pós as pesquisas mostrarem o potencial do cultivo de trigo irrigado no Mato Grosso, a produção do grão começa a ser incentivada no estado. Na semana passada, a Câmara Técnica do Trigo (CTT), ligada à Secretaria Desenvolvimento Econômico do Estado, realizou evento no município de Pedra Preta, a 238 km ao sul de Cuiabá, para mostrar a viabilidade da cultura na região.

O coordenador da CTT e pesquisador da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Hortêncio Paro, esclarece que seis materiais genéticos de trigo foram apresentados com potencial produtivo para o Mato Grosso e com estimativa de produção acima de 70 sacas por hectare. O evento foi direcionado a estudantes de agronomia, empresários, pesquisadores, produtores rurais e profissionais de assistência técnica e extensão rural.

O que falta atualmente, segundo Paro, é a garantia de que a produção tenha um destino certo e um preço mínimo para o produtor rural. Entretanto, um moinho será instalado no distrito industrial de Cuiabá. “O Estado de Mato Grosso consome 140 mil toneladas de farinha por ano e cada habitante consome em média 42 quilos de farinha anualmente”, afirma Paro.

O pesquisador enfatizou que o potencial da área de produção no estado chega a mais de 100 mil hectares. E uma área plantada de 30 mil hectares seria ideal para atender à futura demanda do moinho, que deve iniciar a produção até 2021, e ter capacidade para processar diariamente até 120 toneladas de trigo, segundo ele.

De acordo com Paro, além de comprovar a viabilidade técnica do cultivo do cereal em Mato Grosso, o trabalho de pesquisa demonstrou a qualidade do trigo colhido, que pode atingir de 40 a 50% de força de glúten. Esse teor de glúten é considerado adequado comercialmente, visto que o percentual mínimo é de 25%, segundo o pesquisador. Ele explica que os valores de percentual de glúten são cruciais para fabricação de produtos diferenciados, como pão, massas e farinhas.

O evento foi realizado na Fazenda Bom Jesus, onde foi feita uma visita técnica na Unidade Demonstrativa (UD) sobre a cultura do trigo irrigado. “A UD foi implantada numa área de 1.500 metros quadrados com variedades que demonstram a potencialidade do trigo irrigado na região de Rondonópolis”, acrescentou Paro.

O projeto é desenvolvido em parceria pela CTT com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Grupo Bom Jesus. O trabalho de pesquisa com a cultura do trigo irrigado vem sendo executado também nos municípios de Campo Novo do Parecis, Sorriso, Santa Rita do Trivelato e Primavera do Leste. Neste último, uma propriedade colheu 77 sacas de trigo irrigado por hectare, considerado economicamente viável.

Fonte: Portal da SNA

Texto originalmente publicado em:
Portal da SNA
Autor: Portal da SNA

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