A matocompetição de plantas daninhas com plantas cultivadas é uma das principais causas responsáveis por limitar a produtividade de culturas anuais como soja e milho. Embora seja consenso que o controle de plantas daninhas é necessário para a manutenção do potencial produtivo das culturas, no geral, o manejo está concentrado normalmente no controle pós-emergência das plantas daninhas.

Contudo, visando reduzir as populações de plantas daninhas, práticas integradas de manejo, além do controle pós-emergente necessitam ser adotadas. Uma dessas práticas, é o manejo do banco de sementes no solo.

Embora o emprego de herbicidas pré-emergentes já seja uma realidade de muitas propriedades agrícolas, é preciso pensar além do controle dos fluxos de emergência dessas plantas daninhas, atuando “na raiz” do problema, ou seja, a alimentação do banco de semente de solo.

Banco de sementes é conceituado como o “montante de sementes e outras estruturas de propagação presentes no solo ou em restos vegetais” (Carvalho, 2013). Algumas espécies de plantas daninhas a exemplo do caruru, podem produzir elevada quantidade de sementes, as quais são facilmente dispersas e passam a integrar o banco de sementes do solo. Segundo Gazziero & Silva (2017), a produção e sementes por planta de caruru pode chegar a 250.000 dependendo da espécie, havendo relatos de plantas com produção de sementes igual ou superior a 1 milhão.

Figura 1. Inflorescência com sementes de caruru.

Quando não controlamos essas plantas daninhas antes da produção e liberação das sementes, essas sementes passam a integrar o banco de sementes do solo, dando origem a novos fluxos de emergência e populações de plantas daninhas, quando atingem condições adequadas de temperatura, luz e umidade para germinar.

Conhecer o banco de sementes é importante para embasar posicionamentos de manejo e/ou estratégias no controle de plantas daninhas. Além do controle das plantas daninhas, antes da liberação das sementes, o sistema de cultivo exerce influência sobre o banco de sementes no solo.


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Conforme observado por Melo et al. (2021), o sistema de plantio influencia no controle de plantas daninhas, especialmente no banco de sementes do solo, principalmente com relação ao número de germinantes (sementes) por metro quadrado.

Resultados obtidos pelos autores, indicam que, independentemente da profundidade avaliada no perfil do solo, o menor número de sementes no banco de sementes no solo foi observado no sistema plantio direto, enquanto que o maior número de sementes foi observado no sistema convencional, onde há o revolvimento do solo.

Tabela 1.  Número de germinantes do banco de semente de plantas daninhas nos diferentes sistemas de manejo do solo sob diferentes profundidades.
Fonte: Melo et al. (2021)

Em comparação ao sistema plantio direto, o sistema convencional (onde há o revolvimento do solo), contribui para a incorporação das sementes de plantas daninhas no banco de sementes no solo. Além disso, algumas espécies de plantas daninhas possuem sementes fotoblásticas positivas (necessitam de luz para germinar), logo, a palhada residual em cobertura no solo contribui para a redução do fluxo de emergência de plantas daninhas.

Figura 2. Densidade de plantas daninhas. A) Com pousio; e, B) Sem pousio.
Fonte: Skora Neto (2022)

Sendo assim, pode-se dizer que a redução do banco de sementes do solo é essencial para o manejo de plantas daninhas, devendo-se controlar as plantas daninhas antes da dispersão das sementes e também adotar sistemas de cultivo que minimizem o número de sementes no solo, tais como o sistema plantio direto, como corroborado por Melo et al. (2021).


Veja mais: Uso de herbicidas pré-emergentes na cultura do trigo



Referências:

CARVALHO, L. B. PLANTAS DANINHAS. Lages, 2013. Disponível em: < https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/fitossanidade/leonardobiancodecarvalho/livro_plantasdaninhas.pdf >, acesso em: 19/04/2024.

GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/159778/1/Doc-384-OL.pdf >, acesso em: 19/04/2024.

MELO, A. K. P. et al. QUANTIFICAÇÃO DO BANCO DE SEMENTES DE PLANTAS DANINHAS SOB DIFERENTES  SISTEMAS DE MANEJO DO SOLO. Nativa, 2021. Disponível em: < https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/nativa/article/view/11290/12783 >, acesso em: 19/04/2024.

SKORA NETO, F. MANEJO SUSTENTÁVEL DE PLANTAS DANINHAS: FUNDAMENTOS PARA UM SISTEMA DE PLANTIO DIRETO SEM HERBICIDA. IDR-Paraná, 2022. Disponível em: < https://www.idrparana.pr.gov.br/Pagina/L18 >, acesso em: 19/04/2024.

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