O azevém Lolium sp., é uma planta pertencente a família Poaceae (gramínea), cujo gênero apresenta oito espécies, sendo elas L. perenne, L. rigidum, L. multiflorum, L. persicum, L. remotum, L. loliaceum, L. temulentum e L. canariense (Vargas et al., 2018). No Brasil, a espécies mais difundida é o Lolium multiflorum, popularmente conhecida como azevém comum ou simplesmente azevém.

A planta predomina nas regiões Sul do Brasil, onde as condições climáticas favorecem seu desenvolvimento. Como característica do azevém, é possível destacar seu rápido crescimento e desenvolvimento, sendo muitas vezes empregado como cultura forrageira, de cobertura do solo ou até mesmo para a produção de grãos ou sementes durante o período do inverno.

Figura 1. A: detalhe da base do caule arroxeada; B: espiguetas; C: aurículas abraçando o caule.

Fotos: Jonas Rodrigo Henckes

Em sistemas de integração lavoura-pecuária, é comum observar o cultivo do azevém no período do inverno, servindo como forrageira para o gado. Entretanto, se tratando desses sistemas em especial, o cultivo do azevém necessita ser planejado com maior cautela. O azevém possui grande capacidade de produção de sementes, as quais são dispersas com facilidade da planta mãe.

Avaliando a produção de sementes de azevém irrigado e não irrigado, Ferreira Neto et al. (2018) observaram que dependendo da forma de manejo do azevém (com e sem irrigação), a produção de sementes por inflorescência pode ser superior a 100 sementes. Corroborando a elevada capacidade do azevém em produzir sementes, existem relatos de que uma planta é capaz de produzir aproximadamente 3.500 sementes (IHARA).



Tendo em vista o ciclo de desenvolvimento do azevém (figura2), em sistemas de produção onde culturas produtoras de grãos são cultivadas em sucessão ao azevém, para que essa planta não exerça forte papel de planta daninha, é fundamental atentar para o manejo do azevém, sendo indispensável o controle da cultura antes do período de formação das sementes, quando o intuito do cultivo não é a produção de grãos ou sementes para colheita.

Figura 2. Períodos do desenvolvimento do azevém: (1) germinação, (2) estádio vegetativo, perfilhamento e alongamento de entrenós, (3) emergência floral, floração plena, (4) fecundação e formação de sementes.

Caso as devidas práticas de manejo não sejam realizadas e/ou não ocorra a colheita das sementes do azevém, as sementes produzidas por essa planta passam a se dispersar na área de produção, integrando o banco de sementes do solo. Essas sementes podem permanecer viáveis por longos períodos, e sob condições adequadas de temperatura e umidade, podem germinar, resultando em inúmeros fluxos de emergência em virtude da grande quantidade de sementes. Em algumas situações, principalmente se tratando da formação de pastagens, é comum observar a ressemeadura natura do azevém, ano após ano.

Em sistemas de produção onde há certa rotação de culturas do azevém com outras Poaceas com o trigo por exemplo, os fluxos de emergência do azevém podem resultar em populações dessa planta, exercendo papel de planta daninha. Embora os danos possam variar em função da densidade populacional do azevém e período do desenvolvimento em que infestam a cultura principal, perdas de produtividade decorrentes da matocompetição de até 56% podem ser observadas em trigo (Fleck, 1980).

Atrelado a isso, há registros de populações resistentes de azevém a herbicidas de diferentes mecanismos de ação, em especial ao glifosato, fato que dificulta ainda mais o controle eficiente dessa planta, quando exerce papel de planta daninha. Com isso em vista, além do adequado manejo do azevém, é fundamental buscar alternativas de controle que reduzam a pressão do controle pós-emergente.

Uma ferramenta para isso são os herbicidas pré-emergentes, que atuam diretamente no banco de sementes do solo, inibindo a germinação das sementes presentes nesse banco ou impedindo com que essas sementes completem o processo germinativo. Entretanto, cabe destacar que de maneira geral, o uso de herbicidas pré-emergentes requer maior cautela em relação aos herbicidas pós-emergentes, uma vez que características de solo e umidade podem influenciar a eficiência do produto.

Veja mais: Controle do azevém em trigo – Confira dicas de manejo

Figura 3. Testemunha (a esquerda), tratamento com herbicidas pré-emergente (a direita) visando o controle do azevém em trigo.

Fonte: Rede Técnica Cooperativa – RTC (2021)

Referências:

FERREIRA NETO, M. A. et al. PRODUÇÃO DE SEMENTES DE AZEVÉM IRRIGADO E NÃO IRRIGADO. Zootecnia brasil, Centro de Convenções da PUC-GO, 2018. Disponível em: < http://www.adaltech.com.br/anais/zootecnia2018/resumos/trab-2045.pdf >, acesso em: 01/08/2022.

FLECK, N. G. CO MP ET IÇ ÃO DE AZ EV ÉM (Lolium multiflorum L) COM DUAS CULTIVARES DE TRIGO. PLANTA DANINHA, 1980. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pd/a/Z47GnG7gLt3zZhFgMxWpqtk/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 01/08/2022.

IHARA. AZEVÉM, Lolium multiflorum. Ficha Técnica. Disponível em: < https://ihara.com.br/wp-content/uploads/sites/96/2021/03/ficha-tecnica-azevem-ihara.pdf >, acesso em: 01/08/2022.

VARGAS, L. et al. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE AZEVÉM (Lolium multiflorum L.) RESISTENTE A HERBICIDAS EM ÁREAS AGRÍCOLAS. Revista Plantio Direto &: Tecnologia Agrícola, 2018. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1091629/caracterizacao-e-manejo-de-azevem-lolium-multiflorum-l-resistente-a-herbicidas-em-areas-agricolas :. Acesso em: 01/08/2022.

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