibilidade hídrica e baixa umidade relativa do ar, especialmente no Sul do Brasil na safra 2021/22, além de assertividade da primeira aplicação de fungicidas (posicionamento de fungicidas), ajustes nas aplicações de fungicas devem ser realizadas ao longo do desenvolvimento da soja, com base no monitoramento da doença, visando a utilização de fungicidas com maior eficiência de controle da doença quando necessário.

Já se tratando do manejo da resistência de doenças fungicidas a fungicidas, segundo o Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas (FRAC-BR), o uso de fungicidas multissítios é essencial, e se tratando da ferrugem-asiática em específico, todo e qualquer programa de manejo da doença deve ser inicializado de forma preventiva a ocorrência da doença.

Conforme destacado pelo Professor e Pesquisador Marcelo Madalosso, a interação entre produtos e doenças pode variar de acordo com as condições ambientais, sendo necessário avaliar as a situação de cada áreas de produção. Logo a necessidade e/ou o posicionamentos de produtos no final do ciclo de desenvolvimento da soja pode variar de acordo com cada lavoura e condições ambientais.


Veja mais: Doenças de final de ciclo na soja – Quais são e como evitar


Confira o vídeo abaixo com as dicas do Professor e Pesquisador Marcelo Madalosso.


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Referências:

FRAC-BR. NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas. Disponível em: < https://www.frac-br.org/soja >, acesso em: 02/05/2022.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2020/2021: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 174, 2021. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/225501/1/Circ-Tec-174.pdf >, acesso em: 02/05/2022.

HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃOD DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105942/1/Doc256-OL.pdf >, acesso em: 02/05/2022.

SARAN, P. E. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DAS DOENÇAS DA SOJA. Coletânea FMC: cada dia mais completa, 2011.

YORINOR, J. T. OÍDIO EM SOJA. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 59, 1997. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPSO/17662/1/comTec059.pdf >, acesso em: 02/05/2022.

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